O ex-presidente é acusado dos
crimes de tráfico de influência, lavagem de dinheiro, organização criminosa e
corrupção passiva na Operação Janus
O ex-presidente Luiz Inácio Lula
da Silva foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) pelos crimes de
tráfico de influência, organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção
passiva na Operação Janus — que investiga negócios suspeitos em Angola com
dinheiro do BNDES. O sobrinho do petista Taiguara Rodrigues dos Santos, que
tinha contratos milionários com a Odebrecht no país africano, também foi
denunciado por organização criminosa e lavagem de dinheiro. Além deles, Marcelo
Odebrecht, dono da maior empreiteira do país e preso na Operação Lava-Jato, foi
denunciado por organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa.
Conforme VEJA antecipou há duas
semanas, os investigadores encontraram “indícios de vantagens auferidas pelo
ex-presidente e seus familiares em decorrência de supostos serviços prestados”.
No esquema mapeado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, Lula
atuava como “verdadeiro lobista da construtora Odebrecht”. Formalmente, a
empreiteira contratava o ex-presidente para dar palestras em países da América
Latina e da África, onde a empresa desenvolve projetos bilionários financiados
com dinheiro do BNDES. Ao todo, o petista recebeu 7,6 milhões de reais da
Odebrecht em sua empresa, a L.I.L.S., e em doações ao Instituto Lula. Nessas
andanças pelo exterior, o ex-presidente se encontrava com chefes de Estado e
autoridades estrangeiras com os quais discutia assuntos do interesse da
construtora — que, por sua vez, contratou a Exergia Brasil, empresa de Taiguara
Rodrigues, para ajudar numa obra em Angola.
O sobrinho de Lula, mesmo sem
experiência no ramo de engenharia, recebeu 7 milhões de reais da Odebrecht. Uma
parte desses recursos foi usada para pagar uma viagem a Cuba de Fábio Luis,
filho mais velho do ex-presidente conhecido como Lulinha, e despesas pessoais
de José Ferreira da Silva, conhecido como “Frei Chico”, irmão de Lula. A
Exergia Brasil, segundo os investigadores, financiou até a campanha de Luiz
Marinho, amigo do ex-presidente, em São Bernardo do Campo, em 2012.
A existência do negócio suspeito
entre Taiguara e a Odebrecht foi revelada por VEJA em fevereiro de 2015. Antes
de assinar contratos milionários com a empreiteira, Taiguara era dono de uma
pequena vidraçaria em Santos, no litoral paulista. De uma hora para a outra,
virou empreiteiro, comprou uma cobertura luxuosa, enamorou-se por carrões e
ostentou riqueza nas redes sociais. Na esteira das viagens internacionais do
tio Lula, prospectou negócios na América Central e na África. Taiguara, que
sempre negou qualquer favorecimento da Odebrecht, é filho de Jacinto Ribeiro
dos Santos, o Lambari, amigo de Lula na juventude e irmão da primeira mulher do
ex-presidente. Funcionários do governo e executivos de empreiteiras costumavam
identificá-lo como “o sobrinho do Lula”.
A investigação conduzida pelo MPF
e pela PF começou em abril do ano passado e focou os empréstimos concedidos
pelo BNDES para a Odebrecht entre 2008 e 2015, especificamente em Angola, por
causa das condições camaradas. Segundo o MPF, na comparação entre dez países
que receberam financiamentos públicos do banco estatal, o país africano teve um
dos menores prazos médios de concessão dos empréstimos, celebrou a maior
quantidade de contratos e recebeu o maior volume de dinheiro, com a menor taxa
de juros.
Essa é a terceira vez que Lula é
denunciado pelo Ministério Público Federal. Em julho passado, o ex-presidente
foi denunciado por ter comandando um esquema para obstruir a Operação
Lava-Jato. De acordo com o procurador Ivan Cláudio Marx, Lula “impeliu a adoção
de medidas para a compra do silêncio de Nestor Cerveró”, ex-diretor da
Petrobras envolvido no escândalo do petrolão. A intenção do ex-presidente, que
contou com a ajuda do ex-senador Delcídio do Amaral e do pecuarista José Carlos
Bumlai, era evitar que Cerveró fechasse um acordo de delação premiada com a
Lava-Jato, o que comprometeria o PT. Poucos dias depois, a Justiça Federal no
Distrito Federal aceitou a denúncia do MPF — e Lula sentou pela primeira vez no
banco dos réus. A primeira audiência dessa ação está marcada para o próximo dia
8 de novembro. Mais recentemente, em 14 de setembro, o ex-presidente foi
denunciado pela força-tarefa da Lava-Jato pela prática dos crimes de corrupção
passiva e lavagem de dinheiro. Lula, que foi apontado pelo MPF como o
“comandante máximo” do esquema do petrolão, recebeu 3,7 milhões de reais em
propinas da construtora OAS. No dia 20 de setembro, a denúncia foi aceita pelo
juiz federal Sergio Moro, e o ex-presidente se tornou, mais uma vez, réu.
Agora, caberá à Justiça Federal no Distrito Federal decidir se acolherá a nova
acusação apresentada pela Procuradoria da República em Brasília.

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