Réu na Operação Lava Jato por
comandar um departamento de propinas dentro da Odebrecht, o empresário entregou
ontem defesa prévia ao juiz Sergio Moro. Odebrecht já foi condenado a 19 anos e
quatro meses de prisão no petrolão
O empreiteiro Marcelo Odebrecht
arrolou a presidente da República afastada, Dilma Rousseff, e os ex-ministros
Antonio Palocci, Guido Mantega e Edinho Silva como testemunhas na ação penal da
Operação Lava Jato em que é réu por associação criminosa e lavagem de dinheiro,
acusado de comandar um departamento na Odebrecht destinado ao pagamento de
propina. A lista de testemunhas selecionadas pelo empreiteiro está na última
folha de sua defesa prévia entregue ontem ao juiz Sergio Moro, que conduz os
processos da Lava Jato em primeira instância em Curitiba.
Odebrecht não explicou no documento
que testemunhos Dilma e os ex-ministros poderiam dar a seu favor, o que pode
levar Moro a questionar a real necessidade dos depoimentos, como costuma
proceder quando autoridades são arroladas a depor como testemunhas. A defesa se
limitou a dizer que é "imprescindível a oitiva de todas elas".
Conforme VEJA
revelou em novembro de 2015, o senador cassado Delcídio do Amaral
deixou uma reunião com Dilma espantado com o que classificou como
"autismo" da presidente e o aparente desconhecimento dela sobre o
umbilical envolvimento financeiro do PT com as empreiteiras implicadas na Lava
Jato. "Presidente, a prisão (de Marcelo Odebrecht) também é um problema
seu, porque a Odebrecht pagou no exterior pelos serviços prestados por João
Santana à sua campanha", disse o agora delator Delcídio à petista.
Além disso, em negociação para
fechar um acordo de delação premiada, Odebrecht afirmou a procuradores da Lava
Jato, segundo o jornal Folha de S. Paulo, que Mantega e Luciano
Coutinho, o presidente do BNDES, cobravam da
empreiteira doações para a campanha de Dilma Rousseff em 2014 por projetos
financiados no exterior.
Publicidade
A defesa de Marcelo Odebrecht
informou o Palácio da Alvorada como residência da petista e três endereços em
São Paulo relacionados a Palocci, Mantega e Edinho Silva. Além dos petistas, o
empreiteiro listou outras 11 testemunhas de defesa.
Defesa prévia - Assinado
pelos advogados Nabor Bulhões e José Carlos Porciúncula, o documento de defesa
prévia de Marcelo Odebrecht pede a Sergio Moro a absolvição sumária do
empresário argumentando que não caberiam novas denúncias contra ele por lavagem
de dinheiro e associação criminosa, já que ele foi condenado por esses crimes
em outra ação penal.
Em março, Odebrecht recebeu pena
de 19 anos e quatro meses de prisão por lavagem de dinheiro, organização
criminosa e corrupção.
"Operações
estruturadas" - As investigações da 26ª fase da Lava Jato,
batizada de Operação Xepa, escancararam o sistema de pagamento de propina
instalado na Odebrecht: a empreiteira contava com um departamento exclusivo
para pagamentos ilícitos, o Setor de Operações Estruturadas. Em depoimento
prestado em acordo de delação premiada, a secretária Maria Lúcia Tavares
revelou que todos os pagamentos paralelos deviam constar no sistema MyWebDay,
uma espécie de 'intranet da propina' da Odebrecht. O sistema era de tal maneira
organizado que altos executivos da empresa eram os responsáveis por liberar os
pagamentos ilícitos.
O departamento da propina era
composto, além de Maria Lúcia, de Hilberto Mascarenhas Alves da Silva Filho,
superior hierárquico da secretária, e também de Ângela Palmeira Ferreira, Alyne
Nascimento Borazo e Audenira Jesus Bezerra. As duas últimas davam apoio a
Fernando Migliaccio da Silva, Luiz Eduardo da Rocha Soares e Hilberto Silva.
Outros executivos de alto escalão também integravam o sistema - incluindo o
herdeiro Marcelo Odebrecht.
Veja.com

0 comentários:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!