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Integrantes
do MTST deixaram o Edifício Solaris após ocuparem
triplex
atribuído a Lula em Guarujá, SP (Foto: Paulo Whitaker/Reuters)
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Líderes dos
movimentos que invadiam o Condomínio Solaris e ocuparam apartamento já foram
intimados a prestar esclarecimentos sobre o ocorrido à Polícia Federal.
A Polícia
Federal vai utilizar um sistema de reconhecimento facial para identificar todas
as pessoas que aparecem em fotos
e vídeos durante a ocupação do apartamento triplex atribuído ao
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Guarujá, no litoral de São Paulo.
Líderes dos movimentos envolvidos no ato já foram intimados a depor.
Aproximadamente
50 integrantes do Movimento
dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e da Frente Povo Sem Medo ocuparam
o imóvel após invadirem o edifício, localizado na Praia das Astúrias,
na segunda-feira (16). Eles permaneceram
no apartamento por cerca de quatro horase o deixaram após negociação
com policiais militares.
A delegada
Luciana Fuschini, da Polícia Federal em Santos, abriu
inquérito no mesmo dia por "esbulho possessório", quando
há uma invasão violenta feita por um grupo a um bem. O caso é atribuição do
órgão, pois o triplex
foi confiscado pela Justiça durante as investigações da Operação Lava Jato, e
vai a leilão.
Triplex
atribuído a Lula foi invadido por integrantes do MTST em Guarujá, SP
Nesta
quarta-feira (18), a delegada enviou todas as imagens captadas por moradores,
testemunhas e pelo sistema de monitoramento do condomínio para Brasília. Na
unidade central da Polícia Federal, o material será submetido a exame
prosopográfico para identificação digital dos envolvidos, por meio da análise
da face.
"Também já
intimamos algumas pessoas que já foram identificadas, inclusive pela imprensa,
para prestar esclarecimentos", afirmou a delegada, sem citar nomes.
Tratam-se dos líderes dos movimentos, que incitaram os participantes a estourar
o portão da garagem, subir à cobertura do prédio e arrombar a porta do triplex.
Na
segunda-feira, Luciana ouviu cinco moradores e o segurança do edifício. Além da
invasão, constatou-se que houve tumulto e baderna, e que os condôminos foram
hostilizados e ridicularizados pelos manifestantes. Peritos avaliam os danos
ocasionados pelo grupo durante a manifestação, que não resultou em presos.
Na mesma
ocasião, os advogados dos dois movimentos se apresentaram na Delegacia da PF em
Santos, mas não indicaram os nomes dos envolvidos no ato, forçando os policiais
federais a identificarem cada pessoa que aparece nas imagens. A expectativa
pelo exame digital no Distrito Federal é agilizar esse trabalho inicial.
Pânico e
gritaria
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Triplex
atribuído a Lula em Guarujá foi invadido por 50 militantes
do MTST e do
Povo Sem Medo (Foto: Solange Freitas/G1)
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Moradores
do condomínio relataram medo e pânico durante a invasão de
militantes ao imóvel. "O barulho era muito grande, havia uma algazarra. A
gente realmente estranha, pois eles querem respeito, mas não respeitam a
gente", comentou o morador da cobertura ao lado, o médico Mauricy Magário,
de 58 anos.
"Eles
chegaram a veicular, em voz alta, que iriam invadir todos os outros
apartamentos. Todos ficamos assustados. A gente ficou bastante tenso. Eles
pediam guerra, pediam luta. 'Vamos à luta'. Mas que espécie de luta é
essa?", questionou Magário. Um dos integrantes, mais tarde, garantiu a ele
que não haveria briga.
O aeronauta
aposentado José Ramon Rodrigues, de 67 anos, que mora em outro apartamento no
condomínio, disse ter ficado apreensivo. "Quando eu cheguei, já estava a
ocupação feita. Minha mulher que avisou o que estava acontecendo. Pelo o que eu
entendi, eles queriam fazer uma demonstração relâmpago", contou.
Invasão
Os
manifestantes chegaram ao edifício por volta das 8h30 de segunda-feira.
"Se o triplex é do Lula, podemos permanecer. Se não é, por que ele está
preso?", argumentou o integrante do MTST, Josué Rocha. De acordo com ele,
mais de 50 pessoas foram ao triplex, e outros 100 manifestantes ficaram na rua.
O grupo
estendeu faixas com as mensagens "Povo Sem Medo", "Se é do Lula,
é nosso" e "Se não é, por que prendeu?", na sacada do
apartamento. "Queremos provocar essa discussão. Eles não têm provas de que
o triplex é do Lula, não há nenhuma prova da propriedade, a condenação é uma
farsa", disse.
O pré-candidato
à Presidência da República pelo PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) e
coordenador nacional do MTST, Guilherme Boulos, também participou desde cedo da
manifestação. Ele
anunciou o lançamento da pré-candidatura no dia 10 de março, em São
Paulo, com a vice da chapa, a ativista Sônia Guajajara.
Triplex
A invasão
aconteceu nove dias após Lula
se entregar para à Polícia Federal. Ele foi preso, após permanecer por
dois dias na sede do Sindicato dos Metalúrgicos em São Bernardo do Campo (SP).
Foi justamente o caso triplex que ocasionou a condenação do ex-presidente por
corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Lula
foi condenado pelo juiz Sérgio Moro após o magistrado entender que
a construtora OAS pagou R$ 2,2 milhões em propina a ele por meio da entrega e a
reforma do apartamento, em Guarujá. Desembargadores
do Tribunal Regional Federal da 4ª Região aumentaram a pena dele
para 12 anos e um mês de prisão.
A
Justiça em São Paulo ainda decidiu bloquear o apartamento triplex, alvo
de investigação pela Operação Lava Jato. O leilão, conforme previsão inicial,
será realizado nos dias 15
e 22 de maio e os lances podem ser feitos pela internet até estas datas.
O valor inicial dos lances também é de R$ 2,2 milhões.
Por José Claudio Pimentel, G1 Santos


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