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© Fournis
par RFI
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O jornal
francês Le Monde que chegou às bancas na tarde desta
segunda-feira (9) traz um perfil do pré-candidato à presidência do Brasil, Jair
Bolsonaro. O vespertino explica que o deputado quer aproveitar a prisão de Lula
para avançar na campanha eleitoral.
Em reportagem
de meia página a correspondente do jornal no Brasil conta como Bolsonaro
celebrou a detenção de Luiz Inácio Lula da Silva. “Não se trata de uma
derrota de Lula, e sim de uma vitória da Justiça”, festejou o deputado, citado
o vespertino.
O jornal, que
fala de Bolsonaro como a “Marine Le Pen do Brasil”, em alusão à líder da
extrema-direita francesa, diz que o militar já se vê como favorito na corrida
presidencial. Afinal, explica Le Monde, “segundo uma pesquisa de
intenção de voto divulgada após a condenação de Lula, Bolsonaro reunia 18% dos
votos, atrás do petista. E na hipótese do ex-presidente ficar fora do páreo,
ele passaria para o primeiro lugar”.
Segundo o
jornal francês, Bolsonaro quer aproveitar da descrença atual da população na
classe política. “Os escândalos de corrupção envolvendo o PT, o mensalão em
2005 e a operação Lava Jato em 2014, permitiram ao parlamentar atrair para si,
progressivamente, os eleitores exasperados”, analisa o jornal. “Principalmente
a burguesia e os jovens que defendem o ultraliberalismo econômico e o rigor
moral”, continua.
O texto
traça um perfil do deputado, apresentado como um “machista” e “homofóbico”,
“favorável à pena de morte e ao porte de armas”. A reportagem explica como
ele se tornou conhecido por suas declarações polêmicas e por sua estratégia
oportunista. Le Monderelembra a homenagem que Bolsonaro fez ao
torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra, no dia do voto do impeachment da
ex-presidente Dilma Rousseff, conta que ele se tornou evangélico – e filmou o
ritual de batismo –, em um momento em que essas igrejas estão em pleno
crescimento, ou ainda como abandonou suas posições de tendência militar e
nacionalista para adotar um tom bem mais liberal. “Trump tropical, ele se
tornou aceitável para os meios financeiros”, analisa a reportagem.
Essa capacidade
de atrair diferentes eleitores é ressaltada pelo texto. Ouvido pelo jornal
francês, o cientista político Rudá Ricci resume: “Bolsonaro seduz os
agricultores do Sul, os jovens de São Paulo, e os membros das gangues do Rio de
Janeiro, com uma extrema-direita que não é estruturada, mas que tem chances
reais de ser eleita”.

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