Secretário de Segurança pediu
exoneração do cargo. Substituto dele na pasta ainda não foi escolhido.
O governo do Rio de Janeiro
confirmou nesta terça-feira (11) que o secretário de Segurança Pública do
estado, José Mariano Beltrame, deixará o cargo após quase dez anos à frente da
pasta. Sua saída está prevista para depois do segundo turno das eleições.
Beltrame foi quem pediu demissão, segundo o governo, e seu substituto ainda não
foi escolhido.
No cargo desde janeiro de 2007,
Beltrame foi responsável pela implantação do projeto de Polícia Pacificadora,
que instalou UPPs nas principais favelas. Ele pediu a exoneração nesta
segunda-feira (10) logo após intenso confronto que disseminou clima de tensão
em Copacabana, Zona Sul do Rio, durante operação na comunidade do
Pavão-Pavãozinho. Três suspeitos morreram e oito foram presos.
'Ele está cansado'
Antes da assessoria do governo
confirmar a saída do secretário, o governador licenciado do Rio de Janeiro,
Luiz Fernando Pezão, disse nesta manhã, em Brasília, que pretende pedir a Beltrame que fique no governo até o fim da
gestão, em dezembro de 2018. No entanto, Pezão disse que o secretário está
“cansado” e, por isso, não poderá exigir a permanência dele no cargo.
“Eu não tive a oportunidade de falar com ele.
Se eu tiver a oportunidade, vou pedir para ele que fique até o fim do governo.
Agora eu também não posso exigir que uma pessoa que está há 10 anos à frente da
segurança pública continue. Eu me preocupo muito, porque ele está
cansado."
Pezão afirmou ainda que em
novembro, quando voltará da licença médica, deverá ter uma conversa com
Beltrame. “Ele respeitou muito a minha doença. Ele falou: ‘Pezão, eu vou
esperar você voltar para a gente conversar’. E eu volto em novembro”, afirmou
Pezão.
Gaúcho, José Mariano Beltrame
ingressou na Polícia Federal em 1981. Antes de ser nomeado secretário de
Segurança, ele foi coordenador da Missão Suporte, chefe do Serviço de
Inteligência e da Interpol na Superintendência da PF no Rio de Janeiro.
Operação em Copacabana
Nesta terça-feira, Beltrame disse
que a polícia "cumpriu o seu papel" na operação policial que terminou
com três mortos e oito presos em Copacabana na tarde de segunda. O comandante
da Unidade de Polícia Pacificadora [UPP] do Pavão-Pavãozinho ficou ferido.
"As imagens produzidas ontem
são péssimas para a cidade, mas a polícia não pode se omitir e, mais uma vez,
cumpriu seu papel. Ontem, a UPP e o Comando de Operações Especiais evitaram
novamente uma guerra entre quadrilhas", escreveu Beltrame por meio de uma
rede social.
Segundo Beltrame, uma das
quadrilhas ameaça invadir outros morros da Zona Sul desde que um criminoso
obteve indulto do Dia das Mães. "A exemplo do São Carlos e Turano, com
inteligência policial antecipamos, neutralizamos e prendemos. Este trabalho foi
possível pela presença da UPP e o trabalho integrado com o COE."
Do G1 Rio

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