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Laboratório
usado pela milícia para adulterar bebida
Tinha álcool
etílico e até corante de cabelo
(Foto:
Reprodução / TV Globo)
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Laboratório
encontrado pela polícia tinha álcool de cozinha, tinta spray e até tintura de
cabelo. Grupo ameaçava empresários da Gardênia Azul a comprar a mistura. Três
pessoas foram presas.
Uma
investigação da polícia descobriu uma nova modalidade de crime cometido pela
milícia do Rio de Janeiro. Bandidos estavam ameaçando empresários da Zona Oeste
a comprar bebida falsificada para vender a clientes. A mistura usada para
adulterar as bebidas impressionou até os investigadores. Além de álcool etílico
e corante, foram encontrados entre os ingredientes até tinta de carro e
produtos para pintar cabelo. Três pessoas foram presas na ação.
Os
investigadores usaram agentes infiltrados durante 10 dias na Gardênia Azul, em
Jacarepaguá, e descobriram uma quadrilha de milicianos que obrigava empresários
da região a comprar as bebidas batizadas.
A poucos metros
de um dos pontos de distribuição da bebida falsificada, eles encontraram o
laboratório. “Eles estavam arrecadando garrafas usadas no mercado à noite no
Rio de Janeiro e estavam envasando com álcool etílico, corante, bebida de menor
qualidade”, afirmou o delegado Maurício Demétrio.
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Laboratório
usado pela milícia para adulterar bebida
Tinha álcool
etílico e até corante de cabelo
(Foto:
Reprodução / TV Globo)
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Análises feitas
pela perícia da Polícia Civil confirmaram as falsificações. Um médico da Fiocruz
alerta que esse tipo de bebida pode levar à morte.
"Os
destilados estão na faixa de trinta. Se você colocar álcool, que obviamente tem
outras funções, você pode jogar essa gradação para 50 e vai ter uma sobrecarga
renal e hepática para metabolizar tudo isso, excretar tudo isso, e lesão
cerebral eventual", afirmou Francisco Nelson Bastos.
Ainda de acordo
com ele, algumas precauções são fundamentais para que o consumidor evite o
cunsumo dessas bebidas adulteradas. "Um lacre violado pode passar
perfeitamente despercebido por uma pessoa que não está atenta a esse detalhe,
que é vital, mas a que ela não presta atenção", garantiu o médico.
Imagens
gravadas pelos agentes mostram um vendedor tentando convencer um suposto
cliente. “As bebidas são de segunda, mas as bebidas são a mesma coisa. O gosto
é tudo igual”, diz o vendedor.
Quem aparece
nas imagens é Edilson dos Santos, apontado pela polícia como um dos chefes da
quadrilha. Ele ainda fala sobre o selo de qualidade das garrafas, que também
são falsificados.
Edilson foi
monitorado pela polícia durante dez dias e acabou preso em flagrante. Outros
dois homens também presos.
A polícia
apreendeu centenas de garrafas usadas para colocar a vodca e o uísque falsificados.
Um empresário, que promove várias festas na Zona Oeste, diz que foi ameaçado
pelos milicianos para comprar as bebidas batizadas.
“Chegaram lá
cinco pessoas que se diziam empresários do ramo de bebida. Então eu falei: ‘Não
posso atender’. Eles insistiram. Aí o segurança veio e falou: ‘Ó, melhor o
senhor atender’. Quando eu fui lá, os cinco chegaram, me chamaram e
"falou": 'Ó, vou jogar o esquema limpo pra você. Eu sei que você faz
muito evento, trabalha com muita bebida, a gente é da milícia aqui da área. A
gente trabalha com bebida falsa. Você tem que comprar com a gente, ou você e
seus clientes vão começar a ter problemas com a gente'. Os caras nunca chegaram
lá, tipo, botando arma na minha cara, fuzil, mas sempre dando a entender que
estavam dispostos a tudo”, disse um empresário.
Por Eduardo Tchao, Bom Dia Rio


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