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Ex-ministro
Guido Mantega foi preso na 34ª fase da Lava Jato,
na
quinta-feira (22), e a prisão dele foi revogada horas depois
(Foto:
Marcos Bezerra/Futura Press/Estadão Conteúdo)
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Ex-ministro aparece com codinome
'Pós Itália' em planilha de propinas.Ao lado da designação para Mantega, consta
o valor de R$ 50 milhões.
O ex- ministro Guido Mantega chega à sede da
Polícia Federal, em São Paulo, após ser preso temporariamente durante a 34ª
fase da Operação Lava Jato (Foto: Marcos Bezerra/Futura Press/Estadão Conteúdo)
Ex-ministro Guido Mantega foi
preso na 34ª fase da Lava Jato, na quinta-feira (22), e a prisão dele foi
revogada horas depois (Foto: Marcos Bezerra/Futura Press/Estadão Conteúdo)
Na planilha de propinas anexada
pela Polícia Federal (PF) nas investigações da 35ª fase da Operação Lava Jato,
deflagrafada nesta segunda-feira (26), o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega é
apontado como possível benefíciário de R$ 50 milhões. Segundo a PF, o
ex-ministro pode ter sido identificado pelo codinome "Pós Itália".
"Há assim, indícios de que
Guido Mantega também tenha sido beneficiário de pagamentos ilícitos e/ou
intermediador de pagamentos realizados pelo Setor de Operações Estruturadas da
Odebrecht, tal qual o foi Antônio Palocci Filho", diz um trecho do
documento da PF.
Outro trecho do documento diz que:
"seriam devidos, à época da última atualização da planilha, R$ 6 milhões
para 'Itália', em referência ao Italiano, ou seja, a Antônio Palocci Filho, R$
23 milhões para 'Amigo', ainda não identificado, e R$ 50 milhões para 'Pós
Itália', cujos indícios preliminares apontam para o emprego deste termo em
referência a Guido Mantega”, fiz um trecho do documento da PF.
A 35ª etapa da Lava Jato surgiu de uma
planilha apreendida na 23ª fase operação, chamada de Acarajé, na qual foram
presos o publicitário João Santana e a mulher, Monica Moura, que fizeram
campanhas eleitorais para o Partido dos Trabalhadores (PT).
Antônio Palocci – ministro da Casa
Civil no governo Dilma Rousseff (PT) e ministro da Fazenda no governo Lula (PT)
– aparece na planilha, como "Italiano". De acordo com o Ministério
Público Federa (MPF), a planilha chamada de "Posição Programa Especial
Italiano" mostra valores ilícitos repassados aos investigados.
Palocci foi preso temporariamente
nesta segunda. Já Guido Mantega foi um dos alvos da 34ª etapa da operação,
deflagrada na quinta-feira (22). Ele teve a prisão temporária decretada, que
foi revogada horas após o ex-ministro ser levado para a sede da PF, em São
Paulo.
Criada em agosto de 2010, a
planilha foi modificada pela última em agosto de 2012. Nesta última
atualização, segundo a PF, Marcelo Bahia Odebrecht, ex-presidente do grupo
Odebrecht, se reuniu com Guido Mantega, conforme a agenda do celular do
empresário, que está preso pela Lava Jato desde junho de 2015 e que já foi
condenado a 19 anos e 4 meses de prisão por envolvimento no esquema de
corrupção na Petrobras.
Nas anotações, o número
relacionado à "GM" está associado a Guido Mantega, ainda de acordo
com a PF. A Polícia Federal também afirma que, na mesma anotação, há indicação
de outros pagamentos ilícitos que seriam definidos com Guido Mantega e outras
duas pessoas.
Na semana passada, quando Guido
Mantega foi detido, o advogado dele, José Roberto Batochio, afirmou que a
prisão do ex-ministro foi "desnecessária, abusiva, autoritária e sobretudo
desumana pela 'coincidência' com a cirurgia da mulher". O G1 tenta contato
com José Roberto Batochio para comentar a suspeita divulgada pela PF nesta
segunda-feira.
Mais cedo, o advogado que também
defende Antônio Palocci, disse que o cliente nunca recebeu vantagem ilícita e
que a prisão do ex-ministro é "desnecessária e autoritátria", já que ele
tem endereço conhecido e poderia passar as informações por meio de um
depoimento.
Suspeitas de propina
A 35ª fase da Operação Lava Jato,
batizada de "Omertà" apura a relação entre o Grupo Odebrechet e o
ex-ministro Antonio Palocci. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), há
evidências de que Palocci e Branislav receberam propina para atuar em favor da
empreiteira, entre 2006 e o final de 2013, interferindo em decisões tomadas
pelo governo federal.
Ainda conforme o MPF, o
ex-ministro também participou de conversas sobre a compra de um terreno para a
sede do Instituto Lula, que foi feita pela Odebrechet.
"Conforme planilha apreendida
durante a operação, identificou-se que entre 2008 e o final de 2013, foram
pagos mais de R$ 128 milhões ao PT e seus agentes, incluindo Palocci.
Remanesceu, ainda, em outubro de 2013, um saldo de propina de R$ 70 milhões,
valores estes que eram destinados também ao ex-ministro para que ele os gerisse
no interesse do Partido dos Trabalhadores", diz o MPF.
As suspeitas sobre Palocci surgiram
na delação do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. Ele
disse que, em 2010, o doleiro Alberto Youssef lhe pediu R$ 2 milhões da cota de
propinas do PP para a campanha presidencial da ex-presidente Dilma Rousseff. O
pedido foi feito por encomenda de Palocci, conforme o MPF.
Youssef está preso na PF em
Curitiba e já foi condenado por corrupção e lavagem de dinheiro na Lava Jato.
Do G1 PR

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