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O bicheiro
Carlinhos Cachoeira, é preso em Goiânia (GO) durante a
'Operação Saqueadores', deflagrada pela
Polícia Federal
(Jorge William/Agência o Globo)
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Alvos da Operação Saqueador
cumpriam prisão domiciliar; eles são investigados por desvios de 370 milhões de
reais dos cofres públicos
A 1ª Turma Especializada do
Tribunal Regional Federal (TRF-2) decidiu nesta quarta-feira mandar de
volta à prisão o contraventor Carlinhos Cachoeira e os
empresários Fernando Cavendish (dono da Delta), Adir Assad, Marcelo Abbud
e o funcionário da Delta Cláudio Abreu. Os cinco foram presos preventivamente
na Operação Saqueador, que investiga um esquema de desvios de recursos
públicos e lavagem de dinheiro, mas cumpriam prisão domiciliar.
Os desembargadores federais André
Fontes, Abel Gomes e Paulo Espírito Santo julgaram o mérito do habeas
corpus impetrado pela defesa dos réus, e votaram por unanimidade pela retomada
da prisão preventiva em regime fechado. “O país não suporta mais a
corrupção, a violência e desvio de conduta das autoridades. Não suporta mais a
impunidade. Tem que dar um basta”, disse Espírito Santo, que também é
presidente do TRF-2. Os acusados podem recorrer ao Superior
Tribunal de Justiça (STJ).
“É medida necessária para reafirmar
preventivamente a ordem pública, amenizar a sensação de impunidade e reafirmar
a credibilidade da Justiça”, afirmou o relator do caso, desembargador Abel
Gomes.
A procuradora regional da
República, Monica de Ré, defendeu no julgamento que a permanência dos acusados
em liberdade representa risco de voltarem a praticar os crimes. A procuradora
reivindicou ainda que os recursos “saqueados dos cofres públicos” deveriam ser
devolvidos para “suprir o déficit do Estado do Rio de Janeiro”.
“Permitir que (Cachoeira) fique em
casa, com liberdade de articulação, é crença na redenção do ser humano, cuja
vida é marcada por fatos ilícitos. Em casa, com tornozeleira, podem continuar a
praticar delitos e a ação penal pode ser comprometida com a soltura deles”,
disse Monica.
O advogado Miguel Pereira, que
representa Assad e Abbud, argumentou que não há fato novo que justifique a
prisão de seus clientes. Pereira apontou que as investigações são referentes a
fatos que teriam ocorrido entre 2007 e 2012. “Não houve reiteração de fatos e,
diante disso, não se pode antecipar uma pena que não existe”.
Antônio Sérgio Pitombo, advogado
de Cavendish, também disse que não há fato novo e argumentou que o
empresário é pai de duas meninas de seis anos que são exclusivamente
dependentes dele, uma vez que a mãe morreu em um acidente. “Não estou
falando apenas do paciente, mas também de mais duas meninas. Se o pai é
responsável único pelas crianças a prisão deve ser domiciliar”, defendeu.
A procuradora rebateu a afirmação,
dizendo que Cavendish fez 15 viagens ao exterior no período de um
ano, sendo que as menores o acompanharam em apenas uma ocasião.
Prisão domiciliar – Após
serem presos na Operação Saqueador, os acusados deixaram o presídio Bangu 8, no
Rio, no dia 11 de julho e cumpriam prisão domiciliar desde então. Eles
foram beneficiados por decisão liminar do ministro Nefi Cordeiro, do Superior
Tribunal de Justiça (STJ). No entanto, a medida, que era provisória, perde o
efeito com o julgamento do mérito do habeas corpus.
O primeiro relator do habeas
corpus no TRF-2, Ivan Athié, concedeu liminar para converter a prisão
preventiva dos cinco acusados em prisão domiciliar. O Ministério Público
Federal recorreu da decisão e pediu a suspeição do desembargador, alegando
que o então advogado de Cavendish, Técio Lins e Silva, tinha defendido Athié em
ação penal no STF. Diante disso, Athié pediu para deixar o caso, embora
tenha ressaltado não ter nenhuma ligação íntima com o advogado.
O desembargador federal Paulo
Espirito Santo resolveu manter a determinação do juiz Marcelo Bretas, da 7ª
Vara Federal Criminal, que decretou a prisão preventiva. Ainda hoje, a 7ª
Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro será comunicada da decisão e deverá
expedir a ordem de prisão dos cinco réus, o pode ocorrer ainda nesta
quarta-feira.
A Operação Saqueador foi
deflagrada no dia 30 de junho e tinha como alvo supostos desvios de 370
milhões de reais em obras públicas tocadas pela construtora Delta,
controlada por Cavendish. Cachoeira, Assad e Abbud eram os responsáveis
por criar as empresas fantasmas que lavavam os recursos públicos por meio de 18
empresas de fachada.
(Com Estadão Conteúdo)

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