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O presidente
da Colômbia, Juan Manuel Santos, fala sobre assinatura
de acordo de paz com as Farc (Foto: John
Vizcaino/Reuters)
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Juan Manuel Santos ganhou o Nobel
da paz por acordo com as Farc. Referendo rejeitou proposta, mas Santos tenta retomar processo.
O processo de paz na Colômbia recebeu
nesta sexta-feira (7) um forte apoio com o Nobel da Paz concedido ao presidente
Juan Manuel Santos, mas os analistas alertam que não será fácil salvar o acordo
rejeitado em um referendo pelos colombianos.
Santos redobrou sua aposta
pela paz nesta semana, depois que os colombianos rejeitaram em referendo o
pacto selado com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc)
para acabar com mais de meio século de conflito armado, e alcançado depois de
quatro anos de negociações em Cuba.
O caminho agora será árduo: Santos
terá de alcançar um acordo com a oposição, que já pediu ajustes, e depois
deverá negociar para que as Farc aceitem estas alterações.
"Este apoio do Comitê Nobel e
da comunidade internacional vai fortalecer Santos e os esforços de resgatar o
processo", afirmou o analista político americano Marc Chernick. "O
governo está procurando uma saída em duas frentes: com a oposição e com as
Farc. Os dois disseram estar dispostos a dialogar para sair da crise, mas até
agora as Farc não disseram que renegociarão o acordo", acrescentou.
Chernick duvida que se possa mudar
muita coisa no pacto selado em 26 de setembro.
"Não creio que haja muita
margem de manobra para mudar o acordo já alcançado; se chegarem a alguma
emenda, será algo cosmético. E existe uma pressão de tempo para salvar o
acordo. Não vai ser fácil", enfatizou.
"É preciso ver se é possível
chegar a um consenso nacional, que venha a incluir o ELN", acrescentou,
referindo-se ao Exército de Libertação Nacional, segunda guerrilha da Colômbia,
que nos últimos dias deu sinais de estar disposta a sentar à mesa de
negociações anunciada em março.
Somar o ELN permitiria encerrar um
conflito que ao longo de décadas envolveu guerrilhas de esquerda, paramilitares
de direita e agentes estatais, com um saldo de mais de 260 mil mortos, 45 mil
desaparecidos e 6,9 milhões de deslocados.
Tempo crucial
Um dia antes de se reunir com o ex-presidente e adversário Álvaro Uribe, a quem não via há mais de cinco anos, Santos insistiu em tomar medidas urgentes.
Um dia antes de se reunir com o ex-presidente e adversário Álvaro Uribe, a quem não via há mais de cinco anos, Santos insistiu em tomar medidas urgentes.
"Não podemos prolongar este
processo e este diálogo por muito tempo, porque estamos em uma zona cinzenta,
em uma espécie de limbo, que é muito perigoso e muito arriscado, e pode jogar
por terra todo o processo", afirmou.
A fim de resolver o impasse,
colocou como prazo até 31 de outubro para o cessar-fogo com as Farc, que rege
de maneira bilateral desde 29 de agosto.
"Daí para frente continua a
guerra?", perguntou, no Twitter, o comandante máximo das Farc, Rodrigo
Londoño (Timochenko), ao que o próprio Santos respondeu mais tarde,
esclarecendo que "pode ser renovado".
Para a analista política Laura
Gil, o tema é complexo. Ela não descarta que o presidente ponha fim ao
cessar-fogo se "não houver um mapa do caminho claro e definido antes do
dia 31", aumentando a pressão contra a oposição. "A oposição está em
pânico, porque sabe que o primeiro morto cairá sobre sua cabeça",
assinalou.
O diretor do centro de análises
Cerac, Jorge Restrepo, explica que o cessar-fogo "era subordinado ao
acordo", por isso adverte que a rejeição do pacto no referendo "supõe
o reinício do conflito".
"Decisão militar
lógica"
A cúpula das Farc defende uma "mobilização pacífica" para apoiar o acordo com o governo, celebrando nas redes sociais as marchas pela paz realizadas esta semana na Colômbia, como em várias cidades do mundo. Mas, ao mesmo tempo, ordenou a seus integrantes que fiquem em local seguro para "evitar provocações de quem se opõe ao acordo de paz".
A cúpula das Farc defende uma "mobilização pacífica" para apoiar o acordo com o governo, celebrando nas redes sociais as marchas pela paz realizadas esta semana na Colômbia, como em várias cidades do mundo. Mas, ao mesmo tempo, ordenou a seus integrantes que fiquem em local seguro para "evitar provocações de quem se opõe ao acordo de paz".
Antes do referendo, as Farc
começaram a transferir 5.765 combatentes, segundo suas próprias cifras, para os
27 pontos acertados para a deposição de armas, dando início assim a sua
reinserção na vida civil. O processo, sob supervisão da ONU, deveria durar 180
dias a partir das assinatura do acordo.
Agora, ante a incerteza sobre o
processo de paz, os guerrilheiros reunidos no sul do país para a décima
conferência das Farc, que apoiou o pacto, voltaram na quinta-feira para seus
acampamentos.
"É uma decisão militar
lógica: o acordo ficou congelado em sua implementação", explicou à AFP o
coronel reformado Carlos Alfonso Velásquez, que dá aulas sobre o conflito na
Universidade de Sabana.
O especialista atribuiu a medida a
"uma desconfiança moderada" das Farc, que continuam sendo uma
organização à margem da lei.
"Este é um conflito com
características tênues de guerra civil, mas se não for resolvido
satisfatoriamente para todos, pode se reativar já como uma guerra civil com
características mais duras", advertiu.
France Presse

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