16/05/2018

Comprador do triplex que motivou prisão de Lula diz que fez investimento por 'simbologia' e 'posição privilegiada'


Empresário de Brasília adquiriu imóvel em Guarujá por R$ 2,2 milhões, lance mínimo do leilão. À TV Globo, Fernando Gontijo afirmou que comprou como investidor. Ele nega relação com políticos.
O empresário Fernando Costa Gontijo, que comprou em leilão pelo lance mínimo de R$ 2,2 milhões o triplex em Guarujá (SP) atribuído ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que o imóvel é um “bom investimento” porque tem “uma simbologia” e "posição privilegiada".
Em entrevista por telefone à TV Globo, Fernando Gontijo diz que atua no ramo imobiliário de Brasília há mais de 30 anos e adquire imóveis em leilões judiciais.
Em janeiro, o juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância da Justiça, ordenou a venda do triplex em leilão público. Devido à condenação no caso do triplex, o ex-presidente foi preso no mês passado. Ele é acusado de ter recebido o triplex como propina da construtora OAS para favorecer a empresa em contratos com a Petrobras. Lula nega as acusações e afirma ser inocente.
Fernando Gontijo afirmou que considera o apartamento, na praia das Astúrias, "um bom investimento".
“Eu penso que, após a liberação dos gravames todos, o imóvel poderá ser demonstrado como um bom investimento. Evidentemente, de frente para a praia, numa posição privilegiada, tem uma simbologia. Então, são esses fatores que a gente normalmente analisa para fazer um investimento.”
Na entrevista , Gontijo afirmou que, para o mercado imobiliário, é positivo que se trate de um imóvel conhecido, mas disse que ainda não definiu o que vai fazer com o triplex.
“Por ser um imóvel muito conhecido evidentemente que no momento, eu ainda não defini qual é a estratégia de que nós vamos dar sequencialmente. Vamos aguardar toda a parte jurídica. Somente após esse trâmite judicial que eu vou definir para qual projeto vou destinar esse imóvel”, afirmou.
Para a aquisição do imóvel, Fernando Gontijo comprou uma empresa, a Guarujá Participação. Disse que essa prática é uma praxe no mercado.
“No mercado imobiliário, eu compro, participo de leilões, compro imóveis, vendo imóveis e é uma praxe do mercado, muito comum, a gente utilizar uma empresa, uma sociedade de propósitos especificos. Isso dá flexibilidade nos investimentos imobiliários. Então, por essa razão, que nós fizemos a Guarujá. Foi criada justamente com essa finalidade, para fazer investimento no mercado imobiliário”, declarou.
Por Camila Bomfim, TV Globo, Brasília

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