10/04/2018

Pelo menos 80 deputados trocam de legenda durante a janela partidária


O plenário da Câmara dos Deputados
 (Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados)
Levantamento do G1 mostra que, pelo menos, 80 deputados federais aproveitaram o período conhecido como janela partidária para mudar de partido (veja a lista ao final da reportagem).
O levantamento não leva em consideração detentores de mandato que estão fora do exercício parlamentar, ou seja, não estão na entre os 513 parlamentares que, atualmente, compõem a Câmara.
A janela partidária é um período de 30 dias, previsto em lei, em que deputados federais e estaduais podem mudar de partido sem a possibilidade de perder o mandato por infidelidade partidária.
O prazo terminou na última sexta-feira (6), mas os partidos têm até a sexta (13) desta semana para comunicar os novos filiados à Justiça Eleitoral.
A lista com todos os filiados em cada partido deverá ser divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no dia 18 deste mês. A filiação partidária é um dos requisitos para o registro de candidatura para a eleição.
Enquanto isso, a Câmara dos Deputados mantém um balanço parcial das mudanças informadas diretamente à casa legislativa.
Ao trocar de sigla, os parlamentares e partidos miram as eleições de 2018. Mas, além das questões eleitorais, as mudanças alteram o tamanho das bancadas com representação na Câmara, provocando efeitos já nos trabalhos da Casa.
Nas discussões e votações, o tamanho da bancada é o critério, por exemplo, para o tempo de discurso dos líderes, para a apresentação de destaques e de requerimentos de urgência.
Nas comissões, o tamanho das bancadas é critério para a composição dos colegiados. Por isso, a expectativa é de que, depois de terminada a janela, seja aprovada uma resolução reorganizando o espaço dos partidos nas comissões de acordo com o número de deputados que cada um tem na Casa.
Entre outros motivos para as mudanças partidárias, estão recursos para campanhas eleitorais e afinidade programática.
Além disso, as disputas locais mobilizaram os deputados, que, em alguns casos, trataram a questão de forma pragmática e negociaram a sua ida de acordo com as alianças no estados.
Perdas e ganhos
Segundo o levantamento, o MDB foi o partido que mais perdeu deputados durante o período. Foram, pelo menos, 16 perdas no partido do presidente da República Michel Temer.
O PSB, que recentemente contou com a filiação do ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa, soma, ao menos, 10 perdas.
O Solidariedade, com pelo menos 6 perdas, completa o ranking dos que mais tiveram debandada de parlamentares.
Por outro lado, o DEM, partido a que é filiado o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, foi reforçado por 14 deputados. PSL (8), partido para o qual migrou o pré-candidato ao Planalto Jair Bolsonaro (RJ), e PR (7) ocupam, respectivamente, a segunda e a terceira posição na lista dos que mais ganharam.
Questões locais
Waldir Maranhão (MA), que estava no Avante, confirmou a sua ida ao PSDB. Ele disse que tentou negociar com o PT, mas que o partido não o quis. Acabou, então fechando com os tucanos.
Questionado sobre por que articulou com dois partidos que estão em posições opostas do espectro político, o parlamentar disse que levou em conta o que será melhor para o seu estado e que irá apoiar o pré-candidato tucano ao governo estadual.
“O PT do Maranhão não me quis. Agora, não é hora de olhar para o para-brisa. Estou pensando no meu Maranhão. E vou fechar com o [senador] Roberto Rocha [pré-candidato ao governo estadual]”, afirmou o deputado.
Disputas locais também foram o que levaram Aníbal Gomes, do Ceará, para o DEM. “A legenda do DEM aqui está bem apetitosa. Nada contra o meu partido [MDB], mas é uma questão de coligação”, disse.
Ele informou que o DEM irá apoiar o PDT. Ele garantiu que, no seu caso, a questão dos recursos para a campanha não foi levada em conta. “Nem sei quanto é que o DEM vai poder passar”, afirmou.
Bancadas
Ainda não é possível dizer quais partidos ficaram com as maiores bancadas na Câmara após o período da janela partidária. Isso porque:
  1. O atual número de deputados em cada partido, disponível no site da Câmara, considera somente as trocas comunicadas até o momento para a Secretaria-Geral da Casa (ou seja, outras mais ainda serão informadas oficialmente);
  2. o levantamento do G1 não considera secretários e ministros que vão reassumir o mandato;
  3. a lista de trocas da Secretaria Geral inclui quem está licenciado do mandato, ou seja, não é considerado para efeito de tamanho de bancada.
Legislação
A legislação eleitoral determina que os parlamentares só podem mudar de legenda nas seguintes situações:
  • Incorporação ou fusão do partido;
  • criação de novo partido;
  • desvio no programa partidário;
  • grave discriminação pessoal.
Mudanças de legenda sem essas justificativas podem levar à perda do mandato. A reforma Eleitoral de 2015 incluiu nas normas eleitorais a janela partidária – período de 30 dias que antecedem o último dia de prazo para a filiação partidária – a seis meses da eleição.
DEPUTADOS QUE TROCARAM DE PARTIDO NA JANELA

