Edinho Silva (Comunicação Social)
deu declaração após evento com Dilma. Lula falou em 'bater nos coxinha';
presidente do PT disse não temer 'guerra'.
O ministro da Secretaria de
Comunicação Social, Edinho Silva, falou nesta quinta-feira (31), durante entrevista
a jornalistas em seu gabinete, sobre o risco do surgimento do "primeiro
cadáver” em razão do ambiente de “radicalização” e “intolerância” política
desde as eleições de 2014.
Ele criticou o que chamou de
“incentivo aberto” à violência nas redes sociais, o que, para o ministro,
deveria ser caracterizado como crime.
“As pessoas estão sendo agredidas porque estão
com roupas de uma cor, porque usam a bicicleta de uma cor ou porque são
identificadas na rua ou porque são identificadas em restaurante”, disse. “O ambiente
é tão radicalizado que a gente acaba se acostumando com as mazelas”,
acrescentou.
Ele afirmou não iria
"personificar" os responsáveis pela polarização, mas ressaltou que,
"independentemente do que foi feito até agora, é fundamental que se crie o
ambiente de diálogo para evitar que algo aconteça".
Perguntado, se acha que o discurso
de defesa do diálogo “procede” em meio a um ambiente de “gritaria”, respondeu:
“Vamos fazer isso ou esperar o primeiro cadáver? Porque ele vai existir”.
Sem deixar que o jornalista que
havia feito a pergunta completasse outra, Edinho Silva afirmou: “Ou nós fazemos
isso [buscar um ambiente de diálogo] ou vamos esperar o primeiro cadáver? O
primeiro enterro? Vamos esperar isso acontecer? Porque isso vai existir. Você
não tenha dúvida que ele vai existir do jeito que está se radicalizando. É isso
que vamos esperar? Ou vamos começar a abrir espaço para o diálogo e baixar o
tom no país?”, questionou.
O ministro disse que, em julho do
ano passado, já alertava para o crescimento da radicalização política.
"Conversei com vários
jornalistas, alertando para isso que estava sendo construído no Brasil, que era
um ambiente de intolerância que era gravíssimo", afirmou. Ele disse que
chegou a propor uma campanha contra a intolerência, mas foi mal interpretado.
Edinho Silva deu a entrevista
depois de participar de um encontro entre a presidente Dilma Rousseff, artistas
e intelectuais contrários ao processo de impeachment que ela enfrenta na Câmara
dos Deputados. No encontro, a presidente Dilma disse que "não se une o
país destilando ódio, rancor, raiva e perseguição”.
Clima de hostilidade
O ex-presidente Luiz Inácio Lula
da Silva aparece na gravação de uma escuta telefônica autorizada pela Justiça,
cuja divulgação foi autorizada no último dia 16 pelo juiz Sérgio Moro, da
Justiça Federal, em um conversa com o irmão Genival da Silva. O diálogo é o
seguinte:
- Lula: "Domingo eu vou ficar
um pouco escondido."
- Genival da Silva (Vavá):
"Tá certo. É isso aí."
- Lula: "Porque vai ter um
monte de peão na porta de casa para bater nos coxinha [sic]."
- Genival da Silva: "É
verdade."
- Lula: "Se os coxinhas
aparecer vão levar tanta porrada que eles nem sabem o que vai acontecer."
- Genival da Silva: "É
verdade. Mas deixa aí, deixa esses caras. Esses caras são uns babacas."
- Lula: "Mas eu vou te ver,
querido!"
No último dia 26, o presidente
nacional do PT publicou mensagem em seu Facebook na qual afirmou que iria lutar
para defender o estado democrático, e acrescentou: "As manifestações
mostram o seguinte: queremos a paz, mas não tememos a guerra".
Em outubro de 2015, em sessão da
Câmara, um grupo de manifestantes ligados ao Movimento Brasil Livre, que
defende o impeachment de Dilma fez um protesto nas galerias do plenário.
O deputado Sibá Machado (AC), à
época líder do PT, reagiu e, do microfone no plenário, chamou os manifestantes
de "vagabundos". “Eu vou juntar gente e vou botar vocês pra correr
daqui de frente do Congresso. Bando de vagabundos. Vocês são vagabundos. Vamos
pro pau com vocês agora”, gritou Sibá Machado na ocasião.
Em evento em agosto do ano
passado, o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas,
disse que se tentassem "derrubar" a presidente Dilma, a entidade
seria o "exército" que enfrentaria "de arma na mão" o que
ele chamou de "burguesia na rua". Nos últimos dias, a CUT, aliada a
outros movimentos sociais e entidades sindicais, tem ido às ruas para defender
o mandato de Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
"O que se vende hoje no
Brasil é a intolerância, é o preconceito, preconceito de classe contra nós. E
quero dizer em alto e bom tom que somos defensores da unidade nacional, na
construção de um projeto nacional de desenvolvimento para todos e para todas e
que isso implica agora, neste momento, ir para as ruas entrincheirados, de arma
na mão, se tentarem derrubar a presidenta Dilma Rousseff. Seremos, presidenta
Dilma – qualquer tentativa de atentado à democracia, à senhora ou ao presidente
Lula –, nós seremos o exército que vai enfrentar essa burguesia na rua",
afirmou Freitas na ocasião.
Nesta semana, o líder do governo
na Câmara, José Guimarães (PT-CE), afirmou que o partido está "mobilizando
o Brasil" e que "eles" estão "acuados". "Nós não
estamos aqui para ficar adulando ninguém. O problema é político. Não há razões
para este golpe e estamos mobilizando o Brasil. [...] E eles estão acuados
porque a história jamais vai se esquecer dessa atitude golpista daqueles que
querem o golpe".
Na última segunda (28), o líder do
governo no Senado, Humberto Costa (PT-PE), chamou os que querem o impeachment
de "essa gente" que quer "vingança" e afirmou, diante do
então iminente rompimento do PMDB com o Planalto, que o vice-presidente Michel
Temer será o próximo a cair caso Dilma sofra o que chamou de "golpe
constitucional".
"Não pense que os que hoje
saem organizados para pedir ‘Fora, Dilma’ vão às ruas para dizer ‘Fica, Temer’,
para defendê-lo. Não. Depois de arrancarem, com um golpe constitucional, a
presidenta da cadeira que ela conquistou pelo voto popular, essa gente vai para
casa porque estará cumprida a sua vingança e porque não lhe tem apreço algum.
E, seguramente, Vossa Excelência [Michel Temer] será o próximo a cair”, afirmou
Humberto Costa na ocasião.
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