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É a segunda
sentença contra o petista por crimes de corrupção.
© Foto:
Rodolfo Buhrer/Reuters
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O juiz federal Sérgio Moro
condenou nesta quarta-feira, 18, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu
(governo Lula) a 23 anos e 3 meses de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro
e organização criminosa. É a segunda sentença contra o petista por crimes
de corrupção - em 2012, ele recebeu pena no mensalão. Foram condenados ainda
outros investigados.
As penas são pelos crimes de
corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa no esquema montado na
Petrobrás, em que eram desviados de 1% a 5% dos valores de contratos, ,mediante
acerto entre um cartel das maiores empreiteiras do País com políticos do PT,
PMDB e PP.
José Dirceu de Oliveira e Silva
está preso em Curitiba - sede da Lava Jato - desde agosto de 2015. Ele cumpria
prisão em regime domiciliar, decorrente da pena no mensalão, quando foi detido
pela Polícia Federal acusado de envolvimento no caso Petrobrás.
Os procuradores da força-tarefa
afirmaram que "no núcleo político da organização criminosa" alvo da
Lava Jato, Dirceu "ocupava papel de destaque" e foi beneficiário
final de valores desviados, além de ser um dos responsáveis pela criação do
"complexo esquema criminoso praticado em variadas etapas e que envolveu
diversas estruturas de poder, público e privado".
"José Dirceu, em meio à
relevância que ostentava no âmbito do Partido dos Trabalhadores, foi o
responsável pela indicação e pela nomeação de Renato Duque à Diretoria de
Serviços da Petrobrás, possibilitando, desde logo, que grande parte de esquema
se edificasse", sustenta a Procuradoria da República na denúncia final que
levou à condenação do ex-ministro.
O processo em que Dirceu foi
condenado por Moro tem quatro delatores, três considerados peças importantes no
desmonte do esquema que funcionava na Petrobrás: o ex-gerente de Engenharia
(área cota do PT na estatal) Pedro Barusco e os operadores de propina Milton
Pascowitch, Julio Camargo e Fernando Moura.
Pascowitch, que era operador em
nome da Engevix, e virou espécie de contador das propinas de Dirceu, declarou
em uma de suas delações que o repasse de valores ao ex-ministro e ao núcleo
político "era prioridade por parte dos operadores financeiros". Sua
empresa Jamp Engenheiros Associados foi importante prova de repasses de propina
para o condenado.
Mais do que beneficiário, a
acusação transformada em pena por Moro, aponta Dirceu como peça central da
"profissionalização" do esquema de desvios e lavagem, que abasteceu o
PT e outros partidos, além de políticos e agentes públicos.
Na ação do caso Engevix, Dirceu
foi punido por ser beneficiar dos desvios por meio de compra e obras em
imóveis, pagamentos de falsas consultorias, via empresa JD Assessoria e
Consultoria, e pela compra de um avião para uso. Notas fiscais, contratos
fraudulentos, quebras de sigilos fiscal e bancários, trocas de mensagens, farto
material documental levou Moro a apontar que (*acrescentar trecho sentença).
Condenação
A primeira condenação de Dirceu na
Lava Jato trata do pagamento de R$ 56,8 milhões em propinas pela
empreiteira Engevix, integrante do cartel de empresas que em conluio com
políticos fatiava obras na Petrobrás. O montante é refente a 0,5% e 1% de cada
contrato e aditivo da empresa em obras da Unidade de Tratamento de Gás de
Cacimbas (UTGC), na Refinaria Presidente Bernardes (RPBC), na Refinaria
Presidente Getúlio Vargas (Repar) e na Refinaria Landulpho Alves (RLAM).
Por seu papel de liderança no
esquema, a força-tarefa ainda apresentará novas acusações formais que incluirão
Dirceu - inclusive em outras áreas fora da Petrobrás. Uma delas, ainda em fase
de instrução de inquérito, é a frente sobre desvios em contratos de Comunicação
da estatal.
Dirceu, o ex-diretor Renato Duque,
o ex-gerente Barusco e o ex-tesoureiro Vaccari foram condenado pela prática de
31 atos de corrupção passiva.
"A margem referencial das
vantagens indevidas era de ao menos 2% do valor do contrato original e de cada
aditivo - hipótese em que poderia ser maior -, dos quais 1% era destinado à
Diretoria de Abastecimento e 1% era destinado à Diretoria de Serviços, em que
era dividido igualmente entre "Casa", isto é, funcionários da
Petrobrás, e partido responsável pela indicação do diretor correlato, neste
caso o PT", diz o processo.
Estadão

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