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Cabral
se disse indignado com as denúncias e afirmou ter
a
‘consciência tranquila quanto às mentiras absurdas’.
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Com a ‘consciência tranquila’,
ex-governador diz que responsabilidade por vários contratos relacionados à
secretaria de Obras é do atual governador do Rio
Foi um longo depoimento de 17
páginas. O ex-governador Sergio Cabral Filho repetiu a frase ‘não se recorda’
16 vezes. Em outras 11 perguntas respondeu ‘não saber precisar ou esclarecer’.
Disse ‘desconhecer’ os fatos a ele questionados em 21 respostas. E negou outras
dez vezes. Preso na última quinta-feira sob a acusação de comandar um esquema
de corrupção que teria desviado cerca de 224 milhões de reais dos cofres do Rio
de Janeiro, Cabral se disse indignado com as denúncias e afirmou ter a
‘consciência tranquila quanto às mentiras absurdas’. Ao final do termo, colocou
no colo de seu ex-vice e sucessor no Palácio Guanabara, Luiz Fernando Pezão, a
responsabilidade pelos contratos de reforma do Maracanã e outros relacionados à
secretaria de Obras.
O ex-governador, na verdade, foi
instado pelos seus advogados, que após o interrogatório dos procuradores do MPF
e da Polícia Federal, começaram a fazer perguntas. A primeira delas justamente
sobre a licitação de reforma para a Copa do Mundo de 2014. “…que se iniciou na
gestão Pezão, como secretário de Obras, tendo sido concluída na gestão de
Hudson Braga”, afirmou Cabral. Sua defesa fez questão de frisar, ainda, que
raras foram as vezes em que Cabral esteve no canteiro das obras, lembrando que
esta era uma atribuição dos secretários da pasta: “Ambos (Pezão e Hudson)
efetuaram diversas visitas à obra, e o indiciado (Cabral) apenas umas duas
vezes”, descreve o depoimento prestado na sede da PF.
Já no início do questionamento
Cabral fez questão de dizer que não ter relacionamento próximo com Hudson
Braga, tendo conhecido entre 2006 e 2007 através de Pezão. Hudson – que divide
a mesma cela C6 com o ex-governador dentro de Bangu 8 – de acordo com as
investigações da Operação Calicute, cobrava 1% de todas as obras como ‘taxa de
oxigênio’, algo que Cabral, claro, disse não ter conhecimento. Sobre José
Orlando Rabello (apontado como um dos operadores da propina e ligado
diretamente a Hudson), Cabral afirmou saber “que ele exercia uma função na
secretaria de obras no período em que Pezão estava a frente da pasta”.
Cabral confirmou o relacionamento
com o empreiteiro Fernando Cavendish, da Delta Construções, investigada na Lava
Jato justamente por ter sido beneficiada na obra do Maracanã. Mas acrescentou:
“Pezão possuía contato com Fernando Cavendish e outros empreiteiros que
tratavam com sua pasta”. Procurado, Pezão ainda não se manifestou sobre as
declarações de seu antecessor e guru político.
Questionado sobre as compras de
joias em quatro diferentes joalherias – algumas com compras de até 100 000
reais – o ex-governador confirmou ter feito uma ou duas compras em duas delas
(H Stern e Antonio Bernardo), mas disse não se recordar se havia pago em
dinheiro ou utilizado o cartão de crédito. No segundo caso, porém, uma
funcionária chegou a afirmar que Cabral era um cliente que pagava sempre em
espécie. O ex-governador disse não se lembrar dessas compras. Sobre compras
feitas em outras duas lojas (Amsterdam Sauer e Sarah Joias), também não se
recorda.
Sergio Cabral declarou que a
empresa que criou em 2014, a Objetiva, presta consultoria para a Creação Opção
Jeans, de propriedade de um amigo, Gustavo Mohammad, há cerca de um ano. A PF
descobriu que a empresa pagou mais de 670 para a Objetiva pelos serviços.
Questionado se poderia apresentar, em 24 horas, relatórios, levantamentos ou
pareceres produzidos nesta assessoria, o ex-governador disse “não, porque os
aconselhamentos se davam de forma mais pessoal”. Cabral negou ter conhecimento
da relação da TransExpert com a Creação. De acordo com os investigadores, a
transportadora de valores depositou, em espécie, mais de 25 milhões na conta da
Creação, dinheiro que seria oriundo de propina.
Ao ser perguntado se alguma vez
foi beneficiado com contratos, pagamentos de propina e realização de contratos
de auditorias por empresas que receberam incentivos fiscais, Cabral disse que
não e que “toda a sua política foi voltada para o crescimento econômico do
Estado”. Os quase 200 bilhões de isenções fiscais concedidos durante o seu
governo poderão ser alvo de uma CPI na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro
(Alerj).

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