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O deputado Ricardo
Barros (PP-PR)
(Foto: Divulgação)
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Para se livrar do impeachment,
presidente Dilma distribui cargos a aliados sem qualificações necessárias.
Confira outros nomes
Correndo contra o tempo para
recompor suas bases e sobreviver ao processo de impeachment, o governo da
presidente Dilma Rousseff coloca à mesa seus principais ministérios, e o
critério para a escolha dos nomes deixa de lado as atribuições técnicas para
cada pasta para priorizar os votos favoráveis à petista na Câmara dos
Deputados. Em ano de surto de zika vírus, por exemplo, o Planalto decidiu
convidar para o comandar o Ministério da Saúde o deputado Ricardo Barros
(PP-PR), um conhecido articulador político que não carrega em seu currículo
nenhum conhecimento na área médica.
Formado em engenharia civil,
Barros ganhou maior protagonismo na Câmara no ano passado ao assumir o papel de
escudeiro do governo na função de relator do Orçamento. Na ocasião, ele saiu em
defesa da retomada da CPMF, o imposto do cheque, um dos principais pleitos do
Planalto para recuperar a economia, e deu aval à mudança da meta fiscal.
O PP, partido de Barros, tem 49
deputados e sofre dura pressão de correligionários para abandonar a aliança com
o Planalto. Em reunião nesta quarta-feira, a cúpula da legenda decidiu agendar
para meados de abril a data da convenção para discutir o desembarque. O governo,
que precisa de 172 votos para fugir do impeachment, tenta conter o movimento
oferecendo um dos mais robustos cargos na Esplanada dos Ministérios.
Se confirmado no posto, o
parlamentar será o único ministro da Saúde desde o governo Lula a assumir o cargo
sem ter a mínima experiência médica. À exceção de José Agenor Álvares da Silva,
que é bioquímico e sanitarista e esteve à frente da Saúde entre 2006 e 2007,
desde 2003 todos os titulares da pasta foram formados em medicina.
Em sua página pessoal, o cotado a
ministro da Saúde destaca em seu currículo, além da graduação em engenharia
civil, a experiência como prefeito de Maringá, entre 1989 e 1993, e a
apresentação de projetos ligados à educação.
Varejo - Terceira maior bancada na
Câmara, o PP já comanda o Ministério da Integração. O ministro, porém, deve ser
alterado: sairá Gilberto Occhi para assumir o deputado Cacá Leão, filho do
vice-governador da Bahia, João Leão, aliado do ministro Jaques Wagner (Casa
Civil). Occhi, por outro lado, não ficará a ver navios: a presidência da Caixa
Econômica Federal foi oferecida ao pepista.
No dominó de loteamento de cargos,
o PR, hoje à frente do Ministério dos Transportes, pode ser beneficiado com o
Ministério de Minas e Energia ou com o da Agricultura. É cotado para o posto o
líder da legenda na Câmara, deputado Maurício Quintella (AL).
O PSD, que comanda o Ministério
das Cidades, também pode ganhar mais espaço na Esplanada. A legenda discute a
possibilidade de assumir o Ministério do Turismo - que também está sendo disputado
pelo PRB. O partido ligado à Igreja Universal entregou o Ministério do Esporte
e anunciou o rompimento com Dilma, mas, nos bastidores, negocia o apoio à
presidente Dilma em troca de cargos. A legenda ainda pode receber, de tabela, a
Embratur.
Até o nanico PTN está na lista de
distribuição do Planalto e deve levar o comando da Funasa (Fundação Nacional de
Saúde). O PROS, que teve uma passagem relâmpago no Ministério do Esporte após
George Hilton migrar para a legenda, também está em negociação e espera ser
retribuído pelo governo após a derrubada de Hilton. Todas mudanças estão sendo
feitas após o PMDB romper a aliança com a presidente Dilma Rousseff e colocar à
disposição, apesar da resistência dos ministros, sete pastas na Esplanada.
Nesta quinta-feira, o presidente
da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ironizou a barganha feita
pelo governo para fugir do processo de impeachment. "É liquidação de fim
de governo. É o feirão do petrolão", disse.

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