A 34ª fase da Operação Lava Jato,
deflagrada nesta quinta-feira, 22, que prendeu o ex-ministro da Fazenda Guido
Mantega, apura o repasse de propinas para o ex-ministro José Dirceu e para o
marqueteiro do PT João Santana. Os valores seriam propinas da Mendes Júnior e
da OSX Construções Navais pelo contrato de construção das plataformas de
exploração de petróleo para o pré-sal P-67 e P-70.
O Ministério Público Federal
afirma que foi identificado repasse de mais de R$ 6 milhões pelo Consórcio
Integra Ofsshore (Mendes Jr e OSX) com base em contrato ideologicamente falso
firmado em 2013 com a Tecna/Isolux. "Conforme prova testemunhal e
documental, o valor foi transferido no interesse de José Dirceu e de pessoas a
ele relacionadas", informa a força-tarefa da Lava Jato.
O dinheiro foi repassado do grupo
Tecna/Isolux para a Credencial Construtora, empresa de fachada - cujos donos
estão presos - utilizada em outros negócios pelo ex-ministro-chefe da Casa
Civil para o recebimento de propinas. A Credencial recebeu da Tecna/Isolux R$
10 milhões no período.
"Também foram identificados,
entre março de 2013 e junho de 2014, repasses de mais de R$ 6 milhões da Mendes
Júnior a empresas ligadas a um executivo do grupo Tecna/Isolux."
Mantega é acusado de atuar
diretamente para cobrar propinas do consórcio, que em 26 de julho de 2012
assinou com a Petrobras contrato no valor de US$ 922 milhões, para a
construção das plataformas P-67 e P-70. "As consorciadas, que não detinham
tradição no mercado específico de construção e integração de plataformas,
viabilizaram a contratação pela estatal mediante o repasse de valores a pessoas
ligadas a agentes públicos e políticos", informou a Procuradoria.
Marqueteiro
Segundo a Polícia Federal, durante
as investigações verificou-se que no ano de 2012 Mantega "teria atuado
diretamente" para negociar com a OSX repasse de recursos para pagamentos
de dívidas de campanha do PT. Os valores tinha como destino Santana.
O ex-presidente do Conselho de
Administração da OSX, Eike Batista, prestou depoimento ao MPF e declarou que,
em 1º de novembro de 2012, recebeu pedido de Mantega que era ministro e
presidente do Conselho de Administração da Petrobrá, na ocasião, para que
fizesse um pagamento de R$ 5 milhões "no interesse do Partido dos
Trabalhadores (PT)".
"Para operacionalizar o
repasse da quantia, o executivo da OSX foi procurado e firmou contrato
ideologicamente falso com empresa ligada a publicitários já denunciados na
Operação Lava Jato por disponibilizarem seus serviços para a lavagem de
dinheiro oriundo de crimes."
Em dezembro de 2012, uma primeira
tentativa de repasse a Santana foi frustrada, sendo efetivada uma transferência
só em 19 de abril de 2013 de US$ 2,35 milhões, no exterior, entre contas de
Eike Batista e do marqueteiro do PT.
COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA
JOSÉ ROBERTO BATOCHIO, DEFENSOR DE GUIDO MANTEGA:
O advogado José Roberto Batochio,
que defende Guido Mantega, informou que ainda desconhece os motivos do decreto
de prisão temporária do ex-ministro da Fazenda.
Batochio foi avisado logo cedo da
presença da Polícia Federal na residência de Mantega, na rua Leão Coroado, no
Alto de Pinheiros.
Por telefone, o criminalista
conversou o ex-ministro, que estava no Hospital Albert Einsten, acompanhando a
mulher que luta contra um câncer.
Batochio também conversou por
telefone com o delegado da PF que comandava a equipe no encalço do ex-ministro.
O advogado recomendou a Mantega
que aguardasse a PF na portaria do hospital.
"Vamos verificar qual é a
imputação ao ministro Mantega para depois nos manifestarmos", disse o
criminalista. "Mas posso garantir que o ministro jamais pediu propinas ou
recursos para partido político."

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