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Cabral de
frente e de perfil já preso em Bangu 9: um
marco de
novos tempos (VEJA)
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Levado à cadeia na Operação
Calicute, ex-governador do Rio de Janeiro disse à PF desconhecer esquema que,
segundo delatores, desviou R$ 224 milhões
Preso pela Operação Calicute, desmembramento da Operação Lava Jatodeflagrado na semana
passada, o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral disse em depoimento à Polícia Federal e aos
procuradores do Ministério Público Federal que tem a “consciência tranquila”
quanto ao que chama de “mentiras absurdas” contidas nas delações premiadas que
o incriminam. Conforme funcionários de alto escalão das empreiteiras Andrade
Gutierrez e Carioca Engenharia, Cabral comandou um esquema de arrecadação de
propina que desviou mais de 220 milhões de reais de contratos públicos do
estado do Rio de Janeiro.
Embora as investigações e delações
apontem que 5% dos contratos com empreiteiras fossem direto a Cabral, o
ex-governador negou ter recebido dinheiro sujo. Segundo Cabral, suas relações
com estas empresas eram institucionais. “Sempre atendia executivos das diversas
construtoras quando era procurado ou até quando os convocava para eventual
controle de obras”, garante o ex-governador, encarcerado no presídio de Bangu 8.
O peemedebista também disse
desconhecer a “taxa de oxigênio”,
apelido pelo qual seu ex-subsecretário de Obras Hudson Braga se referia à
propina de 1% coletada em contratos com as empreiteiras.
Questionado sobre suas relações
com Carlos Emanuel Carvalho Miranda, apontado pelas investigações como operador
financeiro de Sérgio Cabral, e as constantes visitas dele à sede de
empreiteiras, o ex-governador reconheceu que recebia auxílio de Miranda em sua
vida financeira particular, mas mais uma vez negou ter delegado a ele a função
de carregador de malas de dinheiro.
“O indiciado esclarece que
desconhece tais fatos e que o próprio Carlos Miranda poderá melhor esclarecer
os fatos, que indagado se Carlos Miranda cuidava de sua contabilidade e/ou
pagamentos relativos às suas despesas, o indiciado esclarece que não, mas em
algumas vezes organizou o seu imposto de renda”, diz o depoimento de Sérgio
Cabral à PF e ao MPF.
Sobre o empreiteiro e ex-amigo
Fernando Cavendish, seu companheiro em nababescas viagens à Europa, sobretudo à
França, Sérgio Cabral disse que a amizade durou de 2001 a 2012, quando o
governo do Rio, seguindo um parecer da Procuradoria Geral do Estado (PGE) e da
Controladoria Geral da União (CGU), declarou inidônea a Delta Construções, de
Cavendish.
Embora a empreiteira do ex-amigo
tenha se tornado uma campeã de contratos públicos entre 2007 e 2012, quando
faturou 11 bilhões de reais em obras públicas, mais de 96% do seu faturamento,
Cabral garante que o governo de Rosinha Garotinho no Rio foi ainda mais
generoso com a Delta. “Antes mesmo de assumir como governador do estado em
2007, [a Delta] já era a maior contratante com os órgãos públicos municipais e
estaduais. Que a Delta faturou valores mais elevados durante a gestão da
ex-governadora Rosinha Garotinho do que durante o seu mandato como governador
do estado do Rio de Janeiro”, declarou Cabral.
‘Não se lembra’ de compras
de joias
Os policiais federal e
procuradores questionaram Sérgio Cabral a respeito de compras, efetuadas sempre
em dinheiro em espécie, em joalherias
badaladas do Rio de Janeiro, como H. Stern, Antônio Bernardo e Sara
Joias. O Ministério Público Federal acredita que ele lavou parte do
dinheiro desviado a partir das peças de luxo, mas Cabral diz não se lembrar das
aquisições.
“O indiciado esclarece que não se
recorda sobre tais compras. Que indagado de onde saca esses valores quando paga
em dinheiro em espécie, o mesmo relata que não se recorda de tais compras; que
indagado sobre compra de joias em espécie, quando era Deputado e Senador, bem como
compras efetuadas por seus filhos em espécie, o indiciado afirma que não se
recorda”.
Veja.com

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