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| © André Dusek/Estadão Daqui a menos de três meses, Cármen Lúcia deixa a presidência do Tribunal e volta a integrar a Segunda Turma. |
O retorno da
presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen
Lúcia, à Segunda Turma da Corte, a partir de setembro, deve aumentar as
chances de o relator da Lava Jato, ministro Edson
Fachin, sair vitorioso naquele colegiado em questões consideradas
cruciais para a operação.
Levantamento
feito pelo Estado em julgamentos no plenário da Corte de
processos da Lava Jato e seus desdobramentos ou com impacto direto nos rumos da
operação aponta que Cármen e Fachin concordaram em 14 das 16 questões
discutidas – ou 87,5% das vezes.
Atual
integrante da Segunda Turma, o ministro Dias
Toffoli, que vai assumir a presidência da Corte no lugar de Cármen,
concordou em 7 das 16 questões com Fachin (43,7%). Entre elas, estão o
desmembramento das investigações do “quadrilhão” do MDB da Câmara e a manutenção de Fachin na
relatoria da delação do Grupo J&F. Os dois discordaram, no entanto, nos
termos da restrição do foro para parlamentares e na concessão de habeas corpus
de “ofício” ao ex-ministro Antonio
Palocci (Toffoli foi a favor).
O mapeamento
considerou os julgamentos mais relevantes no plenário desde que Fachin assumiu
a relatoria da Lava Jato no STF, em fevereiro do ano passado, após a morte do
ministro Teori Zavascki em acidente aéreo. Entre os casos, estão a análise dos
habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), condenado e preso pela Operação Lava Jato, e de
Palocci; a discussão sobre a constitucionalidade da condução coercitiva de
investigados para interrogatórios (um dos pilares da Lava Jato); a manutenção
de Fachin na relatoria da delação da J&F; e a decisão de reduzir o alcance do foro privilegiado para
deputados e senadores.
Daqui a menos
de três meses, Cármen Lúcia deixa a presidência do Tribunal e volta a integrar
a Segunda Turma, que já impôs a Fachin pelo menos 17 reveses em 34 votações.
Por regra, quem comanda o STF não integra nenhuma das Turmas.
Atualmente, a
Segunda Turma é composta por Fachin e os ministros Celso
de Mello, Gilmar
Mendes, Ricardo
Lewandowski e Dias Toffoli – os últimos três têm se alinhado nas
críticas aos métodos de investigação da Lava Jato, alegando muitas vezes haver
falta de provas colhidas a partir de delações premiadas e votando, portanto,
pela absolvição de réus e pela rejeição de denúncias apresentadas pela
Procuradoria-Geral da República (PGR).
Em movimento
contrário ao de Cármen Lúcia, Toffoli sairá da Turma para presidir a Corte nos
próximos dois anos. Na Segunda Turma, o trio Gilmar-Toffoli-Lewandowski forma a corrente majoritária
que já mandou soltar o ex-ministro José Dirceu, absolveu a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) do crime de caixa 2 e retirou do juiz federal Sérgio Moro trechos de delações
premiadas que envolvem os ex-presidentes Lula e José Sarney (MDB).
A composição do
colegiado já fez Fachin mudar a estratégia e optar por levar questões
diretamente ao plenário, onde conseguiu reverter placares desfavoráveis na
Segunda Turma. Na última semana, Fachin decidiu encaminhar para decisão dos 11
ministros da Corte mais um recurso da defesa de Lula, condenado e preso na Lava
Jato, pedindo a liberdade do petista. O caso pode voltar ao plenário a partir
de agosto, quando termina o recesso dos ministros.
Convergência. No
plenário, Cármen ficou ao lado de Fachin ao votar contra a concessão de habeas
corpus a Lula e Palocci; ao defender a legalidade da condução coercitiva de
investigados para interrogatórios; e ao se posicionar para restringir o foro
privilegiado para os crimes cometidos no exercício do mandato e em função do
cargo, no caso de deputados federais e senadores. Toffoli discordou dos dois em
todas essas questões.
Segundo o
levantamento, Cármen divergiu de Fachin em dois julgamentos: ao abrir caminho para
o Senado devolver o mandato de Aécio
Neves (PSDB-MG) e ao defender a legitimidade de delegados de
polícia fecharem acordos de colaboração premiada.
Nos outros
casos considerados no levantamento, a ministra ficou ao lado do relator da Lava
Jato, inclusive ao defender o encaminhamento a Moro das investigações por
organização criminosa contra o ex-ministro Geddel
Vieira Lima (MDB-BA), o deputado cassado Eduardo
Cunha (MDB-RJ) e o ex-assessor especial da Presidência Rodrigo
Rocha Loures (MDB-PR). O plenário, no entanto, acabou decidindo –
com o voto de Toffoli – encaminhar o caso para a Justiça Federal em Brasília.
Para ministros,
advogados e auxiliares do STF ouvidos pela reportagem, a troca de Toffoli por
Cármen vai reduzir o isolamento de Fachin e aumentará as chances de o relator
da Lava Jato sair vitorioso nos julgamentos, o que na prática pode significar
um endurecimento da Segunda Turma e uma maior possibilidade de condenação de
políticos.
Preocupados com
o retorno de Cármen Lúcia, advogados criminalistas têm feito uma romaria a
gabinetes do Supremo para acelerar o julgamento de casos de seus clientes na
Segunda Turma.
Estadão

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