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© Agência
Senado Alexandre de Moraes
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Após responder a perguntas por
quase 11 horas em sabatina de senadores, Alexandre de Moraes teve sua indicação
ao Supremo Tribunal Federal (STF) aprovada pela Constituição de Constituição e
Justiça (CCJ) do Senado. Foram 19 votos a favor e 7 contra.
A duração dos questionamentos a
Morais foi pouco menor que a sabatina de Edson Fachin em 2015, ministro que
teve sua indicação aprovada por 20 votos.
Falta agora apenas uma etapa para
que Moraes seja confirmado na mais alta Corte do país - sua indicação será
apreciada pelo plenário do Senado nesta quarta-feira, e a expectativa é que
tenha apoio de ampla maioria da Casa.
Apesar de sua aprovação ser dada
como certa, Moraes teve que responder a questões espinhosas na sabatina. Em sua
fala inicial, disse que atuará no STF "com imparcialidade, coragem,
dedicação e sincero amor à causa pública".
Confira abaixo os destaques da
sessão.
Imparcialidade
A suposta falta de
"imparcialidade" de Alexandre de Moraes para julgar ações que contrariem
interesses de aliados políticos foi um dos questionamentos que mais se repetiu
ao longo da sabatina.
Diversas vezes, senadores de
oposição cobraram que o sabatinado se declarasse previamente impedido de julgar
ações da Operação Lava Jato e outras de interesse do governo Temer.
Se aprovado como ministro, Moraes
não vai integrar a segunda turma, que julga a maioria dos casos da Operação
Lava Jato. Ele será revisor, porém, de eventuais ações julgadas pelo plenário
contras os presidentes da República, do Senado e da Câmara dos Deputados.
O sabatinado respondeu que, caso
aprovado como ministro do Supremo, atuará pautado pela Constituição Federal,
que é "apartidária". Ele também disse que os coordenadores da Lava
Jato elogiaram sua indicação para o STF.
Moraes negou que haja incoerência
em aceitar ser indicado ao Supremo Tribunal Federal, já que defendeu em sua
tese de doutorado que presidentes não deveriam escolher membros de seu governo
para ocupar a Corte.
Segundo ele, essa era uma entre
várias mudanças que sugeriu em sua tese para o funcionamento do STF e que nunca
foram implementadas.
"Jamais atuarei entendendo
que minha indicação ou eventual aprovação por vossas excelências tenha qualquer
ligação de agradecimento ou favor político", afirmou.
O indicado ao Supremo disse também
que a Corte já teve muitos ministros com atuação política. Segundo Moraes,
desde o governo de Eurico Gaspar Dutra (1946-1951), 45% dos ministros indicados
estavam atuando politicamente no Poder Executivo ou no Legislativo.
Destacou ainda que na atual
composição existem quatro nessa situação - Celso de Mello, que ocupou cargo no
governo Sarney; Gilmar Mendes, que integrou governo Fernando Henrique; e Dias
Toffoli, que foi do governo PT; e Edson Fachin, que manifestou apoio a
candidatura de Dilma Rousseff.
"E nenhum deles deixou de ser
absolutamente independente, livre e imparcial", disse Moraes.
O senador Lindberg Farias (PT-RJ)
rebateu: "A questão não é ser filiado a partidos políticos, a questão é o
contexto. O contexto é muito grave. É uma indicação no momento em que esse
governo está sendo acusado e seus principais ministros e o próprio presidente
Temer respondem a investigações", criticou o petista.
Moraes se disse previamente
impedido de julgar apenas processos em que parentes seus atuem como advogados,
como sua esposa e o escritório em que ela atua. De resto, ele disse que
avaliará caso a caso ações em que deve se declarar suspenso.
Plágio
Moraes foi também diversas vezes
questionado sobre acusações de plágio em seus livros.
No caso mais rumoroso, uma
reportagem da Folha de S.Paulo mostrou que o livro
"Direitos Humanos Fundamentais" contém trechos idênticos aos de uma
obra do jurista espanhol Francisco Rubio Llorente (1930-2016), "Derechos
Fundamentales y Principios Constitucionales".
Moraes afirmou que o caso não era
plágio porque os trechos que reproduziu em sua obra eram partes de decisões da
Suprema Corte espanhola citadas no livro de Rubio.
"Plágio é a subtração de
ideias de determinado autor sem citação. Não houve citações de ideias de autor.
Houve citações de uma obra onde a expressão intelectual do autor se dá somente
no prefácio", argumentou.
Moraes porém não explicou porque
as citações não foram destacadas com uso de aspas e identificadas como trechos
de decisões da Justiça espanhola.
