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Jorge
Picciani teria recebido mais de R$ 5 milhões para
campanhas políticas do PMDB
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Ex-executivo da empreiteira
detalhou em depoimento encontros com Picciani. Presidente da Alerj diz que
doações foram 'legais' e 'espontâneas'.
Em delação premiada, o ex-executivo
responsável pelo departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht, Benedicto
Barbosa da Silva Júnior, afirmou que houve pagamentos a campanhas políticas do
PMDB do Rio num total de mais de R$ 5 milhões. O delator declarou que os
pedidos foram feitos pelo presidente da Assembleia Legislativa, Jorge Picciani.
O delator disse que, em um desses
pedidos, o intermediário foi o dono do banco BVA, José Augusto Ferreira. O
banco faliu e já foi liquidado pelo Banco Central. Benedito Júnior disse que o
depósito foi feito em conta no exterior.
Nos documentos enviados aos
procuradores da Lava Jato, Benedicto Júnior relata um segundo encontro com
Jorge Picciani, também no diretório do PMDB no Rio, em 2010.
Benedicto: "No
primeiro semestre de 2010 eu fui convocado pelo Dr. Jorge Picciani, então
presidente do PMDB do Rio de Janeiro pra uma reunião na sede do PMDB localizada
na rua Almirante Barroso 7...72, 8º andar, no Centro, quando esse me solicitou
que eu avaliasse a possibilidade de fazer doação de campanha, sob pretexto de
campanha para a candidatura a que ele se postulava ao Senado. Ele me mostrou a
dificuldade que ia ser a competição, porque ele iria competir contra o
Lindenberg e tinha mais outro candidato o Cesar Maia , ia ser uma disputa
acirrada, dentro dessa visão dele de dificuldade ele demonstrou a necessidade
de que eu fizesse uma doação de R$ 5 milhões. Tendo em vista a relação que ele
já detinha com algumas pessoas do grupo por conta dele ser empresário privado,
na área de criação de boi, tendo em vista a relação que ele desenvolveu comigo
a partir dessa relação com as pessoas que ele convivia no grupo e a
proeminência dele no PMDB do Rio de Janeiro, eu avaliei que pra nós seria muito
bom se ele ganhasse a eleição e fosse um senador pelo Rio de Janeiro. Decidi
fazer essa contribuição. Quando ele me informou que é eu iria ser procurado
pelo José Augusto, dono do banco BVA, pra tratar dessa contribuição. Passado um
tempo, o José Augusto me procurou. Eu coloquei em contato com o pessoal nosso
do setor de operações estruturadas, pra operacionalizar os R$ 5 milhões que
foram pedidos e a gente levantou dentro do nosso sistema e encontramos
pagamentos sendo feito em moeda no exterior, moeda em euros, no valor de R$ 5
milhões aqui, com provas, prova pra corroboração doutor. Então isso foi em
2010. Em 2012, Picciani me procurou, atuando como arrecadador das campanhas do
PMDB na época das campanhas municipais, me pediu que fizesse uma doação no
montante de R$ 400 mil. Eu organizei com o setor de operações estruturadas
liderado pelo Hilberto Silva e nós fizemos mais uma vez uma doação de R$ 400
mil sob o codinome grego, dos quais eu trago um anexo aqui pra comprovar esse
pagamento. Quatrocentos mil de reais em espécie, feitos pelo setor de operações
estruturadas que tratava do caixa dois da Odebrecht."
Pergunta: O senhor sabe
onde?
Benedicto: "Olha, como
eu repassei pro setor de operações estruturadas, foi usado o doleiro Álvaro
José Novis, mas eu não tenho os dados aqui da onde foi entregue. O codinome
utilizado pelo dr. Jorge Picciani no nosso sistema, que a gente usava, era
grego."
Pergunta: O senhor Jorge
Picciani já benfeciou a Odebrecht alguma vez?
Benedicto: "Doutor,
veja a agenda legislativa do Rio de Janeiro não tem um impacto no nosso dia a
dia de construtora ou de investidor em infraestrutura. Então eu particularmente
acabei, como eu disse aos senhores, usufruindo de uma relação que o Dr. Emílio
Odebrecht já tinha com o Dr. Picciani e o Dr. Pedro Novis que são dois membros
do conselho. De maneira que eu nunca procurei Dr. Picciani pra tratar do meu
dia a dia. Os problemas que eu tinha do Rio de Janeiro eu enfrentava com o Dr.
Sérgio Cabral, não precisava usar Dr. Picciani, que eu nunca pedi nada a
ele."
Nos documentos entregues pelo
delator ao Ministério Público. Nas informações enviadas por escrito aos
procuradores, Benedito Barbosa da Silva Júnior relata um segundo encontro com
Jorge Picciani , também no diretório do PMDB no Rio, em 2010.
Benedicto Barbosa diz que, antes de
serem feitos os repasses de dinheiro, informou a Picciani que parte da doação
seria realizada com recursos de Caixa Dois. E que Jorge Picciani concordou.
O delator também entregou aos
procuradores a relação de dados sobre os pagamentos que teriam sido feitos, em
2010, a Jorge Picciani. As informações retiradas do sistema usado pela
construtora para fazer os pagamentos ilegais mostram o que seriam as três
parcelas de setecentos mil euros, referentes ao codinome Grego. Segundo o
delator, não foi possível identificar no sistema a conta em que foi feito o
depósito.
Pergunta: Então que é
que sabe a conta que foi depositado?
Benedicto: "Nós
tamos tentando vasculhar o sistema, o sistema é complexo, nós ainda não
encontramos, só temos as evidências de que foram feitos três pagamentos de 700
mil euros para Dr. José Augusto, dono do BVA. "
Como Jorge Picciani é deputado
estadual, ele tem foro privilegiado na segunda instância da Justiça. Nesse
caso, é o Tribunal Regional Federal da 2ª Região, no Rio que vai decidir se
abre ou não uma investigação contra o deputado Jorge Picciani.
O que dizem os citados?
Em nota, Jorge Picciani disse que
todas as doações às campanhas dele foram espontâneas, legais e declaradas à
Justiça Eleitoral e que vai responder com tranquilidade às acusações se o
inquérito for aberto.
A defesa de José Augusto Ferreira
não foi encontrada.
Por RJTV

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