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Integrantes
do Movimento Esposas e Familiares: Somos
Todos Sangue
Azul no plenário da Câmara, em Brasília
(Foto:
Divulgação)
|
'Movimento Esposas e
Familiares: Somos Todos Sangue Azul' diz que tentou várias reuniões, mas não
foi atendido. Após contato do G1, Pezão afirmou que vai agendar encontro.
Enquanto o estado do Rio
contabiliza 99
PMs mortos apenas em 2017, parentes de policiais dizem que tentam,
desde o início do ano, um encontro com o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB).
O objetivo do Movimento Esposas e Familiares: Somos Todos Sangue Azul, grupo
que ajuda as viúvas das vítimas, é conseguir mudanças nas condições de trabalho
para evitar que novas vidas sejam perdidas.
Até esta sexta-feira (25), no
entanto, nenhuma das tentativas – pelo menos sete, afirmam – de conseguir uma
reunião no Palácio Guanabara foi atendida. Após contato do G1, na
noite de quinta (24), o governador disse que receberá os parentes dos
policiais. Sem dar prazo, afirmou que o grupo poderá agendar a reunião.
Reivindicações
O movimento organizou uma lista
com uma série de reivindicações para apresentar a Pezão. A principal delas
trata das condições de trabalho dos PMs nas ruas. Os familiares reclamam da
falta de infraestrutura, como viaturas quebradas, coletes à prova de balas fora
do prazo de validade e a melhoria do armamento – há relatos de casos em que
fuzis travaram durante confrontos com bandidos.
Os parentes querem pedir ainda ao
governador tratamento médico e psicológico adequado aos PMs que foram baleados
e sobreviveram.
"Querem mandar os policiais
para as favelas com pistolas. Enquanto isso, os bandidos estão fortemente
armados. Não há mais condições de trabalho", disse Bianca Barros, de 30
anos, uma das fundadoras do movimento e mulher de um PM que foi baleado na
cabeça em dezembro do ano passado e ficou com sequelas.
Encontro em Brasília
Parte do grupo esteve nesta quinta
em Brasília para se encontrar com deputados da bancada do Rio. Quatro mulheres
que fazem parte do movimento pediram aos parlamentares para que eles atuem em
favor de uma reforma do código penal brasileiro, com punições mais severas para
autores de crimes contra agentes públicos de segurança pública.
O grupo conta que recorreu até ao
Ministério Público para intermediar uma conversa com Luiz Fernando Pezão, até
agora sem sucesso. Outra queixa é de que o governador não foi a sequer um
enterro de policiais mortos em 2017.
"A gente quer qualquer tipo
de solidariedade partindo do nosso governador. Os policiais que estão vivos e
trabalhando se sentem sozinhos, desamparados. Ele vão para a guerra e sabem que
ninguém os defende. Nós, familiares, tentamos dar apoio a esses policiais de
alguma forma. Nossas vidas também estão em risco", afirmou Rogéria
Quaresma, de 38 anos, outra integrante do movimento e esposa de um PM.
99 PMs mortos
Na quinta-feira, mais
um PM foi assassinado. O subtentente Mabel Sampaio estava chegando em
casa, no bairro Paraíso, em São Gonçalo, quando foi abordado por um criminoso e
reagiu. O policial foi atingido por seis tiros. Ele é o 99º PM morto somente
este ano vítima da violência. Sampaio estava de folga.
"Ninguém nos dá atenção. O
governador nunca nos recebeu. Isso é inadmissível. O Pezão está esperando o
quê? Todos os policiais militares morrerem? E se fossem 100 médicos
assassinados? O tratamento dele seria igual?", questionou Carine Diniz, de
30 anos, uma das fundadoras do Esposas e Familiares: Somos Todos Sangue Azul.
Em julho, a ONG Rio de Paz
homenageou os PMs mortos com um ato na Lagoa Rodrigo de Freitas, na Zona Sul.
Placas com os nomes dos policiais foram colocadas no local. Em abril, quando o
49º policial morreu, Pezão declarou:
"Eu lamento profundamente. É
muito triste cada bala perdida dessas e morte dos policiais", desabafou.
"As pessoas devem ter a mesma indignação quando morre um policial. Não é
trivial chegar em 90 dias de governo e a gente ter mais de 50 policiais
mortos."
Em nota, a assessoria de imprensa
do governador afirmou:
"O governador recebe todo
mundo, sem distinção. Ontem mesmo [quarta-feira, 23], recebeu um grupo de
moradores da Praça Seca para tratar de violência. Na semana passada, recebeu os
policiais que atuaram no caso do sequestro das crianças na van. Sempre recebe
familiares de pessoas que morreram em episódios violentos".
Por Cássio Bruno, G1 Rio

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