É a primeira vez que o Ministério
Público pede a prisão do ex-presidente petista
Na denúncia contra o ex-presidente
Lula, sua mulher e seu filho Fábio Luiz Lula da Silva protocolada nesta
quarta-feira, 9, o Ministério Público de São Paulo pediu a prisão preventiva do
ex-presidente. Além de Lula também foi pedida a prisão preventiva do
ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto e do empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS, e
de outros dois investigados do caso Bancoop – Cooperativa Habitacional dos
Bancários de São Paulo.
A juíza Maria Priscilla Ernandes
Veiga Oliveira, da 4ª Vara Criminal da capital, vai decidir se manda prender ou
não e se recebe ou não a denúncia.
Documento
É a primeira vez que o Ministério
Público pede a prisão do ex-presidente, acusado de lavagem de dinheiro e
falsidade ideológica ao supostamente ocultar a propriedade do tríplex–
oficialmente registrado em nome da OAS. Na sexta-feira, 4, o petista foi levado
a depor coercitivamente na 24 ª fase da Lava Jato, que investiga se ele teria
recebido propinas no esquema de corrupção da Petrobrás por meio das obras que
empreiteiras investigadas fizeram no tríplex e em um sítio em Atibaia
frequentado por ele.
Nesta tarde, em entrevista a
jornalistas, o promotor Cássio Conserino, um dos responsáveis pela denúncia,
evitou responder se havia pedido a medida cautelar contra o petista. “Só vamos
falar sobre a denúncia”, disse.
Na denúncia de 102 páginas
assinada por Conserino, José Carlos Blat e Fernando Henrique Moraes de Araújo a
Promotoria detalha as suspeitas levantadas ao longo das investigações que
ouviram mais de 20 testemunhas, incluindo engenheiros responsáveis por reformas
no imóvel e até zeladores do edifício Solaris.
“Todos disseram que o
ex-presidente Lula era o mascote da vendas unidades. Eles sinalizavam para os
eventuais compradores (de unidades do Solaris) que poderiam jogar bola com o
presidente, passear com o ex-presidente da República no condomínio. E que
teriam mais segurança por conta da presença da figura ilustre do ex-presidente
da República”, disse Conserino nesta tarde.
A família do petista adquiriu uma
cota do empreendimento em 2005, o que foi declarado à Receita Federal em 2006,
no valor de R$ 47 mil. Três anos depois, a Bancoop, cooperativa responsável
pelos empreendimentos do edifício Solaris ficou insolvente e os imóveis
foram repassados para a OAS, que assumiu as obras.
Como os apartamentos do condomínio
não estavam prontos, a empreiteira, então, deu trinta dias para os cooperados
decidirem se iam aceitar ficar com a OAS ou se abririam mão do empreendimento
recebendo o dinheiro de volta. “Entretanto, a família presidencial teve
seis anos para pensar se iria desistir ou se iria permanecer na OAS. Ao que
parece, só desistiu por conta do início da investigação no Ministério Público”,
afirmam os promotores na denúncia.
Para os investigadores, o
ex-presidente cometeu o crime de lavagem de dinheiro ao declarar em seu
Imposto de Renda que possuiria uma “cota” da Bancoop “à medida em que
deliberadamente desconsiderou a origem do dinheiro empregado no condomínio
Solaris do qual lhe resultou um triplex, sem que despendesse qualquer valor
compatível para adquiri-lo, sem que constasse no termo de adesão de 2005
de sua esposa Marisa Letícia, aquela unidade autônoma ou qualquer alusão àquele
triplex e não cota como faz questão de pronunciar”, diz a denúncia.
Além disso, segundo a acusação, o
petista teria cometido o crime de falsidade ideológica ao declarar em seu
imposto de renda “outro apartamento que não lhe pertencia, no ano de 2015,
referente ao exercício financeiro de 2014, conforme noticiado e publicado pelo
próprio instituto Lula”, seguem os promotores.
Na investigação, os atuais
moradores do apartamento 141, que aparece na declaração como sendo de Lula, foram
ouvidos pelos promotores e negaram que compraram o apartamento do petista o
que, segundo os promotores, provaria a intenção do ex-presidente em ocultar o
imóvel e lavar dinheiro. “Não é crível que declarasse um apartamento de outra
pessoa, ou seja, de Eduardo Bardavira, conforme registro imobiliário
exibido a fls. 804/806 exatamente no ano de 2014, como se fosse seu”, aponta a
denúncia.
A defesa do petista alega que o
ex-presidente da OAS Léo Pinheiro, investigado na Operação Lava Jato, foi quem
teve a iniciativa de fazer a reforma no apartamento que caberia ao casal Lula
da Silva e que o petista nunca soube dos valores da obra. Além disso, a
defesa vem negando que Lula seja o proprietário do tríplex.
