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© REUTERS Vista
da praça de São Pedro no Vaticano,
durante uma missa em 2012.
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A Santa Sé
prendeu um diplomata de alto escalão e ex-funcionário na nunciatura de Washington acusado
de possuir e distribuir pornografia infantil. O monsenhor Carlo Alberto Capella
foi acusado pelo Canadá de ter descarregado tais conteúdos durante uma estadia
no país em dezembro de 2016. O monsenhor, diplomata de alto escalão, ex-oficial
da Seção para as Relações com os Estados da Secretaria de Estado, estava
no Vaticano, no Colégio dos Penitentes, em restrição e esperando o
julgamento. Agora, entretanto, está em uma cela do quartel da Polícia do
Vaticano à disposição judicial. O que indicaria que foram reunidas mais provas
contra ele.
A nota do
Vaticano, como sempre, é sucinta. “O procedimento foi realizado por membros da
Polícia do Vaticano. O acusado está preso em uma cela do quartel do corpo da
Polícia, à disposição da autoridade judicial”, diz. O comunicado também informa
que a prisão ocorreu após uma investigação realizada pelo promotor de justiça e
que “o juiz de instrução tomou a decisão baseado nos parágrafos 3 e 5 do artigo
10, da lei VIII de 2013”.
O parágrafo 3
desse artigo, como explicou a agência Efe em uma nota, estabelece que a pessoa
que “distribuir, divulgar, transmitir, importar, exportar, oferecer, vender ou
guardar” material com conteúdo “de pornografia infantil”, e “distribuir ou
divulgar notícias e informação com finalidade de exploração sexual de menores”
será punida “com prisão de um a cinco anos” e uma multa de 2.500 a 50.000 euros
(10.345 a 206.885 reais). Por sua vez, o ponto 5 diz que a pena pode ser
superior se o material “for em grande quantidade”.
O caso chega em
um momento em que ficam mais fortes as críticas ao Vaticano por não levar a
eficácia à luta contra a pedofilia aos padrões de “tolerância zero”
que o papa Francisco prometeu em sua chegada, há cinco anos.
Especialmente depois da tempestade desatada após as supostas negligências no
tratamento dos casos de abusos a menores no Chile e a proteção jurídica que,
várias vezes, os religiosos acusados receberam.
Os EUA, de
acordo com a AP, pediram para que o religioso perca sua imunidade diplomática
para que possa ser processado, mas a Santa Sé (que não tem tratados de
extradição com nenhum país), segundo a mesma fonte, preferiu trazê-lo de volta
para julgá-lo. As autoridades canadenses, de acordo com o Vaticano, não
emitiram uma ordem de prisão para Capella. De maneira que, como aconteceu
outras vezes, e tendo imunidade diplomática, o funcionário será julgado na
Santa Sé apesar de ter cometido seu crime em solo estrangeiro.

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