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Ex-presidente
Luiz Inácio Lula da Silva no Rio de Janeiro
(Foto: Ricardo Moraes/Reuters)
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Auxiliares do ex-presidente
acreditam que medidas de investigação, como quebras de sigilo, podem ser
decretadas a qualquer momento
O Ministério Público Federal
investiga, em meio aos processos da Operação Lava Jato, se o ex-presidente Luiz
Inácio Lula da Silva recebeu "vantagens indevidas", durante o mandato
presidencial, de empreiteiras citadas no escândalo do petrolão. Essa é a primeira
vez que os procuradores da força-tarefa que trabalha nas investigações sobre o
esquema de corrupção na Petrobras admitem publicamente que o petista é alvo de
apuração por fatos ocorridos enquanto ele ainda ocupava o Palácio do Planalto.
O staff do ex-presidente, porém, trabalha com a hipótese até de que medidas de
investigação, como quebras de sigilo, podem ser decretadas a qualquer momento.
Segundo o procurador Deltan
Dallagnol, chefe da força-tarefa do Ministério Público no petrolão, o processo
de investigação criminal instaurado contra Lula tem o objetivo de "apurar
as supostas vantagens recebidas" pelo petista de construtoras investigadas
na Operação Lava Jato. "Os favores recebidos pelo político foram
materializados, dentre outros, nos imóveis em Atibaia/SP e no Guarujá/SP",
diz o texto.
No fim de janeiro, a Operação Lava
Jato deflagrou a fase batizada de Triplo X e anunciou uma varredura em todos os
apartamentos do condomínio Solaris, no Guarujá (SP), onde a enrolada
empreiteira OAS, investigada por participar do petrolão, assumiu a construção
dos imóveis após um calote da Bancoop, a Cooperativa Habitacional dos Bancários
de São Paulo. A cooperativa deu calote em seus associados enquanto desviava
recursos para os cofres do PT, quebrou em 2006 e deixou quase 3 000 famílias
sem seus imóveis, enquanto petistas graúdos, como o ex-presidente Lula,
receberam seus apartamentos.
Em abril do ano passado, VEJA
revelou que, depois de um pedido feito por Lula ao então presidente da OAS, Leo
Pinheiro, a empreiteira assumiu a construção de prédios da cooperativa. O favor
garantiu a conclusão das obras nos apartamentos de João Vaccari Neto, por
exemplo.
Na última semana, conforme
antecipou a coluna Radar, o ex-presidente Lula recorreu ao Supremo Tribunal
Federal alegando ser alvo de duas apurações simultâneas, do Ministério Público
de São Paulo e do Ministério Público Federal. Ele alegou que não deveria ser
investigado na Lava Jato e pediu ao STF que decida onde o processo deve
tramitar. Em manifestação entregue hoje ao STF, Deltan Dallagnol defendeu a
ideia de que não há conflito de competência nas investigações envolvendo o
petista porque o MP em São Paulo e a força-tarefa da Lava Jato estariam lidando
com casos diferentes.
Os indícios, segundo Dallagnol,
são de lavagem de dinheiro e com participação do pecuarista José Carlos Bumlai
e de executivos da construtora Odebrecht e da OAS. Os três já foram denunciados
por outros esquemas criminosos envolvendo o petrolão.

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