"Na obra de vossa excelência
não tem a citação em aspa, como recomenda a Associação Brasileira de Normas
Técnicas, a ABNT. Então, mesmo tendo sido citado um acórdão (decisão) de um
Supremo Tribunal me parece que a recomendação indicaria que a citação deveria
constar entre aspas", criticou o senador Randolfe Rodrigues
(Rede-AP).
Ativismo Judicial
Em meio aos recentes embates entre
o Poder Judiciário e o Congresso, Moraes adotou em sua fala inicial e ao longo
da sabatina um tom crítico ao "ativismo judicial", posição que
valoriza o Poder Legislativo e tende a agradar os parlamentares.
Ele também defendeu que os Poderes
atuem de forma independente, mas com harmonia.
"Um juiz ativista ignoraria o
texto da Constituição, a história de sua promulgação, as decisões anteriores da
Suprema Corte que buscaram interpretá-la e as duradouras tradições de nossa
cultura política. O ativista ignoraria tudo isso para impor a outros poderes do
Estado seu próprio ponto de vista sobre o que a Justiça exige", afirmou o
sabatinado, ao ler um discurso inicial.
Ao comentar um caso concreto
lembrado pela senadora Marta Suplicy (PMDB), Moraes criticou o julgamento em
que o STF derrubou a cláusula de barreira aprovada no Congresso que diminuiria
o número de partidos com direito a recursos do fundo partidário e a tempo de
propaganda de TV.
A medida derrubada no STF buscava
desestimular a proliferação de partidos "nanicos" e reduzir a
importância política de legendas muito pequenas.
"Nesse caso eu acho que houve
um ativismo judicial e não uma interpretação (da lei). A lei aprovada pelo
Congresso não extinguiria o partido, apenas não daria alguns benefícios legais
como o fundo partidário", ressaltou.
A decisão do Supremo, disse ainda
Moraes, acabou dificultando a aprovação de novas leis sobre essa questão, pois
agora seria preciso aprovar uma alteração na Constituição, o que exige mais
votos.
Ação contra Temer no TSE
Moraes também foi questionado
sobre a ação que tramita no Tribunal Superior Eleitoral e pode vir a cassar
Temer por supostas ilegalidades na campanha eleitoral de 2014, que ele venceu
ao lado de Dilma Rousseff.
Conforme a BBC Brasil mostrou,
Moraes afirma no livro "Direito Constitucional", que eventual
anulação da votação que elegeu Dilma automaticamente anularia também a
eleição de seu vice, Temer. O presidente, porém, tenta convencer a Justiça
Eleitoral a separar suas contas de campanha das de Dilma.
"Pergunto se vossa excelência
compreende que é juridicamente possível cassar a candidatura presidencial por
abuso de poder econômico e em consequência manter o vice no cargo tendo ele
sido eleito conjuntamente com a chapa", questionou Randolfe Rodrigues
(Rede-AP).
Moraes, porém, disse que não
responderia já que pode vir a julgar esse processo casa haja recurso ao STF.
O sabatinado também se esquivou de
responder se declararia suspeito de julgar a ação devido a suas relações
prévias com o presidente Temer, de quem foi ministro da Justiça.
Moraes também atuou como advogado
do PSDB na campanha de 2014. O partido é o autor da ação contra a chapa
presidencial eleita naquele ano.
Outras polêmicas
Moraes driblou outros temas
polêmicos também sob a justificativa de que não poderia antecipar seu
posicionamento em processos que pode vir a julgar.
Evitou, por exemplo, dar sua
opinião sobre aborto, já que há uma ação no Supremo pedindo a liberação da
interrupção da gravidez quando a gestante for contaminada pelo vírus da zika.
Moraes também não quis se
posicionar sobre a legalização de drogas. Um processo que discute a
descriminalização do porte para consumo está parado por um pedido de vista do
falecido ministro Teori Zavascki e, caso sua indicação seja aprovada, Moraes
terá que retormar o caso.
Apesar disso, ele defendeu que
deve haver uma definição mais clara sobre tráfico, já que muitas pessoas pegas
com pequenas quantidades de drogas acabam enquadradas como traficantes em vez
de consumidores.
Já quantos às acusações de que
seria ligado à organização criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), Moraes
disse que são calúnias e que já ganhou na Justiça a retirada da internet desses
boatos.
O escritório de Moraes, na
verdade, já advogou para Transcooper, uma cooperativa de vans investigada por
envolvimento em suposto esquema de lavagem de dinheiro do PCC.
Moraes disse que seu escritório
atuou apenas em casos de acidentes de trânsito envolvendo a Transcooper.

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