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Nove anos após o início das investigações
ligadas ao senador Renan Calheiros (PMDB-AL) pelo Supremo Tribunal Federal, o
primeiro julgamento de denúncia contra o peemedebista foi marcado. O plenário
do Supremo decidirá na quinta-feira, 1.º de dezembro, se aceita a denúncia
contra Renan, o que faria dele réu pela primeira vez. A acusação é de peculato,
falsidade ideológica e uso de documento falso e foi formalizada em 2013.
De acordo com inquérito remetido
pela Procuradoria-Geral da União que será analisado pelo Supremo, Renan recebeu
propina pela construtora Mendes Júnior para apresentar emendas que
beneficiariam a empreiteira. Em troca, o peemedebista teria as despesas
pessoais da jornalista Monica Veloso, com quem mantinha relacionamento
extraconjugal, pagas pela empresa.
Na época, Renan apresentou ao
Conselho de Ética do Senado recibos de venda de gados em Alagoas para comprovar
um ganho de R$ 1,9 milhão, mas os documentos são considerados notas frias pelos
investigadores. O peemedebista chegou a renunciar à presidência do Senado quando
o escândalo veio à tona.
O inquérito em questão, de número
2593 e relatoria do ministro Edson Fachin, é um dos 12 relacionados a Renan no
Supremo. O último deles foi aberto na sexta-feira passada, 18, quando o
ministro Dias Toffoli autorizou a realização de diligências solicitadas pela
PGR. Os investigadores querem mais informações sobre uma movimentação
financeira de R$ 5,7 milhões de Renan, considerada incompatível com a renda do
parlamentar.
Se o plenário do STF aceitar a
denúncia contra Renan, o julgamento do processo pode ser realizado futuramente
por uma das Turmas da Corte e não pelo plenário. Isso porque o plenário do
Supremo se debruça apenas sobre as ações penais de parlamentares que presidem a
Câmara ou o Senado, mas Renan deixará a presidência do Congresso em 2017. Como
um parlamentar comum, o seu caso passa a ser analisado pela 1.ª Turma,
colegiado do qual Fachin faz parte.
Defesa. A assessoria
de Renan divulgou nota nesta noite de quarta-feira, em que diz estar
"tranquilo e confiante na Justiça brasileira". "O senador Renan
Calheiros (PMDB-AL) pediu oficialmente essa investigação ao Ministério Público
no ano de 2007 e é o maior interessado nesse julgamento", diz o texto.
O texto também dá a entender que o
processo em questão é contraditório. Na nota, a assessoria afirma que Renan
responde "ao mesmo tempo por ter e não ter recursos para fazer face à
despesa mencionada" no processo. Segundo a nota, o senador responde em um
inquérito por não ter os recursos e em outro por dispor de meios financeiros
antes inexistentes.
Por fim, a nota sustenta que, de acordo com a defesa do
senador, o processo não trata de contas pessoais que teriam sido, supostamente,
pagas por uma empresa. "Essa acusação, que perdurou por 10 anos, sequer
consta da denúncia", escreve.
Veja íntegra da nota:
O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) pediu oficialmente
essa investigação ao Ministério Público no ano de 2007 e é o maior interessado
nesse julgamento. A defesa do Senador esclarece ainda que o Ministério Público
não o denunciou por, supostamente, ter contas pessoais pagas por uma empresa.
essa acusação, que perdurou por 10 anos, sequer consta da denúncia.
O senador está tranquilo e, como sempre, confiante na
Justiça brasileira sublinhando que, neste episódio, responde - ao mesmo tempo -
por ter recursos para fazer face à despesa mencionada e por não dispor dos
recursos. Em um inquérito o senador responde por não ter os recursos. Em outro
por dispor dos meios financeiros antes inexistentes.
Assessoria de Imprensa
Presidência do Senado Federal
Estadão

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