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| No Hospital Getúlio Vargas, outra face da crise é que mais de 50 médicos foram demitidos. |
Além dos problemas causados ao
público, servidores sofrem com demissões repentinas e falta de pagamento.
Alguns não tem dinheiro para custear o transporte até o trabalho.
Funcionários do Hospital Pedro Ernesto afirmam que a emergência está
fechada e que o setor de psiquiatria da unidade foi desativado por causa da
falta de verbas causada pela crise no Estado do Rio de Janeiro. Mas além da
parte da crise que é voltada ao público, há o lado dos servidores alocados
nessas unidades. Para eles, a própria ida ao trabalho é complicada.
“Hoje, para a gente ir trabalhar é uma luta. Os servidores não conseguem
chegar ao local de trabalho. A gente acaba se comunicando para a gente manter o
hospital aberto. Quem pode, quem não pode. Porque, se todos os servidores
fossem realmente se deslocar com o dinheiro de passagem, que ele não tem, o
hospital estaria fechado. Se a gente não dependesse da vontade do servidor de
querer manter o hospital aberto, hoje o hospital poderia estar fechado”,
explicou Marcio Silas, funcionário do centro cirúrgico do hospital Pedro
Ernesto.
Na quinta-feira (6), os servidores receberam o pagamento de uma parcela
de R$ 500 do salário de abril. Ainda assim, ela não faz muita diferença para
quem está sem pagamento há tanto tempo.
“A parcela que caiu não traz nenhum subsídio para o servidor conseguir se
alimentar, muito menos se deslocar. Os servidores estão tão endividados que a
parcela mínima que cai e as outras que caíram não sobra na conta, porque o
banco absorve. Ele continua sem dinheiro para se alimentar, para subsistir”,
explicou o funcionário do Hospital Pedro Ernesto.
A falta de dinheiro atrapalha o equilíbrio emocional dos servidores. “O
que eu posso dizer para o governador e perguntar é o seguinte: nós estamos há
três meses sem salário. Mais três meses sem receber? Se ele espera que os
servidores e suas famílias façam jejum. Só vai nos restar o jejum”, destacou o
servidor do Hospital Pedro Ernesto.
No Hospital Getúlio Vargas, outra face da crise é que mais de 50 médicos
foram demitidos. A unidade era considerada referência no setor de urologia e
proctologia. Este último acabou sendo desativado.
De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, cem pacientes estão aguardando
tratamento ou cirurgias. Quarenta já passaram por procedimentos. Outros 60
aguardam para receber atendimento nos próximos dois meses.
“A demissão afetou todos os serviços, principalmente a emergência onde,
até o momento, foram demitidos 23 pediatras, 15 clínicos, 12 neurocirurgiões,
15 anestesistas e 8 intensivistas. Foi uma demissão que me surpreendeu, porque
nós somos um serviço de emergência que é referência na região. Em pediatria,
nós considerávamos completo. E fomos surpreendidos no começo da semana com
essas demissões”, explicou Lúcia Ramos, médica pediatra demitida da unidade.
A profissional contou ainda que receberam a carta de demissão ao chegarem
para trabalhar no plantão. “Fomos dispensados no momento do plantão,
perguntamos o motivo e eles dizem que são motivos de economia, de
remanejamento”, explicou a médica.
Por Bom Dia Rio

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