Declaração
foi lançada ao final da Cúpula das Américas.
O Grupo de
Lima, do qual o Brasil e outros 13 países fazem parte, e os Estados Unidos
lançaram neste sábado (14), ao final da Cúpula das Américas, uma declaração
conjunta em que pedem garantias para que as próximas eleições presidenciais na
Venezuela, no dia 20 de maio, sejam transparentes e democráticas e advertem o
governo do presidente Nicolás Maduro de que não serão legítimas caso não
incluam a oposição.
Os países
que assinam a declaração exigem "eleições presidenciais com as garantias
necessárias para um processo livre, justo, transparente e democrático, sem
presos políticos, que inclua a participação de todos os atores políticos
venezuelanos, e ratificam que eleições que não cumpram com essas condições não
terão legitimidade e credibilidade".
O documento
também exorta organismos multilaterais, como a OEA e a ONU, a "implementar
de maneira imediata um programa de assistência humanitária para aliviar a situação
de sofrimento e escassez que sofre o povo da Venezuela".
Nesse sentindo,
o grupo pede ao governo venezuelano "para que permita o ingresso e a
distribuição de ajuda humanitária que mitigue os graves efeitos do
desasbastecimento, especialmente de alimentos e medicamentos".
Na declaração,
os países ainda exigem da comunidade internacional apoio aos países da região
em seu esforço para restabelecer a democracia na Venezuela. "Fazem nesse
sentido um chamamento aos países que já adotaram medidas a ampliá-las e
fortalecê-las", diz a nota.
O documento
inclui também: a determinação de continuar promovendo o restabelecimento da
democracia, o respeito aos direitos humanos e a plena vigência do Estado de
Direito; a reiteração do apoio à Assembleia Nacional, cujos poderes
legislativos foram assumidos pela Assembleia Constituinte em
agosto do ano passado; e a preocupação com o crescente êxodo de venezuelanos.
EUA se unem
ao Grupo de Lima
De acordo com a
agência Reuters, essa é a primeira vez em que os EUA se unem na pressão sobre o
governo de Maduro ao Grupo de Lima, formado por 14 países das Américas
(Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Guiana,
Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru e Santa Lucia).
Além do
vice-presidente americano Mike Pence e dos chefes de Estados dos 14 países
originários do Grupo de Lima, o governo das Bahamas também assina o documento.
Durante os últimas dias, o governo do Peru negociou para tentar obter apoio de
outros países.
Eleições na
Venezuela
As eleições
presidenciais da Venezuela foram convocadas de forma antecipada, depois que as
negociações entre o governo de Maduro e a oposição para acordar uma data e
garantias eleitorais fracassaram.
Os dois maiores
rivais de oposição de Maduro estão impedidos de concorrer ao cargo: Leopoldo
Lopez está em prisão domiciliar e Henrique Capriles está impedido de se
candidatar à presidência por conta de acusações de má conduta de quando era
governador.
A Mesa da
Unidade Democrática (MUD), coalizão que reúne os principais partidos que são
adversários do presidente, decidiu não apresentar candidatos às
eleições que chamam de "fraudulentas e ilegítimas", alegando que não
há condições de imparcialidade.
Na contramão da
MUD, o dissidente chavista e líder opositor e Henri Falcón se candidatou para
concorrer com o presidente Maduro. Alguns adversários de Maduro consideram
Falcón um elemento que busca ajudar o atual presidente venezuelano a legitimar
um pleito fraudado.
Mike Pence:
'simulação'
O
vice-presidente americano Mike Pence, que está em Lima para a Cúpula das Américas,
afirmou neste sábado que Maduro impede a ajuda humanitária na Venezuela.
"Uma
simulação de uma eleição está se aproximando nas próximas semanas, mas como os
líderes da oposição deixaram claro, o mundo não se ilude, os líderes da região
não se iludem", disse.
"A
democracia venezuelana ruiu e uma ditadura nasceu, e Maduro é um líder que não
permite ajuda humanitária em seu próprio país, onde pessoas estão morrendo, é
inconcebível", acrescentou.
Pence anuciou
nesta sexta que Washington doará US$ 16 milhões para ajudar
venezuelanos que fugiram da crise econômica do país, dos quais parte irá para
grupos de acolhimento na Colômbia e no Brasil.
Sem um consenso
sobre a crise venezuelana, a Cúpula das Américas optou por não tentar uma
declaração final sobre o tema, lançando apenas um compromisso sobre corrupção.
Por G1

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