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O ministro
Marco Aurélio Mello não discordou propriamente
dos colegas
do tribunal, mas após o impedimento,
o Brasil estará melhor?
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Dilma pode questionar
impeachment no STF, diz ministro; juristas rebatem
Nas últimas semanas, ministros do
Supremo Tribunal Federal têm rebatido o questionamento da legalidade do
impeachment. O presidente do STF, Ricardo Lewandowski, o ministro Celso de
Mello e Dias Toffoli, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, defenderam a
constitucionalidade do processo.
Nesta quarta-feira (30), o
ministro Marco Aurélio Mello não discordou propriamente dos colegas do
tribunal, mas afirmou que o impeachment não resolveria a crise. Ele fez questão
de dizer que o impeachment será golpe, se, como alega a presidente Dilma, não
houver crime de responsabilidade configurado.
“Acertada a premissa, ela tem toda a razão. Se
não houver um fato jurídico que respalde o processo de impedimento, esse
processo não se enquadra no figurino legal e transparece como um golpe. Agora
precisamos aguardar o funcionamento das instituições, precisamos nessa hora de
temperança, precisamos guardar princípios e valores e precisamos também ter uma
visão prognóstica. Após o impedimento, o Brasil estará melhor? O que nós
teremos após o impedimento? A situação é diversa da situação de 1992, porque
nós temos dois segmentos que se mostram a essa altura antagônicos e não
queremos conflitos sociais no Brasil. Nós queremos a paz social”, afirmou Marco
Aurélio.
O ministro foi além: ele disse que
a presidente Dilma ainda poderá questionar o resultado do julgamento do
impeachment no STF mesmo se o processo passar pela Câmara e for aprovado, em
seguida, pelo Senado, em sessão presidida pelo ministro Ricardo Lewandowski,
que é o presidente do Supremo.
“O Judiciário é a última
trincheira da cidadania e pode haver um questionamento para demonstrar que não
há fato jurídico – muito embora haja político – suficiente ao impedimento. E
não interessa de início ao Brasil apear esse ou aquele chefe do Executivo, seja
nacional ou estadual, porque, a meu ver, isso gera até mesmo muita insegurança.
O ideal seria o entendimento entre os dois poderes como preconizado pela Carta
da República, pela Constituição Federal, para combater-se a crise que afeta o
trabalhador, a mesa do trabalhador, que é a crise econômico-financeira”, disse
Marco Aurélio.
Juristas
A declaração do ministro de que, após o julgamento do impeachment pelo Senado, o Supremo Tribunal Federal poderia reavaliar a decisão, foi rebatida por juristas.
A declaração do ministro de que, após o julgamento do impeachment pelo Senado, o Supremo Tribunal Federal poderia reavaliar a decisão, foi rebatida por juristas.
O jurista Ives Grandra Martins
disse que, apesar da grande admiração e amizade que tem pelo amigo, ministro
Marco Aurélio, não concorda com ele. “Primeiro, o Supremo é que definiu o rito.
O Supremo, por nove votos a dois, é que definiu o rito. Em segundo lugar, o
Senado, se a Câmara admitir o impeachment, será presidido pelo presidente do
Supremo Tribunal Federal. É como um constituinte dizendo o seguinte: ‘É tão
relevante o impeachment que nós precisamos dos dois poderes. O Poder Judiciário
e o Senado Federal para decidirem o impeachment'. Se o Senado Federal decidir
com a presidência do presidente do Supremo Tribunal Federal, o Supremo vai
respeitar, como respeitou no caso do impeachment do presidente Collor. E
qualquer recurso qualquer um pode fazer, mas, agora, a meu ver, não terá nenhum
efeito. A possibilidade de reformular uma decisão do Senado é zero, porque quem
definiu esse rito foi o Supremo Tribunal Federal e quem vai presidir no Senado,
se houver a admissão de impeachment na Câmara dos Deputados, será o presidente
do Supremo Tribunal Federal”, afirmou Ives Gandra.
O ex-ministro do Supremo Carlos
Velloso concordou com a declaração de Ives Gandra de que a palavra final é do
Senado. Carlos Veloso também destacou que o julgamento no Senado é comandado
pelo presidente do Supremo.
“Temos a separação dos poderes e
essa é uma atividade, uma atribuição, exclusiva do Congresso, da Câmara e do
Senado. E o Senado tem a palavra final porque o Senado é quem julga. O
presidente do Supremo empresta àquele julgamento um ar de mais seriedade porque
ele é o chefe do Poder Judiciário, é o chefe de um poder técnico, de um poder
técnico-jurídico. Ele vai, então, presidir o Senado e levar ao Senado o
prestigio da Suprema Corte brasileira. Como palavra final, derradeira,
incontestável e irrecorrível”, afirmou Carlos Velloso.

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