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© Paulo
Liebert / Estadão Conteúdo Abastecer
com etanol é
desvantajoso em São Paulo
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BRASÍLIA- Em
meio aos protestos de caminhoneiros que paralisaram estradas em todo o País, o
governo anunciou na terça-feira, 22, um acordo com o Congresso para baixar o
preço do óleo diesel. A solução apresentada foi zerar a cobrança da Cide (uma
tarifa que incide sobre os combustíveis) para o óleo diesel, o que deve
provocar uma perda de R$ 2,5 bilhões de receita para o governo. Em troca,
os parlamentares aprovariam o projeto que acaba com a desoneração da folha de
pagamento para alguns setores, o que renderia R$ 3 bilhões para os cofres
públicos.
O problema é
que, mesmo com esse anúncio, os caminhoneiros prometeram continuar as
paralisações. A Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), que coordena
os protestos, diz que a solução apresentada não resolve o problema, já que a
Cide representa apenas 1% dos 27% de peso que os tributos têm no preço do
diesel. “Vai reduzir no máximo uns R$ 0,05 do litro do diesel”, disse a
associação, em nota.
Os protestos foram motivados pelos sucessivos aumentos no preço dos combustíveis, fruto da nova política da Petrobrás de atrelar os valores do mercado interno às cotações internacionais do petróleo. Como a commodity está em alta (saiu de menos de US$ 50 o barril em julho do ano passado para cerca de US$ 80 agora), o diesel, assim como a gasolina, tem subido no mesmo ritmo.
Os protestos foram motivados pelos sucessivos aumentos no preço dos combustíveis, fruto da nova política da Petrobrás de atrelar os valores do mercado interno às cotações internacionais do petróleo. Como a commodity está em alta (saiu de menos de US$ 50 o barril em julho do ano passado para cerca de US$ 80 agora), o diesel, assim como a gasolina, tem subido no mesmo ritmo.
Mas o governo
não tem muita margem para negociar. Mexer na política da Petrobrás seria um
sinal de ingerência política que se vem negando desde que Pedro Parente assumiu
a empresa, e teria efeitos catastróficos para a estatal no mercado. Reduzir
impostos foi o que restou, mas o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, deixou
claro que não há espaço para isso. A troca da Cide pela votação da reoneração
da folha de pagamentos foi a saída encontrada. A informação de que o governo
estudava essa alternativa havia sido antecipada pelo jornalista Marcelo de
Moraes, no site BR18.
O anúncio da
solução, porém, provocou um certo desgaste entre Legislativo e Executivo. À
tarde, os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício
Oliveira (MDB-CE), anunciaram, em vídeo e no Twitter, o acordo feito com o
governo federal. Depois, porém, Guardia disse que ainda não havia definição
sobre a questão da Cide. Só à noite o anúncio oficial foi feito pelo ministro
da Fazenda (ler mais na página B3).
Maia e Oliveira
já haviam anunciado na segunda-feira uma comissão geral conjunta, no dia 30 de
maio, para discutir e mediar soluções para os sucessivos aumentos nos preços da
gasolina, do diesel e do gás de cozinha. Maia é pré-candidato à Presidência da
República e Eunício disputará a reeleição ao Senado. O presidente da Câmara
havia afirmado anteriormente que os recursos da reoneração da folha de
pagamento iriam para a segurança pública, tema de sua campanha.
Pelo acordo
anunciado, a desoneração da folha de pagamento será mantida para alguns
setores, mas será definitivamente extinta em dezembro de 2020. Guardia, porém,
não informou quais setores manterão o benefício por mais dois anos e meio.
Outros
tributos. Para resolver a falta de “estabilidade” que a política de
preços da Petrobrás provoca, o governo federal tenta também negociar com os
governadores mudanças na forma de tributação do ICMS, principal fonte de
arrecadação dos Estados. Segundo uma fonte do governo, Estados poderiam
modificar a forma de tributação do ICMS, que hoje é “ad valorem” (porcentual no
preço) para “ad rem” (valor fixo por volume), como já é feito na cobrança dos
tributos federais.
O coordenador
de secretários estaduais no Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz),
André Horta, disse que os Estados estão abertos ao diálogo, mas ponderou que
não serão mudanças no “tecnicismo” na forma de cobrança que vão resolver o
problema da alta dos preços dos combustíveis.

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