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Na campanha
a deputado, Chavarry postou
fotos com
crianças (Reprodução)
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Segundo as investigações, mulher
seria 'agenciadora' de crianças para o suspeito. Menina de 2 anos foi
encontrada nua dentro de carro
A prisão em flagrante de um
coronel reformado da PM pelo estupro de uma menina de apenas dois anos chocou
os cariocas. Pedro Chavarry Duarte, de 62 anos, foi preso, na noite de sábado,
em um posto de gasolina, na Rua Barreiros, no bairro de Ramos, após, segundo
policiais, ser encontrado com a criança nua, dentro do carro. Segundo as
investigações, uma empregada do militar reformado seria “agenciadora” de
crianças para o acusado e teria levado a menina até ele.
No fim da noite de ontem, o
promotor Bruno Lavorato pediu à juíza Maria Isabel Pena Pierati, no Plantão
Judiciário, a prisão temporária do coronel e da empregada dele, que não teve o
nome revelado. Segundo o pedido, ela teria parentesco com a mãe da vítima.
O coordenador de Direitos Humanos
do Ministério Público, Marcio Mothé, disse que ainda podem aparecer muitas
outras crianças que foram vítimas do coronel. Ele pediu que as pessoas
denunciem os casos ao órgão e à ouvidoria do MP, pelo telefone 127.
Chavarry é presidente da Caixa
Beneficente da PM e chegou a se candidatar, sem sucesso, a deputado federal
pelo PSL em 2014. Antes, porém, ele já tinha sido citado em caso de pedofilia
na CPI da Alerj, que investigava esses crimes, na década de 90. O militar foi autuado
por estupro de vulnerável e corrupção ativa, já que teria tentado subornar os
PMs, e está preso na Unidade Prisional (antigo BEP), em Niterói.
Segundo testemunhas, no sábado,
Chavarry passou na lanchonete do posto, por volta das 20h30, e fez um pedido. A
vítima estava no banco de trás do carro. Quando uma funcionária do local
entregou o lanche ao acusado, viu a menina nua. Essa atendente já teria visto
Chavarry outro dia, no mesmo local, com um menino no veículo.
“Ela voltou ao caixa assustada e
falou com a gente. Disse que a menina estava nua, de pernas abertas, e que não
foi a primeira vez que viu esse homem aqui. No outro dia, era um menino”,
contou outra funcionária da lanchonete.
Ao ouvir o relato, uma cliente
acionou o 22º BPM (Maré). Os PMs foram ao local e prenderam o acusado em
flagrante. Chavarry, que teria dito que a criança era filha de uma conhecida,
ainda teria tentado suborná-los. A cena foi gravada pelos agentes e ele foi
levado à Cidade da Polícia.
A investigação é conduzida pela
Delegacia da Criança e Adolescente Vítima. A menina foi entregue aos
responsáveis legais e o Conselho Tutelar acompanhará o caso. Após a abordagem,
outros fatos intrigaram a polícia. Duas mulheres teriam aparecido no local
dizendo-se responsáveis pela criança. Uma delas levou a certidão de nascimento.
Oferta de suborno gravada
Um vídeo que circula na internet mostra em que o coronel Chavarry teria tentado subornar os policiais militares que o prenderam. Na gravação, o oficial diz: “Resolvo tudo na segunda-feira. Na segunda vai fazer sol. Tá ventando, hoje. Vamos acabar com essa ocorrência”. O vídeo teria sido gravado por um dos PMs que fez a prisão de Chavarry, que se identificou como coronel na chegada dos agentes e teria tentado encerrar a ocorrência. De acordo com o relato dos PMs que participaram da prisão, o oficial ainda ofereceu vantagens e fez gestos como se estivesse oferecendo dinheiro.
Um vídeo que circula na internet mostra em que o coronel Chavarry teria tentado subornar os policiais militares que o prenderam. Na gravação, o oficial diz: “Resolvo tudo na segunda-feira. Na segunda vai fazer sol. Tá ventando, hoje. Vamos acabar com essa ocorrência”. O vídeo teria sido gravado por um dos PMs que fez a prisão de Chavarry, que se identificou como coronel na chegada dos agentes e teria tentado encerrar a ocorrência. De acordo com o relato dos PMs que participaram da prisão, o oficial ainda ofereceu vantagens e fez gestos como se estivesse oferecendo dinheiro.