DEPUTADO
SAIU DE
FOI PARA
Adail Carneiro (CE)
PP
Podemos
Adilton Sachetti (MT)
sem partido
PRB
Alexandre Serfiotis (RJ)
MDB
sem partido
Alfredo Kaefer (PR)
PSL
PP
Altineu Côrtes (PR)
MDB
PR
André Amaral (PB)
MDB
PROS
Aníbal Gomes (CE)
MDB
DEM
Arnaldo Faria de Sá (SP)
PTB
PP
Arolde de Oliveira (RJ)
PSC
PSD
Arthur Oliveira Maia (BA)
PPS
DEM
Benjamin Gomes (PB)
SD
MDB
Beto Mansur (SP)
PRB
MDB
Bilac Pinto (MG)
PR
DEM
Bonifácio de Andrada (MG)
PSDB
DEM
Cabo Daciolo (RJ)
Avante
PEN/Patriotas
Cabo Sabino (CE)
PR
Avante
Carlos Henrique Gaguim (TO)
Podemos
DEM
Carlos Manato (ES)
SD
PSL
Celso Pansera (RJ)
MDB
PT
Chico D'Angelo
PT
PDT
Cícero Almeida (AL)
Podemos
PHS
Clarissa Garotinho (RJ)
PRB
PROS
Conceição Sampaio (AM)
PP
PSDB
Dâmina Pereira (MG)
PSL
Podemos
Daniel Coelho (PE)
PSDB
PPS
Danilo Forte (CE)
DEM
PSDB
Delegado Francischini (PR)
SD
PSL
Delegado Waldir (GO)
PR
PSL
Diego Garcia (PR)
PHS
Podemos
Dr. Jorge Silva (ES)
PHS
SD
Eduardo Bolsonaro (SP)
PSC
PSL
Elizeu Dionizio (MS)
PSDB
PSB
Evair de Melo (ES)
PV
PP
Fernando Coelho Filho (PE)
PSB
DEM
Flavinho (SP)
PSB
PSC
George Hilton (MG)
PSB
PSC
Givaldo Carimbão (AL)
PHS
Avante
Givaldo Vieira (ES)
PT
PCdoB
Heráclito Fortes (PI)
PSB
DEM
Herculano Passos (SP)
PSD
MDB
Hugo Leal (RJ)
PSB
PSD
Hugo Motta (PB)
MDB
PRB
Jaime Martins (PB)
PSD
PROS
Jair Bolsonaro (RJ)
PSC
PSL
Jefferson Campos (SP)
PSD
PSB
João Fernando Coutinho (PE)
PSB
PROS
João Paulo Kleinubing (SC)
PSD
DEM
José Reinaldo (MA)
sem partido
PSDB
Josi Nunes (TO)
MDB
PROS
Junji Abé (SP)
PSD
MDB
Laércio Oliveira (SE)
SD
PP
Laudívio Carvalho (MG)
SD
Podemos
Laura Carneiro (RJ)
MDB
DEM
Lincoln Portela (MG)
PRB
PR
Luana Costa (MA)
PSB
PSC
Luiz Carlos Ramos (RJ)
Podemos
PR
Major Olimpio (SP)
SD
PSL
Marcelo Álvaro Antonio (MG)
PR
PSL
Marcelo Matos (RJ)
PHS
PSD
Maria Helena (RR)
PSB
MDB
Marinaldo Rosendo (PE)
PSB
PP
Misael Varella (MG)
DEM
PSD
Osmar Serraglio
MDB
PP
Pastor Eurico (PE)
PHS
PEN/Patriotas
Pastor Marco Feliciano (SP)
PSC
Podemos
Pedro Paulo (RJ)
MDB
DEM
Professor Victório Galli (MT)
PSC
PSL
Roberto de Lucena (SP)
PV
Podemos
Roberto Sales (RJ)
PRB
DEM
Rodrigo Pacheco (MG)
MDB
DEM
Ronaldo Fonseca (DF)
PROS
Podemos
Sergio Zveiter (RJ)
Podemos
DEM
Soraya Santos (RJ)
MDB
PR
Tenente Lúcio (MG)
PSB
PR
Uldurico Junior
PV
PPL
Veneziano Vital do Rêgo (PB)
MDB
PSB
Vicente Arruda (CE)
PDT
PR
Vitor Valim (CE)
MDB
PROS
Waldir Maranhão (MA)
Avante
PSDB
Zenaide Maia (RN)
PR
PHS
Fonte: Câmara, partidos e deputados
Por Fernanda Calgaro, Alessandra Modzeleski,
 Fernanda Vivas e Gustavo Garcia, G1 e TV Globo, Brasília

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