![]() |
© Foto:
Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
|
O economista
Carlos Miranda, apontado como operador financeiro do ex-governador Sérgio
Cabral, disse na terça-feira (12) durante depoimento na presença do juiz
Marcelo Bretas, na 7ª Vara de Justiça Federal, como era feita a distribuição de
propinas referentes a obras do Departamento Estadual de Estradas de Rodagem do
Rio de Janeiro (DER-RJ).
Conforme o
Ministério Público Federal (MPF) coube a Cabral R$ 17,5 milhões, além de US$
175 mil. O delator afirmou que, conforme foi informado, na partilha dos
recursos 50% eram destinados ao ex-governador e a outra metade a Henrique
Alberto Santos Ribeiro, ex-presidente do DER-RJ no governo Cabral.
O depoimento
foi no âmbito da Operação C'est Fini deflagrada em novembro do ano passado, um
desdobramento das Operações Calicute e Eficiência para apurar crimes de
corrupção e lavagem de dinheiro em contratos com o estado do Rio.
Repasses
começaram no final de 2007
De acordo com
Miranda, o ex-governador e o ex-secretário de governo Wilson Carlos o
informaram que havia um acordo para recolher propina do órgão, que chegaria a
Cabral por intermédio de Lineu Castilho Martins, apontado como operador do
ex-presidente do DER-RJ. Os repasses começaram a ser entregues ao economista do
meio para o final de 2007. No esquema, Lineu era chamado pelos codinomes de
Boris e Russo.
Miranda disse
que os valores eram entregues em mochilas em seu escritório da Rua Ataulfo de
Paiva, no Leblon, e depois passou a receber no seu escritório do Jardim
Botânico, os dois na zona sul do Rio. Entre 2011 e 2014, segundo o economista,
a responsabilidade pelo recolhimento da propina foi transferida para Luiz
Carlos Bezerra.
“Ele passou a
receber o Lineu em diversos lugares. No centro da cidade, no Terminal Menezes
Cortes, no Largo do Machado, e tinha me contado que tinha marcado com Lineu
algumas vezes no estacionamento das Lojas Americanas ”, disse.
Miranda
acrescentou que o recebimento da propina não tinha data fixa, mas ocorria
regularmente durante o governo Cabral, dependendo das datas em que o estado
fazia os pagamentos às empresas envolvidas no esquema de favorecimento para
conseguir obras. “Dependia dos pagamentos do estado, mas, normalmente, eram
dentro de 40 a 45 dias”, disse, completando que os valores eram “em torno de R$
100 mil a R$ 150 mil”.
Escolha de
codinomes
O procurador da
República, Almir Sanches, indagou qual era o codinome usado por Miranda no
esquema e ele afirmou que era Jarbas. “Foi Wilson [Carlos] que passou esses
codinomes e a gente usava isso para não dar o nome original um para o outro.
Tanto é que quando o Lineu foi preso no ano passado e teve no presídio é que
fiquei sabendo que era Lineu”, disse Miranda.
Os advogados de
defesa de Lineu e Henrique perguntaram se Miranda tem documentos sobre os
encontros e se tinha contatos com outras pessoas do governo Cabral. Ele
respondeu que tinha em seu telefone os números do ex-secretário da Casa Civil,
Régis Fichtner; de Cabral e do ex-secretário de Saúde, Sérgio Côrtes.
Estavam
previstos, ainda, na audiência de hoje, os depoimentos do ex-presidente do
Tribunal de Contas do Estado (TCE), Jonas Lopes de Carvalho Júnior, e do seu
filho, o ex-consultor do tribunal, Jonas Lopes de Carvalho Neto, que também são
investigados na Operação C'est Fini e fecharam acordo de delação premiada.
Seria ouvido também o delator Marcos Andrade Barbosa da Silva.
Como foram
anexados, ontem, ao processo, vídeos de depoimentos, o juiz Bretas decidiu
mudar a data, atendendo ao pedido da defesa dos envolvidos. A data, no entanto,
segundo o procurador Almir Sanches ainda não foi marcada.
Agência
Brasil

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!