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Secretário
David Anthony, da Seap reunido com agentes
penitenciários (Foto: Divulgação/Sindicato dos
Agentes
Penitenciários)
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Das 14
terceirizadas que não disputaram concorrência, pelo menos 8 são investigadas no
RJ e em diferentes estados do país por irregularidades na prestação do serviço.
Pasta alega contratação emergencial.
A Secretaria
Estadual de Administração Penitenciária (Seap) contratou em março, sem
licitação, 14 empresas para fornecer alimentação aos presídios do Rio de
Janeiro. Dentre essas terceirizadas, pelo menos, 8 são investigadas em
diferentes ações pelo país. Três delas na Lava Jato no RJ. O valor total dos
contratos é de pouco mais de R$ 166 milhões.
A informação
foi publicada no Diário Oficial do Estado, em 20 de março, e acontece em meio à
Intervenção na área de Segurança do RJ e no momento em que a pasta passa por
uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE) acompanhada pelo Ministério
Público estadual.
Os novos
contratos de comida para os presos substitui os acordos firmados em dezembro de
2017 pelo então secretário da Seap, Erir Ribeiro. Na
ocasião, 13 empresas foram escolhidas, também sem licitação, com valores de
cerca de R$ 192,2 milhões. Apesar de registrar uma redução de
valores, a similaridade entre os fornecedores das duas gestões está na escolha
de participantes investigados pela Lava Jato ou alvo de operações policiais em
diferentes estados do país.
Em nota, a Seap
esclareceu que a "contratação emergencial de prestação de serviço
preparada por dispensa de licitação trata-se de um procedimento legal previsto
no artigo nº 24 Inciso IV da Lei nº 8.666/93. Este tipo de contratação não é
habitual, sendo permitida em casos emergenciais quando tratar-se de serviço
essencial e contínuo". (Leia a nota completa no fim da
reportagem).
Entre os
fornecedores beneficiados está a empresa Cor e Sabor Distribuidora de Alimentos
Ltda. O contrato é de R$ 9,4 milhões, valor semelhante ao firmado,
anteriormente, com a antiga gestão da Seap. A Cor e Sabor é dirigida por Luiz
Roberto de Menezes, irmão de Arthur César de Menezes, conhecido como Rei
Arthur. Luiz Roberto foi chamado a prestar depoimento na Polícia Federal para
explicar um suposto esquema de fraude no fornecimento de quentinhas a presos.
A sua empresa
foi citada na delação do ex-conselheiro do TCE-RJ Jonas Lopes de Carvalho de
integrar um grupo que praticaria fraudes nas licitações do sistema
penitenciário. Até junho de 2017, a
Cor e Sabor figurava numa lista de empresas que mantinham contratos e
pagamentos em dia com o governo do RJ.
Outra que está
na relação de contratadas sem licitação é a Masgovi Indústria Comércio e
Serviços. No atual contrato, a Masgovi ficou com um lote equivalente que irá
render R$ 25,7 milhões para fornecimento de café da manhã, lanches noturnos e
kit lanche. Em dezembro, os acordos giravam em cerca de R$ 44,2 milhões. Em
março de 2017, a Polícia Federal fez buscas na sede da Masgovi em uma operação
da Lava Jato no Rio de Janeiro.
Ainda está na
relação para cuidar da alimentação dos detentos, a empresa Comissaria Aérea. A
terceirizada receberá R$ 12,8 milhões. A empresa foi investigada por ter
integrado junto com a Masan, o Consórcio Alimentar. Entre
os sócios da Masan está Marco Antônio de Luca, que já foi preso pela Lava Jato
no Rio acusado de corrupção e organização criminosa.
De Luca é
suspeito de pagar propina ao ex-governador Sérgio Cabral para ser favorecido no
fornecimento de merenda para escolas e "quentinhas" para presídios do
estado.
Veja a nota
da Seap
"A atual
administração da Seap assumiu no final de janeiro, exatamente em face da crise
no sistema penitenciário, com o objetivo de buscar soluções e dando um choque
de gestão administrativa.
Desde então, a
Subsecretaria de Infraestrutura vem analisando as situações de exceções que
foram feitas no ano passado, face à necessidade prevista no orçamento. Sem a
previsão orçamentária, não é possível haver a licitação. O lanche é oferecido
de manhã e de tarde, somando mais de 100 mil por dia.
A Seap informa
ainda que a equipe técnica está trabalhando para a realização de novas licitações.
Além disso, ficou estabelecido o protocolo de auditoria e investigação dos
contratos findos e dos contratados em curso junto ao Tribunal de Contas do
Estado (TCE), com apoio da inteligência do Ministério Público. Está sendo feita
uma varredura em todos os contratos e licitações.
A Seap
esclarece que a contratação emergencial de prestação de serviço preparada por
dispensa de licitação trata-se de um procedimento legal previsto no artigo nº
24 Inciso IV da Lei nº 8.666/93. Este tipo de contratação não é habitual, sendo
permitida em casos emergenciais quando tratar-se de serviço essencial e
contínuo".
Por Marco Antônio Martins, G1 Rio

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