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A sede da
Oi, no Rio: bens que deveriam voltar governo ao podem
ficar com as empresas em troca da promessa de
investimento
(Bruno
Poppe/Folhapress)
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Ordem dos Advogados do Brasil e a
Coalização Direitos na Rede pedem mais debates antes da sanção de lei que pode
dar presente bilionário às operadoras
A Ordem dos Advogados do
Brasil (OAB) e a Coalização Direitos na Redecriticaram
nesta quarta-feira o PLC 79/2016, que altera a Lei Geral de
Telecomunicações e contém uma série de benefícios às operadoras de
telefonia no país, como a transferência em definitivo para as empresas de bens
estimados entre 20 bilhões de reais e 100 bilhões de reais, e a
possibilidade de se renovar sem limites as atuais licenças de operação.
Senadores de oposição acionaram o Supremo Tribunal Federal para que o projeto
de lei seja votado novamente, desta vez no plenário da Casa, enquanto a
cúpula do Senado prepara o envio do texto final para sanção do presidente Michel
Temer. A OAB não descarta ingressar com uma ação própria no Judiciário.
Em paralelo, a Agência Nacional de
Telecomunicações (Anatel) tenta assinar acordos com as teles para transformar
outros cerca de 20 bilhões de reais em multas em dinheiro a ser investido pelas
companhias nas ruas próprias redes, uma espécie de perdão em troca da melhoria
do serviço.
“Neste momento de tensão econômica
que fragiliza a economia popular, gera desemprego e angustia a população,
esperamos contar com a razoabilidade do governo para que não seja sancionado o
projeto de perdão às dívidas bilionárias das companhias de telecomunicações com
a União”, afirma em nota o presidente nacional da OAB, Claudio Lamachia. “Dias após
o Congresso aprovar uma proposta orçamentária com déficit de 139 bilhões de
reais, não é possível abrir mão de valores que, segundo denunciado pela
imprensa e já constatado pelo TCU, pode chegar à casa dos 100 bilhões de
reais. No momento em que o governo pede esforço econômico para toda a
sociedade, não é possível abrir mão de recursos em favor das empresas de
telecomunicações. Sobretudo sem o devido debate diante de tão delicado quadro
político e econômico.”
Contrária às mudanças legais, a
Coalização Direitos na Rede, que pressionou os parlamentares em prol dos
recursos, repudiou em nota a canetada da Mesa Diretora do Senado, que decidiu
não reconhecer os recursos apresentados na última sexta-feira pelos senadores,
sob alegação de que o prazo havia expirado. O recurso foi protocolado às 19h59,
conforme o registro carimbado, ou seja, um minuto antes do fim dos trabalhos
administrativos, conforme orientação de funcionários da Mesa Diretora. A
reportagem de VEJA também foi informada, por telefone, de que o prazo se
encerraria às 20h. Mas a cúpula do Senado passou a dizer na segunda-feira que o
horário limite era 18h30.
“A negação do direito de recurso
dos senadores afeta não só os membros do Legislativo, mas todos os usuários dos
serviços de telecomunicações. É direito da população brasileira aprofundar as
discussões sobre projeto 79/2016 e suas consequências para o uso da
infraestrutura de telecomunicações do país e para as políticas de
universalização de serviços essenciais como o acesso à internet no Brasil”, diz
a nota das ONGs.
O governo federal, a Anatel e o
Sinditelebrasil, entidade representante das operadoras, afirmam que as mudanças
na Lei Geral de Telecomunicações vão permitir maior segurança jurídica, uma
competição mais justa entre as empresas e a retomada dos investimentos no
setor.

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