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Imagem de 6
de janeiro de 2016 mostra a primeira sessão
da nova
Assembleia Nacional da Venezuela
(Foto: AP
Photo/Fernando Llano, File)
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Supremo diz parlamentares estão
em desacato por considerar que não desvincularam três deputados acusados de
fraude eleitoral.
Os parlamentares venezuelanos - em
sua maioria opositores - perderam a imunidade parlamentar por decisão do máximo
tribunal, que também autorizou o presidente Nicolás Maduro a buscar seu
indiciamento, incluindo por crimes militares e de terrorismo.
O tribunal decidiu nesta
terça-feira (28) que os parlamentares não têm imunidade por estarem em
desacato, segundo uma decisão que anulou um acordo legislativo que apoia a
aplicação da Carta Democrática Interamericana no país.
"A imunidade parlamentar só
ampara (...) os atos realizados pelos deputados em exercício de suas
atribuições constitucionais (o que não é compatível com a situação atual de
desacato na qual a Assembleia Nacional se encontra)", indica a sentença do
Tribunal Supremo de Justiça (TSJ).
No início de 2016, esta corte
declarou o Parlamento - de maioria opositora - em desacato por considerar que
não desvinculou formalmente três deputados acusados de fraude eleitoral.
Com esta declaração, o TSJ -
acusado pela oposição de servir ao governo do presidente Nicolás Maduro -
cancelou todas as decisões da Assembleia, que afirma que já cumpriu com a
separação dos legisladores.
"O governo quer amedrontar os
deputados dizendo que irá prendê-los. Irá prender os 30 milhões de venezuelanos
que querem que o país mude, que querem votar", declarou Stalin González,
chefe da oposição.
Anulação de acordo
O tribunal se pronunciou sobre o
foro parlamentar ao anular um acordo aprovado em 21 de março pelo bloco
opositor, que pediu à Organização dos Estados Americanos (OEA) que convocasse
seu Conselho Permanente para avaliar a aplicação da Carta Democrática na Venezuela.
A sentença foi divulgada no mesmo
dia em que o Conselho Permanente planeja analisar a situação do país
petrolífero, afundado em um choque de poderes entre o governo e o Legislativo,
e em uma crise econômica caracterizada por escassez de alimentos e
medicamentos.
O TSJ foi mais longe ao ordenar
que Maduro tome "as medidas cíveis, econômicas, militares, penais,
administrativas, políticas, jurídicas e sociais que considere pertinentes e
necessárias para evitar um estado de comoção" a respeito do acordo
legislativo.
E, como parte do estado de exceção
vigente desde 2016, e devido ao desacato, habilitou o presidente a
"garantir a estabilidade democrática", apoiando-se nas leis sobre
crime organizado, terrorismo, corrupção e o "código de justiça militar".
Venezuela na OEA
Em um relatório sobre a situação
no país, o secretário da OEA, Luis Almagro, pediu a suspensão da Venezuela do
organismo caso não sejam organizadas eleições gerais em breve, como pede a
oposição.
De acordo com o diplomata, o
governo venezuelano "viola impunemente os direitos dos seus cidadãos,
mantém presos políticos apenas por uma questão de discordância, tortura, rouba,
corrompe, trafica drogas e mantém sua população submetida à falta de alimentos,
medicamentos e dinheiro para sobreviver".
"As estupidezes de Almagro
não me tiram o sono (...) para mim é um palhaço, um lixo sideral", reagiu
Maduro, que nesta terça-feira deve liderar uma "marcha anti-intervencionista" em Caracas, na qual
espera centenas de partidários.
Acima da lei
Para Cecilia Sosa, ex-presidente
da extinta Corte Suprema, o TSJ "tem se colocado acima da Constituição",
porque a imunidade parlamentar só pode ser removida pelo próprio Legislativo, a
pedido do tribunal.
Maduro descarta adiantar a eleição
presidencial, prevista para dezembro de 2018, enquanto as legislativas seguem
no limbo, pois deveriam ser realizadas no final do ano passado, mas a
autoridade eleitoral adiou a votação para 2017, sem estabelecer data.
Por France Presse

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