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Crianças
iraquianas estão isoladas por causa dos combates contra o EI
( Fotos: Zohra
Bensemra/ Alaa Al-Marjani / Reuters)
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Há mais de 1.350 civis que estão
isolados perto de Mosul
Pelo menos três crianças morreram
de fome nesta segunda-feira depois de passarem vários dias isoladas com suas
famílias em uma região ao norte da cidade de Mosul, no Iraque, local onde
acontecem combates entre as tropas iraquianas e os jihadistas do grupo Estado
Islâmico (EI). A região está isolada e a população civil está presa, sem poder
receber produtos.
O governador de Talkif, Basim
Yaqub Belu, informou que a morte das três crianças aconteceu no vale Al Ahmar,
situado entre a comarca de Talkif e a região de Batnaya, ao norte de Mosul.
Belu detalhou que há mais de 1.350 civis que se encontram isolados nesse vale.
A situação dessa população piora a cada dia, pois os estoques de alimentos
estão se esgotando.
Algumas organizações humanitárias
conseguiram levar alimentos básicos e remédios para esses deslocados, mas não
em quantias suficientes. Atualmente, as forças iraquianas lutam contra o EI
para expulsar a organização radical de Mosul e região.
Sete perguntas para entender a
ofensiva em Mosul
1. Onde fica Mosul?
Mosul é uma cidade no norte do
Iraque que foi facilmente dominada em junho de 2014 pelo Estado Islâmico. O
líder do grupo, Abu Bakr al-Baghdad, declarou Mosul a capital do califado.
2. O que é a ofensiva militar em Mosul?
É a tentativa do Exército do
Iraque de tentar retirar o território em poder do Estado Islâmico. A ofensiva
ocorre após uma sucessão de derrotas e de enfraquecimento do EI, como a perda
das cidades de Tikrit, Ramadi, Fallujah e Dabiq, no norte da Síria.
3. Por que Mosul é importante?
Em 2014, Mosul foi a conquista
determinante para a ascensão do Estado Islâmico. É lá que se concentra boa
parte da extração de petróleo, cujo contrabando sustenta financeiramente os terroristas.
Mosul também é o ponto crucial para o fluxo de pessoas e mercadorias na ao
longo do rio Tigre. Caso o Iraque consiga retomá-la, prejudicaria o
deslocamento de terroristas, armas e contrabando pela região.
4. Quem são os militares envolvidos nesta ofensiva?
Há uma coalizão de mais de 80 mil
soldados, reunindo tropas curdas, divisões do Exército do Iraque e milícias
xiitas iraquianas. Eles têm o apoio dos Estados Unidos e de outros países
ocidentais. Mas essa aliança abriu uma crise com a Turquia, mantida à distância
de toda ação em território iraquiano.
5. Quais os riscos desta ofensiva?
A batalha por Mosul deverá ser
mais sangrenta e duradoura que as outras reconquistas. A preocupação maior é
com o número de refugiados que podem sair de Mosul. As Nações Unidas falam em
até 200 mil pessoas e já preparou campos para abrigá-los no Iraque. Mas o
Estado Islâmico quer que os moradores de Mosul fiquem na cidade para usá-los em
benefício próprio, como escudos humanos.
6. O que acontecerá depois?
A eventual retomada de Mosul e o
recolhimento do EI não representa o fim do grupo terrorista. Para manter seu
poder, é provável que o Estado Islâmico retome seus planos de atentados contra
países do Ocidente. Além disso, a instabilidade política na Síria contribui
para criar um ambiente propício à sobrevivência do EI. Se a reconquista de
Mosul for bem-sucedida, será uma vitória para o governo do presidente dos EUA,
Barack Obama, que insistiu em combater os terroristas à distância, sem enviar
tropas em solo, o chamado "no boots on the ground".
7. Qual a situação do Estado Islâmico atualmente?
Com a sucessão de derrotas do
Estado Islâmico, acredita-se que o grupo tenha perdido cerca de 25% de seu território
dominado. Há uma semana, o governo norte-americano tmabém anunciou que 18
líderes do grupo haviam sido mortos nos últimos 30 dias. Essas informações
apontam para uma percepção de enfraquecimento do EI, mas analistas falam muito
na possibilidade do grupo se reinventar e adotar novas práticas através de
"lobos solitários" espalhados pelo Oriente Médio e Europa.
(Com agência EFE)

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