Ex-governador e sua mulher,
Adriana Ancelmo, mantinham documentos diplomáticos com validade até 31 de
dezembro de 2014
Indiciados pela Polícia Federal na
Operação Calicute por corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de
dinheiro, o ex-governador do Rio Sérgio Cabral Filho (PMDB), e sua mulher,
Adriana Ancelmo, mantinham passaportes diplomáticos válidos até 31 de dezembro
de 2014 — nove meses após Cabral renunciar a seu mandato —, segundo o
Ministério das Relações Exteriores.
O documento, concedido
gratuitamente a diplomatas, autoridades, líderes religiosos e até a dirigentes
esportivos, não garante privilégios no Brasil, nem impede os controles de
bagagem. Mas dá acesso, em alguns países, a filas prioritárias de imigração -
embora seus titulares passem pelos mesmos controles de entrada e bagagens que
os demais passageiros. Sua manutenção pelo casal deverá abrir nova frente de
investigações.
Sérgio Cabral, ex-governador do
Rio, foi preso por agentes da PFReprodução Internet
Um dos pontos que a Polícia
Federal pretende esclarecer é se o ex-governador, preso pela Polícia Federal
sob acusação de chefiar um esquema de corrupção em obras públicas no Rio,
enviou dinheiro ou valores para o exterior. Adriana Ancelmo, porém, teve o
pedido de prisão feito pelo Ministério Público Federal rejeitado pela Justiça.
A reportagem apurou que a PF vai
deixar para um segundo momento um eventual pedido de cooperação internacional
sobre o ex-governador. Das muitas joias identificadas pela polícia como
compradas por Cabral, Adriana e outros acusados, cerca de 50 foram localizadas.
Ao anunciar o fim do inquérito relativo à primeira fase da Calicute, na
sexta-feira, a PF informou que novas investigações deverão ser abertas para
verificar indícios identificados durante as diligências.
Cabral recebeu seu primeiro
passaporte diplomático ainda como senador - foi eleito em 2002. A emissão
ocorreu em 31 de março de 2003, com validade até 31 de janeiro de 2007. Como
cônjuge, Adriana ganhou o mesmo direito. No governo estadual, Cabral e Adriana renovaram
os documentos pouco após a primeira posse, em 2007, com validade até 2010.
Nesse ano, houve nova renovação, até o fim de 2014, para quando era previsto o
fim do mandato do governador. Ele renunciou meses antes, em 3 de abril, mas
manteve seu documento válido, assim como sua mulher.
Durante seu mandado no governo
fluminense, Cabral foi criticado por viajar com frequência ao exterior.
Defendia-se dizendo estar buscando investimentos para o Estado.
Segundo o MRE, "passaportes
diplomáticos emitidos para detentores de cargos eletivos ou cargos de confiança
são concedidos pelo prazo do mandato a ser exercido pelo titular." O
ministério informou ainda que, se o mandato se encerrar antes do tempo,
"presume-se que o titular devolverá o passaporte".
Atualmente, a validade do
documento é acrescida de seis meses para atender à exigência de alguns países
com relação a prazos mínimos, informou o Itamaraty por nota.
"O Ministério das Relações
Exteriores está examinando medidas para monitorar os casos de mandatos que se
encerrem antes dos prazos inicialmente previstos, com vistas a solicitar a
devolução e proceder ao cancelamento dos passaportes concedidos, quando não
forem voluntariamente devolvidos", declarou o MRE. Segundo o ministério,
quando se encerrou o mandato de Sergio Cabral não havia ainda medidas nesse
sentido.
Levantamento divulgado em maio de 2012 pelo
Palácio Guanabara revelou que desde sua posse, em janeiro de 2007, até aquela
data, Cabral ficara 128 dias fora do País em viagens oficiais. Foram 39 cidades
em 37 missões a 18 países - praticamente uma a cada dois meses.
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