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Pessoas
fazem fila nesta terça-feira (20) para atravessar a ponte Simon Bolivar
de San Antonio del Tachira, na
Venezuela, para Norte de Santander,
na Colômbia (Foto: GEORGE CASTELLANOS /
AFP)
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Fronteira estava fechada por
colapso monetário na Venezuela. Segundo Maduro, 'máfias' estariam acumulando
papel-moeda venezuelano no exterior.
Alguns buscavam alimentos e
medicamentos. Outros, queriam visitar familiares para as festas de Natal e Ano
Novo. Milhares de venezuelanos cruzaram nesta terça-feira (20) as passagens
fronteiriças para pedestres com a Colômbia, reabertas após oito dias por causa
de um colapso monetário.
"Graças a Deus a fronteira
foi reaberta. Vinha muita gente fazer suas compras do outro lado, porque não
conseguimos comida, fraldas para nossas crianças, medicamentos", disse
Christian Sánchez, locutor de 29 anos, enquanto atravessava a ponte
internacional Simón Bolívar, que conecta as cidades de San Antonio (Venezuela)
e Cúcuta (Colômbia).
Em uma conversa por telefone, na
segunda-feira à noite, os presidentes venezuelano, Nicolás Maduro, e, e
colombiano, Juan Manuel Santos, acordaram "abrir a fronteira de maneira
progressiva, com rígida vigilância e segurança", informou o ministro
venezuelano de Comunicação e Informação, Ernesto Villegas.
Villegas ressaltou que Maduro e
Santos "instruíram seus ministros da Defesa (Vladimir Padrino e Luis
Carlos Villegas) a coordenar ações imediatas para uma normalização da
fronteira", uma vez que foram pactuados contatos entre seus bancos centrais
para enfrentar o que a Venezuela denomina como "ataques" à sua moeda.
Assim, os cruzamentos limítrofes
se restabeleceram desde às 6h locais desta terça-feira (8h de Brasília), sob
vigilância dos militares. O transporte de carga, entretanto, permanece
interrompido.
'Máfias'
Maduro ordenou fechar as
fronteiras com a Colômbia e com o Brasil no dia 12 de dezembro, alegando que
"máfias" estariam acumulando o papel-moeda venezuelano no exterior
para atacar a economia do país, golpeada por uma inflação de 475%, segundo o
FMI - a mais alta do mundo - e uma aguda escassez de alimentos básicos e
medicamentos.
A medida coincidiu com momentos de
grande incerteza por violentos protestos e saques em várias cidades, que
deixaram pelo menos três mortos e aproximadamente 300 detidos, sobretudo no
estado Bolívar (sul), onde cerca de 600 estabelecimentos comerciais sofreram
danos.
Os distúrbios eclodiram na sexta e
no sábado após a decisão do governo de recolher das ruas a nota de 100
bolívares (US$ 0,15 no câmbio oficial mais alto), o de maior valor e
circulação, até a entrada gradual de novas unidades monetárias.
Maduro atribuiu os atrasos na
entrega dessas unidades monetárias a um a "complô" comandado pelos
Estados Unidos. O venezuelano classificou de "bem sucedida" a
operação contra as "máfias" e prorrogou a vigência da nota de 100 e o
fechamento das fronteiras com a Colômbia e o Brasil, até o dia 2 de janeiro.
Longas filas
Longas filas de pessoas - muitas
após dormir na rua - se formaram nos dias de fechamento da alfândega de San
Antonio. "Queremos passar!", gritavam na esperança de receber uma
autorização especial para passar por razões médicas e familiares, mas ela era
dada a conta-gotas.
A fronteira de 2.200 km entre
Venezuela e Colômbia esteve fechada entre agosto de 2015 e agosto de 2016 por
ordem de Maduro, após um ataque armado de supostos paramilitares colombianos
contra uma patrulha militar venezuelana.
Segundo alertam sindicatos, 75% do
comércio do lado venezuelano da área deve fechar. Tradicionalmente, San Antonio
e Cúcuta tiveram um intenso intercâmbio comercial.
Com o retorno temporário das notas
de 100, a situação se normalizou desde a tarde de segunda-feira.
Por France Presse

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