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Câmara
aprova fundo bilionário para financiar
campanhas
eleitorais
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Os cinco
partidos que mais receberão recursos do fundo eleitoral neste ano informam que,
na distribuição do dinheiro, pretendem priorizar os candidatos atualmente com
mandato, o que, na avaliação de especialistas, mais uma vez dificultará a
renovação no Congresso Nacional.
O G1 consultou as estratégias de
MDB, PT, PSDB, PP e PSB. Juntos, esses partidos têm 236 deputados (46% dos 513
parlamentares da Câmara). No Senado, as cinco legendas somam 48 senadores (59%
dos 81 parlamentares).
Neste ano, os
partidos contarão com menos recursos para as campanhas eleitorais em comparação
com 2014. Isso porque, em 2015, o Supremo
Tribunal Federal proibiu as doações empresariais. Além disso, em maio
último, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que 30% dos recursos do
fundo sejam reservados para as campanhas
de mulheres.
Em 15 de junho,
o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou quanto
cada legenda receberá do fundo eleitoral, de R$ 1,7 bilhão, criado
pelo Congresso Nacional e abastecido com recursos públicos. A
divisão do fundo levou em conta, principalmente, a composição da Câmara e do Senado
em agosto de 2017 e também o total de votos de cada legenda nas eleições para
deputado federal de 2014.
Recursos do
fundo eleitoral
O fundo
eleitoral é destinado exclusivamente para o financiamento de candidaturas, mas
o TSE
permitiu que o dinheiro do fundo partidário, destinado à manutenção das
legendas, também seja usado nas campanhas eleitorais.
Renovação
prejudicada
Professor do
Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), Ricardo Caldas
disse ao G1 ver com "naturalidade" a decisão dos partidos. Na opinião
do professor, as legendas "sempre" deram prioridade a quem já tem
mandato, somente não tornavam isso público.
Caldas afirma
que sempre houve uma "falsa renovação". "Deputado estadual se
elege deputado federal, deputado federal se candidata a governador, governador
tenta se eleger senador, senador volta a ser governador. É só uma dança das
cadeiras", disse.
Para o
professor da UnB, quem já tem mandato aparece com mais frequência na mídia e
fica mais conhecido entre os eleitores. "É uma lei cruel, mas verdadeira.
Quem já é deputado tem mais chance. [...] Agora, isso [renovação] cabe ao
eleitor", concluiu.
Cientista
político e pesquisador da UnB, Antônio Testa avaliou que a renovação política
nestas eleições deve ser menor do que a verificada em 2014. Segundo ele, na
eleição daquele ano, a Câmara renovou 43% dos parlamentares e, neste ano, se
chegar a 30% "vai ser muito".
Segundo ele, os
partidos são "controlados por oligarquias", o que explica a decisão
de privilegiar quem já tem mandato.
"Além de
já serem conhecidos, eles têm verbas de gabinete, acesso à mídia da Câmara e do
Senado, têm todas as facilidades para viajar, para usar suas equipes. Mesmo
falando que não vão usar, eles usam. Então, é um jogo muito desigual",
opina.
Para Testa, o
eleitor está "refém" do sistema político-partidário. "Os debates
são superficiais. Muitos candidatos, pouco tempo para responder, sem
aprofundamento de temas. Os candidatos ficam batendo em slogans, frases de
efeito, lugares comuns. Não vejo o eleitor como um ator decisivo. O papel dele
é votar", afirmou.
O que dizem
os partidos
Ao G1,
integrantes dos partidos disseram avaliar que candidatos com mandato têm maior
visibilidade, são mais influentes e têm maior atuação política.
Por isso, na
avaliação de dirigentes partidários, têm mais chances de serem lembrados pelo
eleitor.
"Vamos
priorizar os deputados com mandato. Governadores e senadores terão algum
financiamento razoável. Deputados estaduais, pouco financiamento, mas terão.
São os detentores de mandato que têm mais probabilidade de voltar",
resumiu o tesoureiro do PP, deputado Ricardo Barros (PR).
O presidente da
Fundação Ulysses Guimarães, do MDB, o ministro de Minas e Energia, Moreira
Franco, já informou que a
prioridade do partido será eleger deputados e senadores. Disse, ainda,
que a legenda dará "cobertura mais sólida" àqueles candidatos com
maior chance de se eleger.