Polícia apura se há quadrilha
A Polícia Militar anunciou ontem que o coronel reformado Pedro Chavarry Duarte vai responder a processo administrativo disciplinar (PAD) e submetido a Conselho Disciplinar (CD). O procedimento pode resultar na expulsão do oficial da corporação e perda ainda da remuneração decretada pelo Tribunal de Justiça. Em nota, a PM informou que repudia e combate qualquer tipo de crime.
A Polícia Militar anunciou ontem que o coronel reformado Pedro Chavarry Duarte vai responder a processo administrativo disciplinar (PAD) e submetido a Conselho Disciplinar (CD). O procedimento pode resultar na expulsão do oficial da corporação e perda ainda da remuneração decretada pelo Tribunal de Justiça. Em nota, a PM informou que repudia e combate qualquer tipo de crime.
A corporação confirmou o relato
dos PMs que realizaram a prisão sobre a oferta de suborno para que o acusado
saísse impune. “A equipe recusou a oferta e o conduziu preso para o registro”,
afirmou a PM. O advogado do oficial não foi localizado até o fechamento desta
edição para comentar as acusações.
A delegada titular da Delegacia da
Criança e Adolescente Vítima (Dcav), Cristiana Bento, afirmou que chamará as
testemunhas para depor novamente. “Quero falar com essas pessoas para tirar
dúvidas. Falta clareza nas informações”, disse. Ela ressaltou que não descarta
a possibilidade de haver outras pessoas envolvidas no esquema de entrega da
criança para ser abusada. “Trabalhamos com essa hipótese sim”. A delegada vai
intimar os responsáveis pela menina, que mora com mãe, pai e avó.
Ainda capitão, foi detido em
ação de Comissão sobre venda de crianças
Ser pego em flagrante cometendo
crimes não é novidade para o coronel da PM Pedro Chavarry Duarte. Na década de
90, quando capitão da corporação, foi preso e autuado em flagrante por tráfico
de bebês. O secretário de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos,
Paulo Melo, então deputado estadual, comandou uma comissão parlamentar na Alerj
que resultou na prisão do militar.
“À época fui procurado por uma associação de
moradores de Bangu, que relatou o envolvimento de um PM na venda de crianças.
Montamos uma operação e ficamos esperando no local usado pela quadrilha como
cativeiro, onde os bebês eram deixados de manhã, sob efeito de tranquilizantes,
e, à noite, transportados pelo bando. Quem chegou para pegar o bebê, de apenas
quatro meses, foi o coronel Pedro Chavarry”, recorda Paulo Melo. O secretário
ainda vai apurar como o oficial se tornou coronel com esta ficha.
O histórico de Chavarry não se
limita a esses casos. Em 1994, o nome dele constava na “lista do jogo do
bicho”, que revelou pagamentos de propinas à policiais e autoridades, pela
contravenção. Ele, no entanto, acabou absolvido na Justiça, após investigação
conduzida pelo MP do Rio.
Carreira de sucesso na corporação
A página da Caixa Beneficente
destaca pontos positivos na carreira de Duarte. Segundo o site, Pedro Chavarry
ingressou com apenas 19 anos na Academia de Polícia Militar e, três anos
depois, se tornou aspirante. Passando por diversos batalhões, como o 4°
Batalhão, em São Cristóvão, 8º, em Campos de Goytacazes, 14º, em Bangu, e 16°,
em Olaria.
Ainda segundo a página, Pedro é
bacharel em direto e já acumula 42 anos de atividades na Polícia Militar. O
oficial está há quase seis anos no comando da Caixa Beneficente e ainda tem em
seu currículo a passagem pelo gabinete de quatro comandantes-gerais,
relações-públicas da Polícia Militar, membro da mesa diretora da irmandade de
Nossa Senhora das Dores da PM e diretor da Caixa Beneficente na gestão do ex-presidente
da instituição Ary Lopes.
Colaborou Bruna Fantti e o
estagiário Lucas Cardoso
O Dia

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