Após mais roubos, ministro estuda ampliar horário de militares nas ruas

Forças federais encerram patrulhamento à noite, e bandidos assaltam dois caminhões. Ele diz que “não se pode impedir tudo o tempo todo”.
Rio - Após dois assaltos a caminhões na madrugada de segunda-feira, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Torquato Jardim, disse que a ampliação da presença de militares nas ruas para 24 horas por dia é uma “circunstância a se considerar”. Segundo ele, deve ser avaliada a relação entre custo e benefício dessa medida.
“Não se pode impedir tudo o tempo todo”, afirmou ontem em coletiva de imprensa no quinto dia da Operação ‘O Rio quer Segurança e Paz’, que integra militares da Força Nacional, Forças Armadas e Polícia Rodoviária Federal no policiamento do estado.
De acordo com a Federação do Transporte de Cargas do Rio, os crimes ocorreram na Zona Norte, depois que as tropas federais já tinham deixado de patrulhar as ruas, onde permaneceram no período diurno. Em um dos casos, uma carreta carregada com óleo lubrificante foi parada por homens armados na Estrada do Camboatá, em Anchieta. O motorista foi feito refém e obrigado a dirigir o veículo até a entrada da comunidade do Gogo, no Complexo do Chapadão. Perto da favela, a central de monitoramento eletrônica do caminhão o bloqueou. De acordo com a polícia, os bandidos ligaram para a empresa exigindo o desbloqueio e ameaçaram o motorista de morte. A polícia foi acionada e, após troca de tiros, o motorista foi resgatado e a carga recuperada. Os bandidos fugiram.
Já em outro ponto da cidade, na Ilha do Governador, um outro caminhão que transportava eletroeletrônicos foi roubado. O material foi levado para a Nova Holanda, no Complexo da Maré.
Para o presidente da Fetranscarga, Eduardo Rebuzzi, os roubos passaram a ser cometidos de madrugada. Ele sugere que sejam feitos cercos permanentes restritos às áreas conhecidas pela receptação de veículos além de fiscalizações. “Grande parte dessas mercadorias está retornando para a venda direta ao consumidor, nas feiras e nos trens. As secretaria de Fazenda e de Segurança têm de fazer operações para identificar a origem das mercadorias. Rebuzzi concordou com o ministro. “Não há condições de recursos ou quadro policial para estar presente o tempo todo. A criminalidade se desloca”, afirmou.
Segundo o Ministério da Justiça, a operação do Plano Nacional de Segurança Pública já diminuiu o número cargas ilícitas que chegam ao país. Nos últimos 22 dias, corredores da PRF nas fronteiras brasileiras de Uruguaiana (RS), Cáceres (MT) e Foz do Iguaçu (PR) apreenderam 36 toneladas de maconha, 270 quilos de cocaína, 32 quilos de crack e 76 armas de fogo. Também foram recuperados 163 veículos e 1.572 pessoas foram presas.
Oito presos em operação conjunta
Intitulada ‘Operação Tempo Zero’, uma ação conjunta da PRF e da Polícia Civil resultou nesta terça-feira em oito prisões e apreensão de três menores. Dois caminhões e 28 veículos roubados foram recuperados. Também houve apreensão de uma quantidade de drogas ainda não contabilizada.
A operação teve como objetivo cumprir mandados de prisão por roubo de cargas no Rio, como parte da etapa do Plano Nacional de Segurança Pública para o estado. A ação ocorreu em três comunidades das regiões da Pavuna e Jardim América: Ficap, Furquim Mendes e Dique.
O titular da delegacia da Pavuna,Henrique Damasceno, considerou positiva a integração com as forças federais. “Desde o primeiro momento entendemos que teríamos êxito”, declarou.
Segundo o superintetende da PRF, o tráfico lucra muito com o roubo de cargas. “Existe um levantamento, feito pelas polícias, da migração de alguns setores do tráfico de drogas buscando um financiamento”, afirmou.
Governo federal fará repasse especial para investimento em ações sociais
O ministro do Desenvolvimento Social, Osmar Terra, informou que o plano de segurança em implantação no Rio terá um orçamento extra de ‘centenas de milhões de reais’ para investimento em ações sociais. 
Segundo ele, serão feitos repasses para os municípios e também investimentos em ações diretas pelo governo federal. De acordo com o ministro, o detalhamento deve ser anunciado amanhã. “Tem que ter esse trabalho todo de resgatar a cidadania para a população dessas áreas de risco, trabalhar com a juventude, principalmente. Temos uma tarefa de mostrar para os jovens desses lugares, que tem um maior controle do crime organizado, do tráfico de drogas, que existe outro mundo possível. Inspirá-los em outras ações que possam estimulá-los a ter uma perspectiva de vida fora dessa área do crime organizado”.
O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, Sérgio Etchegoyen, reiterou que o uso das Forças Armadas na Segurança Pública deve ser pontual, buscando objetivos claros no curto tempo, sem ocupar militarmente a cidade.
“O Rio de Janeiro é uma fase do Plano Nacional de Segurança Pública, que está se desenvolvendo em todo o Brasil, com prioridade para o Rio por razões óbvias da situação de Segurança Pública que vive”, explicou o ministro-chefe. Segundo ele, é preciso ter prudência no controle das operações.
“Como foi dito desde o começo, nós não estamos procurando ações midiáticas nem de repercussão em manchetes, nós estamos procurando resultados e vamos comemorar resultados. As coisas aconteceram assim durante todo esse tempo, com paciência e com a prudência que se exige”, ressaltou Etchegoyen.
Os dois ministros falaram com a imprensa antes de participarem do encontro ‘Brasil de Ideias — como resolver o enigma da insegurança que oprime o Brasil’, realizado ontem, no JW Marriott, na praia de Copacabana.
Com o estagiário Rafael Nascimento e informações da Agência Brasil
ALESSANDRA MONNERAT E BRUNA FANTTI
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