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Enterprise:
empreendimento gigante ficou praticamente vazio
em Itaboraí
(RJ) devido à paralisação do Comperj
(Foto:
Carlos Brito/G1)
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Segundo
levantamento, desde a paralisação de megaprojeto da Petrobras em 2015, comércio
na cidade do RJ enfraqueceu, e valor dos imóveis caiu quase pela metade –
enquanto a ocorrência de crimes aumenta.
A interrupção
das obras do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj) em
2015 levou a cidade de Itaboraí, na Região Metropolitana, a uma situação de
decadência econômica e de aumento da violência.
A atividade
comercial despencou quase pela metade, e mais de 700 lojas fecharam. O mercado
imobiliário esfriou, e os preços dos imóveis caíram quase 45% nos últimos 3
anos.
Milícias
Esse contexto
permitiu ainda o avanço das milícias no município, que tem cerca de 230 mil
habitantes, segundo o IBGE. A esperança da cidade agora é que a retomada da
construção da Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN) no complexo traga
novo ânimo para a cidade. A previsão da Petrobras é que as obras comecem ainda
no primeiro semestre de 2018.
Em março deste
ano, a Petrobras e a empresa chinesa Shandong Kerui Petroleum assinaram
contrato no valor de aproximadamente R$ 1,95 bilhão. Espera-se que a
obra crie 5 mil postos de trabalho na cidade. Atualmente, o número de desempregados
estimado na região é de 17 mil.
Símbolo da
derrocada pós-corrupção na Petrobras, a construção do Comperj começou a entrar
em colapso em 2014, quando teve início a Operação Lava Jato. Naquele mesmo ano,
o preço do petróleo no mercado internacional caiu do patamar de US$ 100 por
barril para a faixa de US$ 40 por barril. Neste contexto, a Petrobras aumentou
suas dívidas e foi obrigada a reduzir expressivamente os investimentos,
paralisando totalmente as obras em Itaboraí no fim de 2015.
Escalada do
crime
Dados do
Instituto de Segurança Pública (ISP) mostram que, em março de 2017, o Indicador
Estratégico de Letalidade – somatório de homicídios dolosos por intervenção
policial, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte – registrou 10
ocorrências. Em março deste ano, foi quase o triplo: 25 casos.
Roubos de rua,
que incluem as ocorrências de roubo a transeunte, de celular e em coletivo,
aumentaram sete vezes. Em março de 2017, foram 29 casos. No mesmo mês deste
ano, 206.
Os roubos a
estabelecimentos quintuplicaram: foram 21 em março deste ano, contra apenas 4
no mesmo mês de 2017.
Crise no
mercado imobiliário e no comércio
Na Avenida 22
de Maio, a principal da cidade, prédios comerciais enormes, construídos para
receber as empresas ligadas às atividades do Comperj, estão praticamente
vazios.
Um deles é o
Enterprise City Center, um complexo que concentra dois blocos com 156 unidades
residenciais, um shopping com 61 lojas, uma torre de espaços corporativos, duas
torres de escritórios e uma torre de suítes – tudo em um terreno de 15 mil
metros quadrados.
Poucos metros à
frente, do lado oposto da mesma via, está o Hellix Business Center, composto
por duas torres comerciais com 156 salas e um hotel com 108 quartos, além de 57
lojas.
O imóvel é
conhecido na cidade como "o prédio do heliporto" – local onde se
esperava que pousariam e decolariam os helicópteros dos executivos das grandes
empresas que viriam para a cidade atraídas pela operação do Comperj. As
aeronaves, no entanto, nunca chegaram.
As duas
construções imponentes são símbolos da decadência imobiliária nascida do colapso
do Comperj. Com a exceção de algumas lojas, a maioria desses espaços permanece
vazia.
Outro
empreendimento que deveria ser o símbolo de uma era dourada para a cidade, o
Hotel Intercity nunca chegou a funcionar. Tábuas e tapumes fecham os acessos ao
imóvel. Na rua localizada nos fundos, em vez do movimento intenso de hóspedes,
há apenas lama, buracos, mato e abandono.
"Em
2014, a arrecadação de Impostos Sobre Serviços da prefeitura era de R$ 30
milhões anuais. Hoje, não chega a R$ 3 milhões. Além disso, todos esses grandes
empreendimentos imobiliários, como o Enterprise e o Hellix, estão quase que
totalmente vazios. O hotel Intercity jamais abriu. Temos esperança, mas estamos
no limite", afirmou o prefeito Sadionel Souza.
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Dados do
crescimento da violência em Itaboraí (RJ) após suspensão
de obra do Comperj (Foto: Infográfico: Wagner
M. Paula/G1)
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Por todos os
lados as placas de "Vende-se" e "Aluga-se" reforçam o
aspecto de cidade-fantasma percebido em Itaboraí. Segundo o prefeito, existem
pelo menos quatro mil salas comerciais fechadas no município. Levantamento da
Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) feito nos últimos três anos mostra que o
comércio da cidade encolheu mais de 40%.
Investimento
frustrado
Logo após o
anúncio da criação do Comperj, o engenheiro Roberto Martins e uma cooperativa
formada por um grupo de amigos compraram dois terrenos em Itaboraí. O grupo já
investia no ramo imobiliário e também em comércio.
Diante do
grande fluxo de material que seria movimentado pelo complexo, optaram por uma
área mais próxima da rodovia para uso comercial, e outra, no perímetro urbano,
onde pretendiam erguer residências.
No entanto, a
paralisação do complexo e a decadência da cidade congelaram os investimentos.
"Ficamos
com os terrenos, nem chegamos a construir nada. Estamos abertos a propostas
para negociá-los, mas só recebemos ofertas indecorosas de tão baixas. Agora,
aguardamos para ver se as obras serão mesmo retomadas. Claro que não será forte
como no início, mas já vai dar um alento à cidade, que vive uma situação muito
difícil, quase calamitosa", avaliou Martins.
Milícias
Com a economia
do município em declínio, a ação de milicianos na cidade começou sua ascensão.
Grupos criminosos em atividade controlam os transportes alternativos, bem como
a venda de gás e assinaturas ilegais de canais pagos de TV.
Essas
quadrilhas agem em menor proporção no Centro e de forma mais ostensiva em
bairros periféricos, como Reta Nova, Reta Velha e São Joaquim. Além do controle
de atividades econômicas, essas milícias também funcionam como grupos
organizados de extermínio.
A titular da
Divisão de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo, delegada Bárbara
Lomba, confirmou a presença de milicianos em atividade na cidade, mas não
entrou em detalhes.
"Chegamos
nesses grupos por meio de homicídios cometidos por seus integrantes. Há
investigações em andamento sobre cada um deles", afirmou.
Por Carlos Brito e Daniel Silveira, G1 Rio


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