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Câmera
flagra ladrão na SuperVia
Divulgação
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Sindicato do setor de metais, como
cobre e alumínio, alerta para super quadrilhas agindo contra Metrô e SuperVia
No último dia 12, pelo menos 100
mil passageiros do Metrô foram afetados com a paralisação das composições por
cerca de duas horas e o fechamento de cinco estações. Motivo: o furto de cabos
de energia na altura da Mangueira, entre as estações do Maracanã e São
Cristóvão. Foi a 20ª ocorrência desse tipo de crime registrado pela empresa,
que virou o mais novo alvo dos ladrões.
De acordo com o Sindicato da
Indústria de Condutores Elétricos, Trefilação e Laminação de Metais
Não-Ferrosos (Sindicel), que representa 51 grandes empresas do setor em todo o
país, incluindo o Rio de Janeiro, os ataques de bandidos se intensificaram e a
situação está fora do controle da polícia.
“O perfil dos bandidos mudou.
Hoje, ao contrário de dez anos atrás, os bandos são capacitados em lidar com as
altas cargas de energia nas linhas de transmissão e em interceptar toneladas de
fiações de cobre e alumínio, metais que compõem os fios, em caminhões nas
estradas. Ou seja: virou um negócio altamente lucrativo para super quadrilhas.
Os chamados ‘pés de chinelo’ ou ‘nóias’ (viciados em crack) são a minoria em
atuação hoje”, alerta Valdemir Romero, presidente do Sindicel.
A gana dos bandidos está no ‘valor
de ouro’ do cobre e do alumínio, além da fibra ótica, no caso das
telecomunicações. O preço da tonelada de cobre, por exemplo, é cotado
diariamente pela London Metal Exchange (LME), a bolsa de Londres. Na sexta-feira,
a toneladas estava em torno de U$ 4,6 mil (R$ 15,2 mil). E o alumínio, R$ 1,5
mil a tonelada.
O prejuízo anual ultrapassa R$ 20
milhões, com o roubo de quase mil toneladas por ano de fiações. Para dar
aspecto de legalidade ao material, os bandidos vão a leilões de sucatas e
compram, legalmente, toneladas de cobre velho. Recebem uma nota fiscal
verdadeira, que atesta a origem daquele material. Porém, na hora de revender o
metal, o ferro-velho apresenta a mesma nota mais de uma vez, para usinas
diferentes. Assim, consegue escoar tanto o material comprado legalmente quanto
aquele originado de furtos.
SuperVia, a mais visada
Enquanto a SuperVia, empresa mais
visada pelas quadrilhas — com o registro de 391 furtos de cabos só este ano,
média de três a cada dois dias — sofre com ataques na Zona Norte e Baixada, a
Light, que acumula 48 casos de furtos em 2016, o dobro do ano passado, vê parte
de seu patrimônio levado por ladrões no Centro e na Zona Sul.
“Além de câmeras, passamos a
colocar sensores de presença nas subestações e galerias, na tentativa de
impedir, inclusive, mortes por choques. Como a que ocorreu no início do ano, quando
um homem tentou furtar fios numa galeria próxima ao Memorial Zumbi, no Centro,
e recebeu uma descarga fatal”, diz o superintendente de Campo da Light,
Alexandre Pereira.
Ele revela que os furtos de 240 Km
de cabos nos últimos três anos já causaram, além de R$ R$ 20 milhões de
prejuízos, a interrupção de 365 horas de fornecimento, só este ano, o
equivalente a 15 dias, para 43 mil clientes.
Acidente com fiações da SuperVia,
que já teve 28 km de fios furtados, ou Metrô, pode causar descargas de até 13
mil volts numa pessoa, energia suficiente para, num circuito alimentador,
iluminar três mil residências de uma só vez.
Os 300 ferros-velhos clandestinos
do estado são a principal fonte de receptação. A polícia alega que já prendeu
mais de 100 autores este ano, mas que acabam soltos pela Justiça, que considera
esse tipo de delito de pequena monta. Muitos acabam reincidindo, como Antônio
Cardoso Neto, o Tatu, 43, detido duas vezes em um ano.

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