6/29/2018

Milícia obriga comerciantes a vender bebida com álcool etílico e até corante na Zona Oeste do Rio

Laboratório usado pela milícia para adulterar bebida
Tinha álcool etílico e até corante de cabelo
(Foto: Reprodução / TV Globo)

Laboratório encontrado pela polícia tinha álcool de cozinha, tinta spray e até tintura de cabelo. Grupo ameaçava empresários da Gardênia Azul a comprar a mistura. Três pessoas foram presas.
Uma investigação da polícia descobriu uma nova modalidade de crime cometido pela milícia do Rio de Janeiro. Bandidos estavam ameaçando empresários da Zona Oeste a comprar bebida falsificada para vender a clientes. A mistura usada para adulterar as bebidas impressionou até os investigadores. Além de álcool etílico e corante, foram encontrados entre os ingredientes até tinta de carro e produtos para pintar cabelo. Três pessoas foram presas na ação.
Os investigadores usaram agentes infiltrados durante 10 dias na Gardênia Azul, em Jacarepaguá, e descobriram uma quadrilha de milicianos que obrigava empresários da região a comprar as bebidas batizadas.
A poucos metros de um dos pontos de distribuição da bebida falsificada, eles encontraram o laboratório. “Eles estavam arrecadando garrafas usadas no mercado à noite no Rio de Janeiro e estavam envasando com álcool etílico, corante, bebida de menor qualidade”, afirmou o delegado Maurício Demétrio.
Laboratório usado pela milícia para adulterar bebida
Tinha álcool etílico e até corante de cabelo
(Foto: Reprodução / TV Globo)
Análises feitas pela perícia da Polícia Civil confirmaram as falsificações. Um médico da Fiocruz alerta que esse tipo de bebida pode levar à morte.
"Os destilados estão na faixa de trinta. Se você colocar álcool, que obviamente tem outras funções, você pode jogar essa gradação para 50 e vai ter uma sobrecarga renal e hepática para metabolizar tudo isso, excretar tudo isso, e lesão cerebral eventual", afirmou Francisco Nelson Bastos.
Ainda de acordo com ele, algumas precauções são fundamentais para que o consumidor evite o cunsumo dessas bebidas adulteradas. "Um lacre violado pode passar perfeitamente despercebido por uma pessoa que não está atenta a esse detalhe, que é vital, mas a que ela não presta atenção", garantiu o médico.
Imagens gravadas pelos agentes mostram um vendedor tentando convencer um suposto cliente. “As bebidas são de segunda, mas as bebidas são a mesma coisa. O gosto é tudo igual”, diz o vendedor.
Quem aparece nas imagens é Edilson dos Santos, apontado pela polícia como um dos chefes da quadrilha. Ele ainda fala sobre o selo de qualidade das garrafas, que também são falsificados.
Edilson foi monitorado pela polícia durante dez dias e acabou preso em flagrante. Outros dois homens também presos.
A polícia apreendeu centenas de garrafas usadas para colocar a vodca e o uísque falsificados. Um empresário, que promove várias festas na Zona Oeste, diz que foi ameaçado pelos milicianos para comprar as bebidas batizadas.
“Chegaram lá cinco pessoas que se diziam empresários do ramo de bebida. Então eu falei: ‘Não posso atender’. Eles insistiram. Aí o segurança veio e falou: ‘Ó, melhor o senhor atender’. Quando eu fui lá, os cinco chegaram, me chamaram e "falou": 'Ó, vou jogar o esquema limpo pra você. Eu sei que você faz muito evento, trabalha com muita bebida, a gente é da milícia aqui da área. A gente trabalha com bebida falsa. Você tem que comprar com a gente, ou você e seus clientes vão começar a ter problemas com a gente'. Os caras nunca chegaram lá, tipo, botando arma na minha cara, fuzil, mas sempre dando a entender que estavam dispostos a tudo”, disse um empresário.
Por Eduardo Tchao, Bom Dia Rio

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!