“Lula nunca escondeu que sua
família comprou, a prestações, uma cota da Bancoop, para ter um apartamento
onde hoje é o edifício Solaris. Isso foi declarado ao Fisco e é público desde
2006. Ou seja: pagou dinheiro, não recebeu dinheiro pelo imóvel. Para ter o
apartamento, de fato e de direito, seria necessário pagar a diferença entre o
valor da cota e o valor do imóvel, com as modificações e acréscimos ao projeto
original. A família do ex-presidente não exerceu esse direito. Portanto, Lula
não ocultou patrimônio, não recebeu favores, não fez nada ilegal. E continuará
lutando em defesa do Brasil, do estado de direito e da democracia”, afirmou a
defesa do petista.
Denunciados. Ao todo
foram denunciadas 16 pessoas. A investigação mostrou que a empreiteira OAS
bancou uma reforma sofisticada do apartamento., ao custo de R$ 777 mil. Segundo
o engenheiro Armando Dagre, sócio-administrador da Talento Construtora,
contratada pela OAS, os trabalhos foram realizados entre abril e setembro de
2014.
Lula apresentou sua defesa por
escrito no inquérito da Promotoria. O petista afirma que não é o dono do
tríplex.
Depoimento. O
ex-presidente se se recusou a comparecer pessoalmente ao Ministério Público de
São Paulo, na quinta-feira, 3. A audiência havia sido marcada pela segunda vez.
O promotor Conserino, inicialmente, pretendia ouvir Lula no dia 17 de
fevereiro, mas, na ocasião, uma liminar do Conselho Nacional do Ministério
Público barrou a audiência.
Mesmo com a interrupção da
investigação da Promotoria paulista e do adiamento da audiência de Lula,
manifestantes pró e contra PT se confrontaram na frente do Fórum Criminal da
Barra Funda, em São Paulo.
A liminar fora concedida a pedido
do deputado Paulo Teixeira (PT-SP), que alegou perante o Conselho que o
promotor Conserino já havia antecipado ‘juízo de valor’. Segundo o parlamentar,
Conserino não é promotor natural do caso.
Uma semana depois, o Conselho
Nacional do Ministério Público destravou a investigação. Por unanimidade, o
colegiado derrubou a liminar e permitiu que Cássio Conserino prosseguisse a
investigação. O promotor intimou novamente o ex-presidente, mas um detalhe
técnico provocou novo tumulto na apuração. A notificação trazia advertência de
uma possível condução coercitiva de Lula, medida que não cabe para
investigados, caso do ex-presidente.
Lula também é alvo da força-tarefa
da Operação Lava Jato, do Ministério Público Federal, que o investiga pela
suposta propriedade do sítio Santa Bárbara, localizado em Atibaia (SP).
As duas frentes de investigação
levaram a defesa de Lula a ingressar com uma ação no Supremo Tribunal Federal
(STF), em que afirma haver duplicidade de procedimentos com o mesmo objetivo.
Os defensores do ex-presidente pediram a suspensão das duas apurações. A
ministra Rosa Weber negou liminar e manteve de pé tanto o inquérito da
Promotoria de São Paulo quando o inquérito da Procuradoria.
A força-tarefa apura se Lula
recebeu supostas ‘vantagens indevidas’ de construtoras investigadas na Operação
Lava Jato, materializadas, dentre outros, em imóveis em Atibaia/SP e em
Guarujá/SP.
COM A PALAVRA, O INSTITUTO
LULA:
“A denúncia do promotor Cássio Conserino, do Ministério Público de São Paulo, não tem base na realidade, conforme o Instituto Lula já mostrou. Em 30 de janeiro deste ano, foram divulgados todos os documentos relativos à cota do Edifício Solaris, que mostram que Lula e sua família nunca tiveram apartamento no Guarujá (leia e entenda porque ele não é dono do apartamento: http://www.institutolula.org/documentos-do-guaruja-desmontando-a-farsa). O ex-presidente sempre declarou a cota em seu Imposto de Renda.
“A denúncia do promotor Cássio Conserino, do Ministério Público de São Paulo, não tem base na realidade, conforme o Instituto Lula já mostrou. Em 30 de janeiro deste ano, foram divulgados todos os documentos relativos à cota do Edifício Solaris, que mostram que Lula e sua família nunca tiveram apartamento no Guarujá (leia e entenda porque ele não é dono do apartamento: http://www.institutolula.org/documentos-do-guaruja-desmontando-a-farsa). O ex-presidente sempre declarou a cota em seu Imposto de Renda.
Tais documentos foram encaminhados
ao promotor. Leia aqui os documentos enviados ao MP:
http://www.institutolula.org/depoimento-de-lula-ao-mp-esclarece-a-verdade-sobre-atibaia-e-guaruja.Já
era previsível, no entanto, que Conserino encaminhasse a denúncia, já que
declarou à revista Veja que considerava o ex-presidente culpado antes mesmo de
ouvir a defesa de Lula.
O ex-presidente Lula já desmentiu
essa acusação mais de uma vez, frente às autoridades e em discursos. O
ex-presidente Lula não é proprietário nem de triplex no Guarujá nem de sítio em
Atibaia, e não cometeu nenhuma ilegalidade. Ele apresentou sua defesa em
documentos que provam isso às autoridades competentes.”

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