![]() |
Filhote de
tigre siberiano de apenas um mês e meio de vida
em zoológico particular na Hungria (Stringer/Reuters)
|
Há um século, a população de
tigres era de 100.000. Hoje, se resume a 3.500 animais. Dentes, ossos e pele
são utilizados em artigos de decoração
Estima-se que entre 20.000 e
30.000 elefantes são abatidos por ano ilegalmente. Desde 2007, o comércio
ilegal de marfim mais do que duplicou. O tráfico de vida selvagem ameaça
a biodiversidade do planeta e coloca em perigo de extinção espécies como os
elefantes, os rinocerontes e os tigres. O tráfico de espécies selvagens é, de
acordo com a Comissão Europeia, o quarto negócio ilegal mais lucrativo do
mundo, atrás apenas do tráfico de drogas, de seres humanos e do comércio de
armas. Estima-se que o lucro anual da atividade gire em torno de 8 bilhões a 20
bilhões de euros.
O Parlamento Europeu debate nesta
quarta e vota nesta quinta um relatório que aborda a forma como a UE e os
Estados-membros devem intensificar os esforços para combater o tráfico
de espécies selvagens. O documento foi elaborado pela eurodeputada
britânica Catherine Bearder, que defende a aplicação rigorosa das regras
existentes de combate ao tráfico e o reforço na cooperação entre países de
origem, consumidores e de trânsito.
“As causas são, sobretudo, a procura do
mercado e a falta de conhecimento do comprador. É mais fácil traficar marfim e
chifre de rinoceronte do que drogas. O marfim é mais valioso do que a platina.
[Os criminosos] enviam o marfim para a China e regressam da China com drogas ou
armas. É por isso que é necessário que a UE trabalhe em conjunto. Precisamos
que a Europol (Serviço Europeu de Polícia) lide com esse tipo de crime como um
crime organizado”, afirma Catherine.
Nos últimos anos, o tráfico
de vida selvagem alcançou níveis sem precedentes e a procura global
por fauna e flora selvagens e produtos derivados não para de aumentar, segundo
informações do Parlamento Europeu. Além disso, o baixo risco de detenção e as
elevadas contrapartidas financeiras atraem cada vez mais os criminosos
organizados, que utilizam os lucros para financiar milícias e grupos
terroristas. Os produtos traficados são vendidos por meio de canais legais e os
consumidores, muitas vezes, não estão conscientes de sua origem ilegal.
Em fevereiro deste ano, a Comissão
Europeia adotou um plano de ação para combater o tráfico de animais
selvagens. A região é origem, trânsito e destino do tráfico de espécies
ameaçadas de extinção e de espécimes vivos e mortos da fauna e da flora
selvagens. A UE destinou 700 milhões de euros para a aplicação do plano, entre
2014 a 2020.
As prioridades do plano de ação
são a prevenção do tráfico, a redução da oferta e da procura de produtos
ilegais da fauna e da flora selvagens, a aplicação das regras vigentes e o
combate à criminalidade organizada por meio da cooperação entre os serviços de
polícia competentes, designadamente a Europol. Também é prioridade a cooperação
entre os países de origem, de destino e de trânsito, incluindo apoio financeiro
da UE para proporcionar fontes de rendimento a longo prazo às comunidades
rurais que vivem em zonas de extensa fauna selvagem.
Espécies selvagens — Não
são apenas os animais que sofrem com o tráfico de vida selvagem. Esse crime põe
em risco também a sobrevivência de muitas espécies vegetais, como árvores de
madeiras tropicais, corais e orquídeas. O tráfico ainda gera corrupção, faz
vítimas humanas e priva as comunidades mais pobres de receitas que lhes são
necessárias.
Dados do Parlamento Europeu
mostram que enquanto em 2007, na África do Sul, foram mortos ilegalmente 13
rinocerontes, em 2015 o número subiu para 1.175 animais abatidos. A maioria dos
20.000 rinocerontes ainda existentes no mundo está naquele país. Os chifres do
animal são usados na medicina asiática para tratamentos diversos, inclusive de
câncer. Também são usados em joalheria e decoração.
Há um século, a estimativa é que a
população de tigres no mundo chegava a 100.000. Hoje, se
resume a 3.500 animais. Os dentes, os ossos e a pele são utilizados na
confecção de artigos de decoração, enquanto os ossos são usados pela medicina
tradicional asiática.
Os pangolins, que
também correm risco de extinção, são os mamíferos mais traficados do mundo.
Esses animais são consumidos como alimento e suas escamas são usadas para fins
medicinais. Estima-se que, entre 2007 e 2013, mais de 107.000 foram confiscados
como contrabando.
(Com Agência Brasil)

0 comentários:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!