3/15/2018

Cidades do interior do Rio enfrentam epidemias e surtos de conjuntivite; Petrópolis tem mais de 7 mil casos este ano

Secretaria de Saúde de Macaé informou que houve um aumento
 crescente do número de casos na cidade nos últimos 20 dias
 (Foto: Divulgação/Prefeitura de Macaé)

Secretarias de Saúde confirmam epidemias em Petrópolis e Nova Friburgo, na Região Serrana, e surtos em Campos e Macaé, no Norte Fluminense.
Parte das cidades mais populosas do interior do Estado do Rio de Janeiro estão enfrentando epidemias e surtos de conjuntivite nestes primeiros meses de 2018. As secretarias municipais de Saúde confirmam epidemias em Petrópolis e Nova Friburgo, na Região Serrana, e surtos em Campos dos Goytacazes e Macaé, no Norte Fluminense.
Segundo a Secretaria de Estado de Saúde, a doença não é de notificação obrigatória pelos municípios. O Ministério da Saúde classifica como surto o aumento repentino do número de casos, dentro de limites geográficos restritos. Já a epidemia é o aumento da doença, acima do esperado pelas autoridades, não delimitado a uma região.
Em Petrópolis, cidade mais afetada, 7.175 pessoas já tiveram a doença. O Hospital Estadual de Campanha (HCAMP) foi montado ao lado da UPA do Centro para iniciar atendimento nesta quarta-feira (14). A unidade é uma tenda com mais de 100 metros quadrados.
Segundo a Prefeitura, a estrutura foi montada com o apoio do 15º Grupamento do Corpo de Bombeiros. A equipe é formada por um médico destacado pelo Consórcio Saúde Legal, dois enfermeiros e dois técnicos de enfermagem.
Só em março, até esta terça, foram atendidos 4.049 pacientes com a inflamação em toda a rede de Saúde do município. O número é quase o dobro de todo o mês de fevereiro, quando foram registrados 2.388 casos da doença.
O secretário de Saúde, Silmar Fortes, reforça que uma vez diagnosticado com a doença, o paciente precisa manter os itens pessoais e de higiene separados dos demais familiares.
“É muito comum ter a contaminação de famílias inteiras com conjuntivite, pois é uma doença transmitida pelo contato. Então é importante que as pessoas não compartilhem toalhas, fronhas e objetos de uso pessoal e busquem atendimento médico logo no início dos sintomas. Quanto mais rápido for iniciado o tratamento mais cedo a pessoa estará curada”, afirma Silmar Fortes.
Nova Friburgo
Ainda na Região Serrana, a Prefeitura de Nova Friburgo divulgou que, somente na UPA do município, foram atendidos e registrados do dia 01 de março até esta quarta-feira (14), 338 casos de conjuntivite e que as evidências apontam que o município enfrenta sim uma epidemia da doença.
Campos
Na maior cidade do interior, Campos dos Goytacazes, o setor de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde confirmou o surto de conjuntivite, caracterizado pela alteração do número de casos no cenário epidemiológico normal do município, registrado em um determinado período de tempo.
De acordo com a secretaria, em janeiro e fevereiro deste ano, foram realizados 13 atendimentos a pacientes com conjuntivite no Hospital Geral de Guarus (HGG) e 54 atendimentos no Hospital Ferreira Machado (HFM), totalizando 67 atendimentos nas unidades de emergências dos dois hospitais municipais da cidade.
No mesmo período de 2017, foram 28 atendimentos no HGG e 11 no HFM, totalizando 39 registros de pacientes com conjuntivite, um aumento de 60%.
Macaé
A Secretaria de Saúde de Macaé informou que houve um aumento crescente do número de casos na cidade nos últimos 20 dias. De acordo com o coordenador de Oftalmologia, Flávio Cesário, o município está com a média de 150 atendimentos diários, considerados como surto. A expectativa é que, nas próximas semanas, o pico da doença diminua, já que o ciclo tem duração de 30 a 40 dias.
As unidades que realizam o atendimento para quem suspeita da doença em Macaé são: Hospital Público Municipal (HPM), Unidades de Pronto Atendimento (UPA) Barra e Lagomar, Pronto Socorro Municipal, em Imbetiba, Pronto Socorro do Aeroporto e Hospital Público Municipal da Serra (HPMS), em Trapiche.
Sobre a doença
A inflamação atinge a membrana que recobre os olhos (conjuntiva) e causa um quadro de grande incômodo para os pacientes e exige tratamento imediato. Nos quadros leves é utilizado apenas um colírio com tratamento de até três dias, casos mais graves podem ser necessários o uso de anti-inflamatório, colírio e maior tempo de tratamento.
A médica da UPA Cascatinha, Néli Barbosa Martins, reforça que é importante as pessoas estarem sempre atentas aos sintomas iniciais que são os olhos vermelhos, secreção, lacrimejamento, pálpebras inchadas e sensação de areia nos olhos.
Dicas de prevenção:
  • Não use maquiagem de outras pessoas e nem empreste as suas
  • Evite compartilhar toalhas de rosto
  • Lave as mãos com frequência e não as coloque nos olhos sem higienização
  • Use óculos de mergulho para nadar, ou óculos de proteção se você trabalha com produtos químicos
  • Não use medicamentos (pomadas, colírios) sem prescrição (ou que foram indicados para outra pessoa)
  • Evite nadar em piscinas sem cloro ou em lagos
Por Amaro Mota, G1, Região Serrana

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