"Evidentemente
isso vai ocorrer. Aqueles que têm mandato terão um impulso maior do que os que
não têm. Mas não que isso seja uma decisão política do partido. É fruto dos
fatos", afirmou.
O tesoureiro do
PSDB, deputado Silvio Torres (SP), afirmou que neste ano há mais interessados
em disputar a eleição que vagas disponíveis para candidatos pelo partido.
Diante disso, as decisões sobre quem concorrerá nos estados caberá aos
diretórios locais.
"Não
sabemos ainda se há a possibilidade de se fazer a diferenciação [prioridade nos
recursos], mas certamente os que têm mandato terão quantia maior que aqueles
que ainda não se mostraram viáveis. [...] O partido vai analisar, mas a bancada
no Congresso está pedindo prioridade e, como a atual bancada é a que compôs o
fundo partidário, o partido tende a atender", afirmou.
Critérios de
divisão
Saiba abaixo
quais são as prioridades de cada um dos cinco partidos que mais receberão recursos
do fundo eleitoral:
MDB, segundo
a assessoria:
- Senadores com mandato: R$ 2 milhões para cada um;
- Deputados com mandato: R$ 1,5 milhão para cada um;
- Campanhas de mulheres: R$ 69,6 milhões;
- R$ 54 milhões serão divididos segundo critérios
previstos no estatuto do MDB.
* O partido
diz que o restante será distribuído "de acordo com o desenrolar da
eleição".
PT, segundo
resolução do partido:
- Campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
à Presidência;
- Campanha de deputados e deputadas federais,
priorizando os candidatos à reeleição e aqueles com viabilidade eleitoral;
- Campanha de senadores e senadoras, priorizando os
candidatos à reeleição e aqueles com viabilidade eleitoral;
- Campanha para reeleição e eleição de governadores e
governadoras, priorizando os cinco estados já governados pelo PT e demais
que possam ter viabilidade eleitoral.
* O G1 procurou
o partido para saber os valores, mas não obteve resposta até a publicação desta
reportagem.
PSDB,
segundo o partido:
- R$ 43 milhões: 13 pré-candidatos ao Senado e 14
pré-candidatos a governador;
- R$ 43 milhões: campanha do ex-governador Geraldo
Alckmin à Presidência;
- R$ 43 milhões: candidatos a deputados distritais e
federais.
- R$ 55 milhões: candidaturas femininas.
PP, segundo
resolução do partido:
- Deputado federal candidato à reeleição: R$ 2
milhões*;
- Governador: valor equivalente a 50% do teto de
gastos da campanha estipulado em lei. Ou seja, serão destinados de R$ 1,4
milhão a R$ 10,5 milhões, dependendo do estado;
- Senador candidato à reeleição: R$ 3 milhões;
- Deputado federal candidato a deputado estadual: R$
1 milhão*;
- Deputado estadual candidato a reeleição: R$ 100
mil;
- R$ 39,3 milhões, no mínimo, para campanhas de
mulheres.
*Os valores
podem ser acrescidos ou descontados de acordo com o posicionamento do candidato
na votação de projetos em que o partido fechou questão.
PSB, segundo
resolução do partido:
- 55% dos recursos: campanhas de deputado
federal/estadual/distrital;
- 45% dos recursos: campanhas de governador, senador
e vice-presidente da República, se for o caso;
- 5% dos recursos: contingenciados para utilização no
segundo turno;
- O fundo será distribuído proporcionalmente ao
número de candidaturas de cada sexo, sendo que 30% dos recursos serão
reservados ao sexo com menor percentual de candidatos.
Na resolução, o
partido estabelece que a distribuição de recursos será feita pela direção
nacional, "levando em consideração a prioridade de reeleição dos atuais
mandatários, a probabilidade de êxito nas candidaturas, bem como, a estratégia
político eleitoral do partido em âmbito nacional, no tocante ao crescimento de
suas bancadas na Câmara e no Senado e também o aumento do número de
governadores".
Por Filipe Matoso e Gustavo Garcia, G1,
Brasília


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