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| A Polícia Federal descobriu que ele participou do plano de fuga de um chefe do tráfico. |
Breno Borges,
filho da juíza, foi preso com 130 kg de maconha e balas de fuzil.
Diretor de
presídio, que soltou Breno Borges, preso com 130 quilos de maconha e munições
de fuzil, diz ter sido ameaçado por Tânia Borges.
Penitenciária
de Três Lagoas, Mato Grosso do Sul, 21 de julho de 2017. A desembargadora Tânia
Borges, acompanhada de policiais, vai buscar o filho, Breno Borges, que estava
preso. Ela tem, em mão, uma decisão judicial que permite transferi-lo para uma
clínica psiquiátrica. O Fantástico mostrou essas imagens, na época. Agora,
as investigações revelam detalhes daquele dia que as câmeras do presídio não
registraram.
Breno Borges
foi preso em março de 2017, transportando 130 quilos de maconha e munições de
fuzil. Quatro meses depois, em julho, liminares de dois desembargadores e
colegas de Tânia no Tribunal de Justiça determinaram que Breno deveria ir para
uma clínica psiquiátrica. A defesa alegava que ele tinha problemas de saúde. Só
que Breno também tinha outro mandado de prisão.
A Polícia
Federal descobriu que ele participou do plano de fuga de um chefe do tráfico. O
próprio juiz de Execuções Penais de Três
Lagoas disse que esse mandado de transferência não mencionava o
outro processo. Só que, mesmo assim, com um mandado de prisão em aberto, Breno
pôde sair e ie embora.
No dia 21 de
julho, o diretor da penintenciária, Raul Ramalho, entrou em contato com o juiz
Rodrigo Pedrini para avisar que estava sendo pressionado. O juiz Rodrigo
Pedrini respondeu que Breno não deveria ser solto. Não deu tempo; enquanto
falava com o juiz, o diretor da prisão consultou a chefia imediata, na direção
da Agepen (Agência de Administração Penitenciária do estado).
O chefe de
gabinete, Pedro Carrilho, enviou, então, o seguinte ofício: "Consultando
nossa procuradoria jurídica, esta se manifestou pelo cumprimento da decisão do
habeas corpus (...) Fica autorizada a entrega para fim de internação em
estabelecimento médico indicado". Ou seja, Breno deveria ser solto.
Em depoimento,
a procuradora Waleska Maria Alves negou que tenha autorizado a soltura. A
Agepen informou que abriu "um procedimento interno" para apurar a
conduta do chefe de gabinete. A defesa de Pedro Carrilho nega que ele tenha
mentido e agido em favor da desembargadora.
Ao receber o
ofício, o diretor do presídio, que aparece nas imagens conversando com a
desembargadora, acabou soltando Breno. Logo depois, em áudio, relata ao juiz
que foi ameaçado por Tânia. Dois policiais acompanharam Tânia até a
penitenciária. Ela alegou que recebeu ameaças de morte e que andava com escolta
desde o dia 6 de julho. Um dos agentes era Alfredo Vasconcelos.
O Ministério
Público pediu à Justiça que Tânia Borges seja condenada por improbidade
administrativa. Os promotores querem que ela devolva o dinheiro gasto com o
carro e os policiais e ainda pague multa. Tânia só pode ser afastada dos cargos
ou ser aposentada compulsoriamente por decisão do o CNJ (Conselho Nacional de
Justiça).
Em nota, o
órgão informou que toda a coleta de provas já foi feita, e que o processo deve
entrar na pauta em fevereiro, mas só o presidente do CNJ pode decidir quando o
assunto vai ser discutido no plenário.
O advogado da
desembargadora nega irregularidades. Três laudos concluiram que Breno Borges
tem problemas psicológicos, mas que é capaz de saber o que é certo e o que é
errado. Ele voltou para a prisão dezembro do ano passado e deve ser julgado em
breve. Veja na reportagem do Fantástico.

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