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© WILTON
JÚNIOR / ESTADÃO José Maurício Conti (à esq.)
apontou pedaladas como crime a senadores em
2016
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Um dos especialistas
em direito financeiro responsáveis por apontar a prática de crime de
responsabilidade de Dilma Rousseff nas pedaladas fiscais durante o impeachment,
José Maurício Conti ameaça entrar na Justiça contra uma banca de concurso de
professor titular da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Reprovada
em disputa na área penal, Janaina Paschoal, uma das autoras do pedido de
impeachment da petista, alegou nesta quarta-feira, 11, sofrer “perseguição” na
instituição.
Questionado se
é alvo de perseguição, Conti disse que “é possível”. “Não é concreto, envolve
muita subjetividade. Não tenho dito que isso ocorreu, ou que não ocorreu. Há
uma coincidência, mas não gosto de fazer consideração de caráter subjetivo”,
afirmou o professor, que é juiz de direito. No Twitter, após publicação de
reportagem do Estado, Janaina levantou a suspeição: “Coincidência
ou não, o professor Conti foi um dos especialistas ouvidos durante o
impeachment. Ele demonstrou a ocorrência dos crimes!”.
A lista com 18
nomes para a banca examinadora foi apresentada a Conti e a outro concorrente em
maio. O Departamento de Direito Econômico, Financeiro e Tributário selecionou
cinco avaliadores. À época, o especialista que deu parecer das pedaladas como
crime pediu que cinco nomes fossem vetados, sob alegação de que haviam se
manifestado “de forma muito incisiva” contra o impeachment. “Impugnei
professores que colocaram palavras como ‘foi um golpe’ e ‘escárnio à
Constituição’”, disse Conti. Os professores deixaram voluntariamente a banca.
O departamento
apresentou novos nomes e a banca foi aprovada pela Congregação – órgão
colegiado que homologa concursos –, em agosto. Até então, nem Conti nem o outro
concorrente haviam feito objeção. Um mês depois, Conti apresentou um novo
recurso, cujo conteúdo prefere não comentar. “Pessoas que tenham se manifestado
em favor da Dilma (na segunda banca) têm, mas das pessoas que se
manifestaram, como no caso do próprio professor Heleno Torres (presidente da
banca), eu não ouvi declarações que considero exageradas. Interpretei como
declarações dentro dos limites da atuação acadêmica”, afirmou Conti.
Torres disse
nesta quarta-feira que Conti não pode se comparar a Janaina. “Ela foi
proponente do impeachment, ele prestou uma opinião legal sobre a matéria, que
ninguém deu importância na faculdade. Se o Conti usar isso, vou ficar muito
triste. Não há opositores, trabalhamos dentro de um grupo muito coeso.”
O segundo
recurso de Conti, segundo Torres, não trata de questões políticas ou
ideológicas. O concorrente alegou, de acordo com Torres, que há muitos
professores de Direito Tributário na banca, enquanto o concurso é na área de
Direito Financeiro. “Há uma ética dos concursos públicos que é: candidato não
escolhe banca. Nenhuma área prevalece na banca. E nós não temos no Brasil todo
professores titulares habilitados para este exame. São apenas dois, e um sou
eu”, afirmou o titular de Direito Financeiro da USP.
O pedido de
suspensão foi indeferido e a banca foi marcada para o dia 30, quatro dias
depois da análise da impugnação pela Congregação. Conti disse que a decisão do
diretor da faculdade, José Rogério Cruz e Tucci, não está de acordo com o
regimento. “Vou me insurgir contra isso. É um ato imprudente, porque envolve
gastos de recursos públicos”, afirmou. “Decisão incorreta.” Ele prometeu levar
o caso ao Judiciário.
Tucci disse que
os fatos são “distorcidos” e que não é a diretoria que marca a data do
concurso, mas o presidente da banca em consenso com os demais membros. “É a
Congregação que é competente para examinar o pedido de efeito suspensivo. A
primeira reunião da Congregação, depois da interposição do recurso, é a do dia
26. Que culpa eu tenho?”

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