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© Foto: Nelson Jr/STF Ministro diz que divulgação de conteúdos
antes de homologação é um
assunto que o STF terá de discutir.
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O ministro
Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou, nesta terça-feira,
13, que os ministros do tribunal vão "ter que discutir com seriedade a
questão dos vazamentos" de delações premiadas.
"Isso é
muito sério. O vazamento seletivo. O vazamento antes de chegar a autoridade,
que no caso é o ministro Teori (Zavascki), que é o relator. São muitos os
problemas que precisam ser discutidos. O STF tem de tomar posição sobre
isso", disse Gilmar, antes da sessão da 2.ª Turma do Supremo.
Gilmar não
descartou a possibilidade de que delações vazadas venham a ser anuladas.
"Tem de ser examinado. O próprio relator tem de analisar. (Mas) É
possível", disse.
O ministro
observou que os vazamentos são crimes e as trazem consequências. "Às
vezes, uma consideração de índole pessoal, sem nenhuma imputação, a
acusação já se transforma na interpretação de vocês e no mundo político,
uma questão de grandes consequências. Não terá consequências penais, não terá
relevância do ponto de vista jurídico, mas vai ter consequência."
Após o
presidente Michel Temer pedir celeridade nas investigações em andamento, Gilmar
ponderou que a velocidade não é o preponderante no momento. "O que é
importante é, de fato, esclarecer esses episódios, os vazamentos, e resolver
esse tipo de questão. Não sei se se vai conseguir dar celeridade ou não a um
processo que é mega, que tem tantas delações", disse. Já houve
vários vazamentos de delações e interceptações telefônicas desde o início da
Lava Jato. Um dos mais emblemáticos foi o da conversa telefônica entre a então
presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em março
de 2016, divulgada pelo juiz Sergio Moro, da 13.ª Vara Federal de Curitiba. Na
sexta-feira passada foi divulgada a primeira das 77 delações de funcionários e
dirigentes da Odebrecht, atingindo Temer e o núcleo duro do governo federal,
além de dezenas de políticos. Outro vazamento emblemático foi o conteúdo da
delação do senador cassado Delcídio Amaral.
Ajustes
Mendes afirmou
que é "inevitável" fazer ajustes na legislação que prevê a delação
premiada — regulamentada na Lei 12.850, de 2013, que definiu organização
criminosa e foi sancionada pela ex-presidente Dilma Rousseff.
"Claro que
ela trouxe benefícios, mas vai precisar ser ajustada. Tudo que leva a esse
empoderamento leva a abusos. Hoje tem disputas entre o Ministério Público e a
Polícia Federal para quem vai ter acesso, porque eles sempre atribuem os
vazamentos à outra parte, pode ser os advogados também", opinou
Gilmar.

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