Agência de direitos humanos da
ONU pediu que o governo de Maduro liberte manifestantes presos arbitrariamente
e pare de usar tribunais militares para julgar civis.
O Alto Comissariado para os
Direitos Humanos da ONU advertiu nesta quarta-feira (30) que a democracia na
Venezuela se desgasta rapidamente, chegando mesmo a questionar se ainda existe,
segundo a France Presse.
O presidente Nicolás Maduro
"foi eleito pelo povo", disse o alto representante da ONU para os
Direitos Humanos, Zeid Ra'ad Al Hussein, à imprensa em Genebra, mas,
"desde então, houve uma erosão da vida democrática (...) Mal está viva, se
ainda estiver viva".
A Organização das Nações Unidas
(ONU) disse nesta quarta-feira (30) que as forças de segurança da Venezuela
cometeram amplas e aparentemente deliberadas violações de direitos humanos ao
reprimir protestos contra o governo, segundo a Reuters.
As ações indicaram "uma
política para reprimir a dissidência política e instilar o medo", disse a
agência de direitos humanos da ONU em um relatório que clamou por novas
investigações.
O texto pediu que o governo do
presidente Nicolás Maduro liberte manifestantes presos arbitrariamente e pare
de usar tribunais militares para julgar civis.
Acredita-se que mais de mil
pessoas estivessem sob custódia até 31 de julho, entre mais de 5 mil detidos em
manifestações de rua ocorridas desde abril, segundo o relatório. Muitas vezes
os detidos são submetidos a maus tratos, que em alguns casos documentados
equivaleram à tortura.
"Relatos críveis e coerentes
de vítimas e testemunhas indicam que as forças de segurança usaram força
excessiva sistematicamente para conter manifestações, reprimir a dissidência e
instilar o medo", disse a agência no relatório após descobertas iniciais
divulgadas em 8 de agosto.
As forças de segurança utilizaram
cilindros de gás lacrimogêneo, motos, canhões de água e munição real para
dispersar os manifestantes, segundo o documento.
Acredita-se que o aparato de
segurança venezuelano e grupos pró-governo sejam responsáveis pelas mortes de
73 pessoas desde abril, e a responsabilidade das outras 51 mortes não foi
determinada, afirmou o relatório da ONU.
O saldo total de 124 mortes inclui
nove membros das forças de segurança que o governo diz terem sido mortos no
decorrer de julho e quatro pessoas supostamente mortas por manifestantes, disse
o texto.
Alguns manifestantes recorreram a
meios violentos, que foram de pedras a estilingues, coquetéis molotov e
morteiros caseiros, nos protestos contra Maduro e a escassez de alimento e
outros bens de primeira necessidade, segundo o relatório.
Maduro tem dito que a Venezuela é
vítima de uma "insurreição armada" de opositores apoiados pelos
Estados Unidos que querem obter o controle da riqueza petrolífera do
país-membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).
Mas à medida que a crise política
se agrava, o uso da força por parte das forças de segurança escalou
progressivamente, disse o texto.
Por G1
0 comentários:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!