![]() |
Pelo menos
300 pessoas protestara,, em frente a Alerj contra
o pacote de
austeridade proposto por Pezão
Luiza Sansão
/ Agência O Dia
|
Incluída no pacote anticrise do
governo, medida previa o fim do programa em junho de 2017
A Assembleia Legislativa do Rio
(Alerj) aprovou por unanimidade, nesta terça-feira, a anulação de um decreto do
governador Luiz Fernando Pezão que determinava a extinção do Aluguel Social a
partir de junho do ano que vem. O corte no programa, dirigido a 10 mil famílias
que perderam suas casas, estava previsto no pacote de austeridade do governo
para combater a crise no estado.
A manutenção do Aluguel Social foi
possível porque os 70 deputados assinaram projeto de decreto legislativo,
apresentado pela bancada do Psol e aprovado em votação nesta
terça-feira. O deputado estadual Marcelo Freixo (Psol) disse que esta foi
uma “importante vitória do parlamento” e destacou ter sido a primeira vez que
um decreto legislativo derruba um do Executivo. “Ele (Pezão) fez por decreto,
porque sabia que na Assembleia não aprovaria isso”, reforçou o parlamentar.
“O governo, que teoricamente tem
uma base aliada que lhe dá uma folgada maioria, teve uma iniciativa cancelada
por um decreto legislativo proposto por 70 deputados. Isso é um sintoma
claríssimo do derretimento da sustentação do governo na Casa”, declarou o
deputado Carlos Osorio (PSDB).
Segundo o governo, a extinção do
programa, custeado com o Fundo Estadual de Habitação e Interesse Social,
geraria economia de R$ 74,1 milhões ao ano. O benefício é pago a 9.640
famílias, das quais 5.140 foram removidas por estarem em áreas de risco e
4.500, por obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Pessoas que dependem do benefício
acompanharam a votação nas galerias e comemoraram. “Nós morávamos em um terreno
e fomos retirados pelo estado com a promessa de que seríamos realocados. Não é
justo não receber o pagamento do aluguel sem ter as nossas casas”, afirmou a
dona de casa Débora Rodrigues, moradora de São Gonçalo.
Dois projetos de resolução da Mesa
Diretora que preveem a extinção dos automóveis oficiais da Alerj, a partir de
dezembro de 2018, e de sessões solenes fora do horário de expediente da Casa
(para evitar o pagamento de horas extras) e de coquetéis, saíram de pauta
porque receberam 17 emendas, ao todo. A votação do pacote anticrise será
realizada entre 6 e 15 de dezembro. Das 22 propostas enviadas pelo Executivo,
nove não estão mais em discussão.
Do lado de fora, manifestações
e mais bombas de gás
Logo pela manhã, por volta das
10h, antes de os deputados iniciarem as discussões sobre medidas, como a volta
do programa ‘Aluguel Social e o corte de regalias, como os carros oficiais,
manifestantes começaram a se reunir nos arredores da Alerj. Com cartazes e
alto-falantes, cerca de 400 pessoas, entre servidores das áreas de Segurança,
Educação, Saúde e Justiça bradaram contra o pacote enviado pelo governador Luiz
Fernando Pezão para conter a crise no estado.
No início da tarde, houve um
princípio de tumulto, quando alguns servidores começaram a balançar as grades
que cercam a Alerj e os policiais lançaram bombas de gás e spray de pimenta
contra os manifestantes.
Em meio ao protesto, sob uma tenda
branca, policiais militares recebiam doações. “Estamos arrecadando alimentos
para distribuir em cestas básicas para os servidores que estão com salários
atrasados, os pensionistas que nem receberam e estão com as contas atrasadas
porque estão deixando de pagar conta pra comprar alimento”, explicou o PM
reformado André Rios. Funcionário aposentado da Seap, Mário Neto, 62, reclamava
que estava há mais de 50 dias sem receber.
Entre os servidores da Educação,
havia 46 funcionários da Uenf que fretaram um ônibus de Campos para o Rio.
Segundo o técnico em Meio Ambiente, Cristiano Peixoto Maciel, a universidade
não recebe verba do Estado há 14 meses. “Temos equipamentos de milhões que
estão sendo desativados e, para serem reativados, requerem um gasto de outros milhões
de reais”, disse.
Cidinha Campos é hostilizada em
restaurante
Durante o ato, um grupo de
manifestantes descobriu que a deputada Cidinha Campos (PDT) estava almoçando em
um restaurante no Paço Imperial, que fica ao lado da Alerj, e invadiu o estabelecimento.
Eles gritavam "au au au, capacho do Cabral", relembrando da amizade
dela com o ex-governador Sérgio Cabral, que foi preso pela Operação Calicute
neste mês.
Procurada pelo DIA,
Cidinha repudiou a ação e contou que os manifestantes a xingaram. "Eles
não sabem mais o que é cobra e o que é cachorro. Votei a vida toda a favor do
servidor. Quando chegaram as emendas, fui a primeira a pedir a saída do
Pezão", afirmou a parlamentar.
A deputada lembrou ainda que
muitos manifestantes estavam mascarados no restaurante. "Tem muita gente
infiltrada. Eu estava almoçando. Meu amigo estava comemorando o aniversário
dele e pediu um champanhe. O que eu tenho a ver com isso?", questionou
Cidinha.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!