Jeanette Anza, presa em 2014 com
um revólver no aeroporto de Guarulhos, era funcionária do chanceler Elías Jaua.
Ela fugiu depois de ganhar um habeas corpus
Um dia antes do segundo turno das
eleições presidenciais de 2014, que deram à Dilma Rousseff o seu segundo
mandato, a venezuelana Jeanette del Carmen Anza foi presa no aeroporto de Guarulhos
ao tentar entrar no Brasil com uma arma. Babá dos filhos do então
ministro-chefe das milícias bolivarianas da Venezuela, Elías Jaua, Jeanette foi
solta depois de passar seis dias na cadeia. Ela foi beneficiada por um habeas
corpus concedido pelo desembargador federal José Lunardelli, apesar de a defesa
de Jeanette não ter sido capaz de apresentar atestados de primariedade e
comprovante de residência fixa. A babá imediatamente embarcou em um voo
para Brasília e lá permaneceu até partir para Venezuela no dia 22 de dezembro
daquele ano, em um voo comercial, que fez conexão na Cidade do Panamá.
Desde junho de 2015, portanto há
dezoito meses, as autoridades brasileiras tentam intimar Jeanette, que foi
denunciada pelo Ministério Público Federal. Os oficiais de Justiça foram à sede
do Consulado da Venezuela – local indicado pela defesa como sendo o de
correspondência de Jeanette – mas deram com a porta na cara. Lá, eles foram
informados que ninguém conhece a babá.
A Justiça Federal de Guarulhos,
por meio do Ministério da Justiça, acionou a Interpol para tentar localizar
Jeanette. Em agosto passado, a representação brasileira da polícia
internacional foi informada que o paradeiro da babá é desconhecido. Os
policiais venezuelanos (que surpresa) não disponibilizam os dados. A última
informação da babá era um registro de viagem a Cuba, de onde ela retornou em
maio.
A maleta que Jeanette carregava
pertencia ao patrão Elias Jauá. Além do revólver calibre 38, a bolsa continha
uma série de documentos. As centenas de páginas foram classificadas pelo
delegado Enio Salgado, que chefiava o plantão na delegacia da PF no Aeroporto
de Guarulhos, como sendo de “cunho eleitoral e doutrinário”. A papelada foi
apreendida e cópias foram enviadas para a Justiça Federal, que mandou lacrar os
material e trancá-lo em um cofre da Polícia, onde se encontra até hoje.
A visita quase secreta de Jaua
durante as eleições presidenciais no Brasil levantou uma série de suspeitas.
Especialistas em operações clandestinas, ele se encontrou com militantes
do MST, que naquele momento ameaçavam “incendiar” o Brasil em caso de derrota
de Dilma Rousseff.
Membro do alto comando do chavismo
– já foi vice-presidente e hoje é chanceler –, Jaua militou em movimentos de
esquerda armada de orientação castrista. Com a chegada de Hugo Chávez ao poder,
ele ganhou o comando da Frente Francisco de Miranda. Trata-se da milícia mais
radical do bolivarianismo, cuja missão é reprimir e amedrontar os cidadãos que
não apoiavam a “revolução” proposta por Chávez.
Mais de 120 000 jovens recrutados
pela Frente já passaram por um adestramento ideológico em Cuba. Na Venezuela,
eles ocupam cargos públicos, fazem parte dos coletivos armados e aparecem
sempre que o governo precisa “defender a revolução bolivariana”.
O sumiço de Jeanette pode levar o
Ministério Público Federal a pedir a revogação da liberdade provisória da babá
e pedir a sua prisão. Com essa medida, ela passará a ser considerada foragida e
uma ordem internacional de prisão impedirá que ela siga rodando o mundo na
companhia da família do chefe.
Veja.com

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