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Presidente
da Colômbia, Juan Manuel Santos, e líder das Farc,
Rodrigo
Londoño, durante assinatura de acordo
(Foto: LUIS ROBAYO/AFP)
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Governo possui maioria no
Congresso para aprovar novo acordo, mas oposição anunciou que irá fazer de tudo
para impedir implementação.
O governo colombiano e as Forças
Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) firmaram pela segunda vez em dois
meses um acordo de paz para acabar com um conflito armado que dura 52 anos, em
mais uma cena de uma novela que se recusa a acabar.
Esperava-se que a cerimônia no dia
26 de setembro em Cartagena fosse antecipar o grande final do conflito, então a
ser ratificado por referendo. Mas o "Não" ao acordo venceu a consulta
popular - e a história ganhou novos capítulos.
Esta seria uma maneira possível de
explicar o que está acontecendo no país, que produziu novelas de sucesso como
Betty, a Feia ou Café com Aroma de Mulher - que chegaram, por exemplo, ao
Brasil.
Normalmente, seguidores de tais
novelas de TV estão acostumados a assistir cada episódio de forma a ficarem
amarrados às tramas, que geralmente têm final feliz.
Em Betty, a Feia, o galã terminou
casando com a protagonista, que era uma mulher bonita, mas que parecia mal
arrumada.
Quem acompanha as negociações de
paz com as Farc se surpreendeu quando, há quase dois meses, foi assinado em
Cartagena das Índias o primeiro "acordo final".
Foi uma cerimônia marcante com a
participação de milhares de pessoas, incluindo várias personalidades
internacionais.
A festa foi estragada seis dias
depois, quando um referendo sobre o acordo foi vencido pelos partidários do
"Não", por mais de 50 mil votos.
E o resultado caiu literalmente
como um balde de água fria nos partidários do acordo.
O resultado do referendo
ressuscitou o drama e reiniciou a novela, onde os protagonistas - governo e
Farc - já tinham apertado as mãos em mais de uma ocasião.
Parte do público se emocionou
quando o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, ganhou o prêmio Nobel da
Paz, em outubro.
A expectativa aumentou quando seu
governo teve de se reunir com a oposição, ouvir suas propostas e concordar em
tempo recorde com a guerrilha em várias alterações no texto, negociado
anteriormente em Havana por quatro anos.
Agora, apesar das mudanças nas
medidas de punições a combatentes e indenização a vítimas, o novo acordo não
satisfez os defensores do "Não" no plebiscito, entre eles o popular
ex-presidente Alvaro Uribe e o Partido Conservador.
Esses setores não querem que,
depois de desarmados e desmobilizados, os membros das Farc possam participar da
vida política se não houver contra eles processos judiciais e penas para
cumprir.
Uribe e os conservadores querem,
em vez de "penas restritivas de liberdade", que combatentes
responsáveis por crimes no conflito sejam presos. Mas governo e guerrilheiros
não cederam nesse ponto.
Embora o governo tenha negado, a
oposição continua a dizer que o novo acordo é mais benevolente com os
ex-guerrilheiros do que com os agentes do Estado.
Nesta quinta-feira, o governo e as
Farc selaram a paz pela segunda vez. Eles fizeram isso em uma cerimônia bem
mais discreta, com apenas 800 pessoas em um local que tem sido cenário de
grandes dramas há mais de 124 anos: o Teatro Colón, em Bogotá.
Embora a oposição tenha
pressionado por um novo referendo, que poderia derrubar o acordo novamente,
Santos afirmou que a ratificação do documento será feita no Congresso, onde o
governo tem ampla maioria.
A oposição anunciou que irá fazer
tudo o que estiver ao seu alcance para impedir a adoção do novo pacto.
Aliados de Uribe querem que o
Congresso revogue o acordo, o que é improvável - o ex-presidente convocou
"resistência civil" contra o novo documento.
Em paralelo, a Corte
Constitucional esclarece que se as reformas forem levadas para o Congresso
poderiam ser processadas na metade do tempo, a implementação das reformas de
anistia, reforma rural e a participação política serão feitas gradualmente - e
tomarão mais tempo.
O presidente da Colômbia, Juan
Manual Santos, ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 2016
A implementação do turbulento
acordo de paz com as Farc ocorre em meio a ameaças contra líderes de movimentos
sociais em áreas que historicamente foram cenário de conflitos armados. E
também começa a aquecer os motores da campanha presidencial de 2018.
E já começam a circular os nomes
de possíveis candidatos à sucessão de Juan Manuel Santos, incluindo vários
defensores do "Não" ao acordo, como a ex-ministra Martha Lucía
Ramirez e o ex-procurador Alejandro Ordóñez.
Esta novela, portanto, pode ter
tido hoje um capítulo relativamente feliz, mas o drama ainda não acabou.
BBC

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